segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas.


Uma idéia muito boa do Senador Cristovam Buarque.

Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, Deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As conseqüências seriam as melhores possíveis.

Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.

O projeto de lei pode, realmente, mudar a realidade do nosso país.


O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.


Vamos todos assinar a petição a favor do Projeto de Lei do Senador Cristóvão Buarque!!




PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007

Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

sábado, 29 de agosto de 2009

Devastação dos oceanos afeta vida no planeta

A acelerada deterioração dos oceanos pelo aumento da poluição e o desaparecimento de milhares de espécies marinhas coloca em perigo a vida no planeta, foi a conclusão do Green Forum, que reuniu hoje (26) em Miami cientistas e especialistas mundiais no assunto.
O evento foi organizado pela Fundação ABC, pelo National Geographic, pela Escola de Ciências Marinhas da Universidade de Miami e por outras entidades e teve como objetivo chamar a atenção para os perigos que espreitam os oceanos e recomendar uma série de soluções.
Durante dois dias os participantes debaterão os problemas que espreitam os oceanos desde a pesca aos efeitos da mudança climática e os elevados níveis de poluição nos mares.
“Costumamos pensar que os alimentos que chegam a nossas mesas sempre estarão aí, que o clima não mudará e que se algo acontecer podemos remediar, mas com a deterioração dos oceanos o que está em jogo é a vida no planeta”, disse hoje à Agência EFE Angélica Fuentes, copresidente da Fundação ABC.
Emilio Azcárraga, presidente da “Televisa” e copresidente da “ABC”, afirmou que “o desconhecimento que se tem dos oceanos é equivalente à sua importância”.
“Se as pessoas soubessem que se matam 100 milhões de tubarões ao ano, que dois terços do oxigênio que se respira no mundo vêm do oceano e que a pesca e a poluição podem acabar com milhares e milhares de espécies para sempre, se conscientizariam do risco e agiriam diferente”, acrescentou Azcárraga.Também assistiu à inauguração do fórum o oceanógrafo e explorador francês Jean-Michel Cousteau, filho de Jacques Cousteau, que usou sua vasta experiência como cientista e divulgador da vida marinha para transmitir a preocupação pela preservação dos mares.
As conferências e debates se concentrarão na quinta-feira (27), com várias sessões nas quais serão analisados os efeitos da mudança climática, da poluição e da pesca nos oceanos, que compreendem 98% da biosfera onde a vidado planeta se desenvolve.
html> Yahoo Notícias e http://www.anda.jor.br/?p=18120

domingo, 23 de agosto de 2009

Tinta usada por pescadores faz caranguejo mudar de sexo

Uma tinta muito usada por pescadores para pintar o casco de barcos pode estar fazendo um tipo de caranguejo do Sudeste do Brasil trocar de sexo.
Análises iniciais mostram que o contato com o poluente tem feito as fêmeas dos grupos estudados se masculinizarem.
De acordo com o biólogo Bruno Sant’Anna, da Unesp, caranguejos ermitões da espécie Clibanarius vittatus em 13 estuários estudados, de Cananeia (SP) a Paraty (RJ), registraram o composto TBT (tributilestanho) em seus órgãos.
Altamente tóxico, o TBT é usado como biocida em tintas para cascos de barcos desde os anos 1960.
A aplicação desse produto, proibido países como Japão e França, evita que cracas, algas e mexilhões grudem nos cascos e diminuam a velocidade da embarcação. Existem alternativas no mercado de tintas navais, mas a eficiência e o custo dos novos produtos têm feito com que muitos consumidores prefiram a tinta dita “envenenada”.
Existem vários estudos, espalhados pelo mundo, mostrando que o TBT provoca imposição sexual em moluscos. “O poluente induz a produção de hormônio masculino”, diz Sant’Anna. Em colaboração com cientistas da USP, o pesquisador tenta provar que o mesmo ocorre com ermitões.
A presença de TBT nos estuários onde os bichos vivem, e dentro dos próprios organismos, já está documentada. “A maior evidência de que a troca de sexo também está ocorrendo aqui é que coletamos ermitões com os dois sexos em 3 das 13 áreas mapeadas”, diz.
Como não há na natureza ermitões hermafroditas, a hipótese de Sant’Anna é que os animais coletados estejam em pleno processo de troca de sexo. Em menos de um ano, as estruturas femininas sumiriam e os animais se tornariam machos, sob efeito do TBT. Por enquanto, o número de caranguejos hermafroditas é baixo – apenas 5% dos animais coletados-, mas já é suficiente para causar alarme nos pesquisadores.
Dieta poluída
O experimento no laboratório para comprovar a ligação entre TBT e mudança de sexo, começa em dias. Serão colocados no laboratório três grupos de 60 animais: só machos, só fêmeas e bichos de dois sexos. Metade de cada população vai entrar em contato com doses de TBT. O restante dos animais servirá como controle.
Segundo Sant’Anna, as fêmeas e os bichos com os dois sexos devem todos virar machos. “Os indícios do papel do TBT são grandes”, diz. Outros dois experimentos, já realizados na Unesp em São Vicente (SP), trazem uma conclusão boa e outra ruim.
“Nós analisamos como os bichos absorvem o poluente. A alimentação tem mais importância do que a água”, diz Sant’Anna. Como os ermitões comem outros pequenos animais, o TBT deve estar presente em todos eles, e no dissolvido apenas na água do mar.
A boa notícia, que pode ser ruim também se não houver um esforço de fiscalização para impedir o uso das tintas envenenadas – disponíveis no mercado nacional, apesar de existir uma convenção da Organização Marítima Internacional contrária ao produto–, é que o TBT é eliminado em 35 dias pelos animais. Ou seja, é possível salvar os bichos que ainda não começaram a trocar de sexo.
O biólogo também vai estudar mais 12 estuários. Estados como Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina serão mapeados. “Em todos esses lugares existem barcos e ermitões. A contaminação é praticamente inevitável”, diz Sant’Anna.
A TribunaNews

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Em busca da ilha de lixo

http://atribunadigital.globo.com/bn_conteudo.asp?opr=115&cod=428392
Segunda-Feira, 17 de Agosto de 2009, 09:07
Em busca da ilha de lixo
Da Redação
Há cerca de duas semanas, mais de 40 cientistas partiram em uma missão inusitada. A bordo de duas embarcações, eles viajarão mais de 900 km em altomar até encontrarem o que foi batizado como a`ilha de lixo'.
Trata-se de uma imensa área, com dimensões semelhantes a três vezes o tamanho do Estado de São Paulo, localizada no norte do Oceano Pacífico, entre o litoral da Califórnia (EUA) e do Japão. Lá, correntes marinhas que formam uma espécie de redemoinho foram concentrando, ao longo dos anos, toneladas de detritos plásticos.
A descoberta desse imenso depósito flutuante ocorreu há 12 anos, por puro acaso, já que o local está em águas internacionais, de baixa circulação de navios. Hoje, acredita-se que sua formação se deve, basicamente, ao descarte incorreto do lixo doméstico (80%) de países asiáticos e da América do Norte.
ALTERNATIVAS
O objetivo dos pesquisadores é dimensionar essa área e avaliar detalhadamente seus componentes ­ a maioria composta por minúsculos fragmentos que foram se decompondo mediante a ação do sol e da água do mar.
O grande problema, porém, é o que fazer com esses resíduos. Fruto de processos produtivos inadequados, aliado a um consumo desenfreado e à incapacidade dos governos de implantar sistemas eficientes de coleta seletiva e de educação ambiental, fenômenos como a `ilha de lixo' tendem a aumentar ­ o que não quer dizer que existam alternativas.
Um exemplo é a empresa paulista Couroecol, produtora de artigos em couro. Para se ter uma ideia do impacto desse segmento no meio ambiente, em Franca(SP), o maior polo calçadista do País, cerca de 100 toneladas de retalhos são gerados todos os dias, contendo 17 diferentes tipos de poluentes químicos usados no processamento do couro cru.
Para evitar o descarte puro e simples do material, a empresa criou um método que consiste no trituramento desse lixo, que se transforma em matéria-prima na fabricação de blocos para construção civil. Adotado em larga escala, pode se tornar uma opção interessante aos construtores, pois os blocos com resíduo de couro apresentam melhor isolamento térmico do que os convencionais, garante Emar Garcia Junior, dono da Couro e col.
ELETROELETRÔNICOS
Além do vestuário, outro segmento que gera grande quantidade de resíduos é o eletroeletrônico. O número de carcaças de computadores e de televisores é tão grande que muitos países simplesmente exportam esse lixo para depósitos em nações pobres. Lá, os componentes são queimados visando a retirada de metais preciosos. O restante acaba descartado em lixões ­ daí para rios e desses para o mar.
Agora, pesquisadores da Universidade de Iorque, na Inglaterra, criaram um método que permite reaproveitar as telas de LCD, usadas em monitores de computador, tevês e celulares.
O inédito processo permite que esses componentes se transformem não apenasem novas telas LCD, como também em compostos úteis na medicina, como próteses ou nas chamadas `drogas inteligentes', capazes de chegar ao local preciso onde o medicamento deve ser aplicado, evitando efeitos colaterais danosos.
São dois exemplos, entre muitos outros, seja no Brasil ou no exterior, que buscam a utilização racional dos resíduos. Sozinhos, não irão evitar futuras`ilhas de lixo', mas demonstram que é possível buscar um novo padrão de desenvolvimento que, aliado à educação ambiental, se traduzem em qualidadede vida.
Segunda-Feira, 17 de Agosto de 2009, 09:14
Proposta é transformar plástico em combustível
Da Redação
A `ilha de lixo' do Oceano Pacífico foi descoberta em 1997 pelo oceanógrafo
norteamericano Charles Moore, durante uma competição de barcos à vela entre Los Angeles e o Havaí. No final de julho, ele e um grupo de cientistas partiram em uma expedição ao local, batizada de Projeto Kaisei, nome de um dos dois barcos que compõem a jornada.
Uma das propostas dos pesquisadores é descobrir um método que permita recolher os detritos e reutilizá-los na produção de combustível, já que boa parte é formada por resina oriunda de petróleo ­ o que poderia ter sido feito antes que esse lixo chegasse ao mar.
Porém, como o próprio Moore admite, o grande objetivo é chamar a atenção da comunidade para o problema. "Um dia, esse volume tende a ser tão grande que não ficará mais restrito àquela área".
VÓRTEX
O lixo é mantido no local pelas correntes oceânicas. No Pacífico Norte, com ventos fracos, as correntes tendem a empurrar qualquer material que flutue para o centro, como se fosse um grande redemoinho (também chamado de vórtex).
"Hoje, a ilha de lixo está em águas internacionais, ou seja, em tese, não éde responsabilidade de ninguém. Longe dos olhos da comunidade, ela é como um imenso tapete para baixo do qual empurramos as sobras de nosso consumo, sem falar nos danos que já causa ao meio ambiente".
De acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas, o plástico constitui mais de 70% de todo o lixo flutuante nos oceanos. O estudo avalia, ainda, que cada metro quadrado de oceano contenha mais de 45 mil pedaços de plástico, que acaba funcionando como uma imensa esponja química, concentradora de poluentes. Assim, ao ingerirem pequenos pedaços deplástico, as aves, peixes e mamíferos marinhos absorvem esses resíduos tóxicos, muitos deles cancerígenos.
ORIGEM E DESTINO
Estima-se que um quinto do lixo tenha como origem os navios e as plataformas petrolíferas. Mas a maioria vem mesmo do continente. Uma parte dela, aliás, pode ser encontrada nas praias do Planeta, inclusive aqui na Baixada Santista (veja texto `Lágrimas de sereias').
Na Península Ibérica, por exemplo, dados da campanha 2006/2007 do programa Coastwatch Portugal revelaram a existência de mais de 100 mil resíduos em 350 km de costa. Já outro estudo, feito pela ONU, aponta o Mar Mediterrâneo, nas zonas próximas das costas de Espanha, França e Itália, como a região do Planeta com mais detritos no fundo do mar: 1.935 unidades por quilômetro quadrado.
Na Nova Zelândia, por exemplo, foram verificados depósitos com mais de 100mil fragmentos plástico por metro linear de praia. No litoral da Bahia, um monitoramento indicou a presença de embalagens plásticas oriundas de mais de 60 países, principalmente dos Estados Unidos, Itália e África do Sul.
Segunda-Feira, 17 de Agosto de 2009, 09:18
Lágrimas de sereias nas praias da Região
Da Redação
Antes de atingir o oceano e seguir flutuando até formar as chamadas `ilhasde lixo', os detritos, principalmente plástico, têm como destino às praias.
Aqui mesmo no Litoral paulista é possível encontrar esse tipo de resíduo. Se você olhar atentamente, vai perceber a presença de pequenas bolinhas nas areias das praias de Santos, por exemplo. Elas podem ser brancas, meio amareladas ou mesmo coloridas, tendo entre um e cinco milímetros de diâmetro. Se você já viu essas bolinhas, saiba que elas estão espalhadas pelos oceanos do Planeta, não são naturais e recebem vários nomes: pellets, nibs ou, mais poeticamente,`lagrimas de sereias'.
O que são? Nada mais, nada menos do que resina sintética, em geral polipropileno ou polietileno. É dessa forma, em pellets (bolinhas ou grânulos, em inglês) que a matéria-prima dos produtos plásticos é fabricadanas indústrias químicas. Separados em mais de 40 diferentes tipos, esses grãos são então transportados pelo mundo inteiro.
Quando chegam às fábricas, eles são colocados em máquinas que darão o formato final desejado, tais como copinhos, garrafas, baldes, mamadeiras, isolantes de fiação, réguas, canetas, bolas, seringas, bonecas, enfim, milhares de produtos presentes no nosso cotidiano--um processo que cresceu vertiginosamente a partir do final da 2ª Guerra Mundial, quando os polímeros começaram a ser produzidos em larga escala, provocando uma profunda mudança no cotidiano da humanidade.
SANTOS É ESCOLHIDA
Hoje, os minúsculos pellets são um problema mundial, com vários estudos publicados, principalmente no Japão, Estados Unidos e Europa.
No Brasil, onde há apenas registros esporádicos, cientistas da Universidadede São Paulo (USP) iniciaram no ano passado o primeiro levantamento sistemático desses resíduos nas areias das praias da região.
Em Santos, Cidade escolhida como base para o início da pesquisa, as primeiras coletas indicaram a presença de até 20 mil pellets por metro cúbico de areia em determinados trechos da orla. O número pode impressionar, mas, por enquanto, não há como comparar com outras regiões. "Isso só será possível a partir do final deste ano e ao longo de 2010. Até lá, nosso trabalho tem como objetivo refinar o método de coleta na areia", afirma Alexander Turra, do Instituto de Oceanográfico da USP (IOUSP), coordenador do estudo.
SOLUÇÕES
Essa primeira fase do trabalho, que conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), ficará restrita à Baixada Santista. Em seguida, será expandida para todas as praias do Estado, cuja previsão é estar concluída em 2011, com apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Só então, avalia Turra, será possível saber a real distribuição deste micro lixo em todo o Litoral paulista, inclusive identificando as áreas mais impactadas.
"A partir daí, nosso objetivo é conversar com todos os agentes envolvidos e buscar soluções. Hoje, em princípio, é praticamente impossível pensar em recolhê-los das praias. O ideal seria identificar as fontes de origem e agirconjuntamente para minimizar a dispersão dos pellets".
Segunda-Feira, 17 de Agosto de 2009, 09:22
Dez bilhões podem chegar à zona costeira
Da Redação
A pesquisa do IOUSP é a primeira do gênero a ser feita no País com o intuito de mapear e classificar os tipos de resíduos plásticos nas praias.
Outros cientistas, como o oceanógrafo, Frederico Pereira Brandini, da Universidade Federal do Paraná, já haviam, porém, alertado para o problema. Segundo ele, um relatório da agência ambiental norte-americana revelou que os pellets já estão presentes nas areias das praias de todos os oceanos, sem exceção.
"Vamos supor que haja uma perda mínima, irrisória, de 0,001% dessa matéria durante o transporte terrestre e marítimo. Isso representa 10 bilhões de pellets que podem chegar à zona costeira. Mesmo que minhas estimativas sejam exageradas, e que o número seja muito menor, esses resíduos duram de 1 a mais de 10 anos no mar. E é aí que vem o pior", afirma Brandini.No mar, os resíduos plásticos podem ser quase que imperceptíveis ao olho humano, mas são facilmente detectadas pelos animais, como tartarugas, peixes e aves, que as confundem com comida boiando.
"Pesquisas indicam que pelo menos 80 espécies de aves marinhas as ingerem, principalmente o grupo que inclui os albatrozes e petréis. Estudos indicam que eles podem permanecer no trato digestivo das aves entre 10 a 15 meses, ocupando espaço, diminuindo a eficiência alimentar e a absorção de nutrientes, causando enfraquecimento e morte", explica.
A pesquisadora santista Tatiana Neves, coordenado do Projeto Albatroz, confirma o depoimento de Brandini. "Temos não só vários relatos desse tipo de ocorrência como a constatação dessas substâncias nos estômagos e moelas de aves já analisadas".
Esses resíduos seriam a causa da morte de mais de um milhão de aves marinhas todos os anos, bem como de mais de cem mil mamíferos marinhos. Há seis anos, uma baleia Minke foi encontrada morta na Normandia, no norte da França, com 800 quilos de sacolas plásticas no estômago.
Segundo Alexander Turra, para os seres humanos os pellets ou nibs podem causar sérios problemas de saúde se ingeridos. "Eles têm a característica de absorventes, ou seja, se passarem, por exemplo, por uma mancha de óleo, irão agregar partes dessas substâncias a suas superfícies".

Restos de plástico no oceano liberam substâncias tóxicas aos animais‏


Nova ameaça

20 de agosto de 2009

Cientistas identificaram uma nova forma de poluição química causada pelas milhões de toneladas de plástico flutuando nos oceanos do mundo. Segundo o estudo, divulgado na quarta-feira (19), durante o encontro da Sociedade Americana de Química, e liderado por Katsuhiko Saido, da Universidade Nihon, no Japão, enquanto o plástico no mar se decompõe, cria substâncias tóxicas não naturais que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento de animais marinhos, além de serem tóxicas para seres humanos.

Até essa pesquisa, a ideia mais aceita era a de que o lixo plástico era estável e que sua principal ameaça aos animais derivava de problemas deasfixia e estrangulamento causados em criaturas que comessem ou se prendessem nos detritos - além de ser uma poluição desagradável à vista. A ideia geral sempre foi a de que plástico demorava anos para se degradar.

Saido, entretanto, afirma que materiais plásticos se decompõem rapidamente quando expostos às condições e temperaturas do mar aberto.

Mas isso não é uma boa notícia: decompostos, esses materiais se dissolvem em químicos tóxicos que podem facilmente se espalhar pelo ambiente marinho, como o bisphenol A - causa de problemas no sistema hormonal de animais - e as substâncias conhecidas como oligômeros à base de poliestireno, que não existem na natureza. Um dos derivados de plástico mais utilizado no mundo, o isopor libera o monômero de estireno, uma substância reconhecidamente cancerígena, além de outros dois químicos derivados do estireno, que, acredita-se, também possam causar câncer.

Existem milhões de toneladas de plástico flutuando nos oceanos, mas o tamanho dessa poluição só tem sido amplamente reconhecida nos últimos anos.

No Pacífico Norte, por exemplo, foi descoberta uma área que parece estar permanentemente coberta por uma camada de lixo flutuante e que tem uma extensão estimada similar à do Estado do Amazonas, o maior Estado brasileiro.

Com informações de


Revista Época e

Expedição parte em busca de 'ilha de lixo' maior que o Texas no Pacífico‏



Uma equipe de cientistas e ambientalistas parte neste final de semana da cidade de San Francisco, nos Estados Unidos, em busca do que alguns chamam de "A Ilha do Lixo" - um redemoinho de lixo no Oceano Pacífico formado por mais de seis milhões de toneladas de plástico.
A "ilha", também chamada de "Mancha de Lixo do Pacífico Norte" flutua à deriva entre a Califórnia, nos Estados Unidos, e o Japão.
O redemoinho foi descoberto em 1997 pelo oceanógrafo Charles Moore. Ele ignorou os alertas de não passar pela região, onde faltam ventos e correntes, e acabou descobrindo o acumulado de lixo.
Durante a viagem, o oceanógrafo encontrou pedaços de garrafas, sacos plásticos, seringas e uma variedade enorme de outros objetos de plástico em vários estados de conservação, já que, devido à ação do sol e dos ventos, o material se desintegra em fragmentos pequenos que flutuam durante anos, obedecendo às correntes marítimas.
O plástico tem origem na atividade no continente, principalmente nas áreas costeiras. O material também chega ao oceano por meio dos rios. Os ventos e as correntes empurram o plástico até o redemoinho no Pacífico Norte.
A desintegração do plástico em partículas microscópicas, algumas infinitamente menores do que um grão de areia, faz com que esta mancha, cujo tamanho é duas vezes maior que a superfície do Estado americano do Texas, seja quase impossível de ser localizada com radares ou tecnologia de satélite.
'Sopa plástica'
Ao sair em busca do redemoinho a equipe de cientistas e ambientalistas do Projeto Kasei desafia fatos como a localização imprecisa e a decisão do que fazer quando finalmente ficarem frente a frente com esta gigantesca coleção de lixo.
A expedição visa estudar a composição desta "sopa plástica" (outro apelido que recebeu a "ilha"), o nível tóxico de seus componentes, seu efeito sobre a vida marinha e seu papel na cadeia alimentar.
O líder do projeto, Doug Woodring, explicou à BBC que o mais difícil será coletar amostras sem capturar espécies marinhas.
"Teremos que utilizar tecnologias diferentes, dependendo do volume de resíduos por quilômetros quadrado. Também contamos com redes de tamanhos diferentes", afirmou.
"A ideia é, primeiro analisar do que se trata e, depois, discutir a melhor maneira de lidar com ela (a "ilha de lixo")", acrescentou Woodring, que acredita que uma alternativa seria "transformar o lixo em diesel combustível".
Apesar de a "ilha" ter sido descoberta há mais de uma década, ninguém até o momento tomou medidas para resolver o problema. Para Woodring, no entanto, este fato não é surpreendente.
"O problema principal é que (a "ilha de lixo") está em águas internacionais. Ninguém passa pelo local, não está nas principais rotas comerciais, não está sob nenhuma jurisdição e o público não sabe de sua existência", afirmou.
"Por isso, nenhum governo é pressionado, nenhuma instituição é pressionada a resolver este problema. É um pouco parecido com o que acontece com o lixo espacial", acrescentou.
Consequências
Apesar de este gigantesco depósito de lixo estar a uma distância relativamente "cômoda", as consequências de sua existência afetam a todos.
Os peixes pequenos, por exemplo, confundem as partículas plásticas com alimentos. Muitos morrem depois de ingerir estes fragmentos, que também agem como esponjas, absorvendo substâncias tóxicas e metais pesados.
Mas, outros peixes sobrevivem e, quando são ingeridos por animais maiores, transformam o plástico em parte da cadeia alimentar.
Dois barcos participam da expedição, o Kaisei e o New Horizon, e eles voltarão à costa dentro de um mês. Quem quiser acompanhar as descobertas realizadas durante a expedição pode acessar a página do projeto na internet.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Marina Silva tem que ser candidta


12/08/2009, 16:37
A candidatura da ex-ministra Marina Silva é o primeiro assunto sério desta eleição presidencial. Ela não resolve as dúvidas sobre o próximo governo. Mas desarruma imediatamente uma campanha que, arrumada como está, só serve para levar o país ao ridículo.

Sem Marina Silva, os governadores José Serra e Aécio Neves poderiam atuar indefinidamente como se disputassem uma vaga nos suplementos dominicais que cobrem com mais conhecimento de causa problemas íntimos de relacionamento ou crises vocacionais. Alguém sabe qual foi a última notícia sobre a plataforma de Aécio Neves, por exemplo? Foi sobre a prancha de surfe que ele acaba de adquirir.

Cara limpa

Com a senadora no páreo, a ministra Dilma Rousseff provavelmente mudará de estilo, o que levaria todo mundo nesta história a ser mais sério. Marina Silva, de cara limpa, torna a maquiagem de Dilma Rousseff mais artificial que seu currículo, onde seus graus de mestranda, doutoranda e candidata à presidência da República saíram todos da mesma usina palciana de factóides, que oficializou a técnica marqueteira do “se colar, colou”.

A senadora, ao contrário, tem um currículo que só fez encolher nos cinco anos e meio que ela passou no ministério do Meio Ambiente, trabalhando com um presidente que considera toda conversa de Meio Ambiente uma grande besteira – e como de besteira ninguém entende mais do que ele, sua política ambiental começa e acaba na mais vulgar conversa fiada.

Sob inspiração do chefe e guia iluminado, o resto da equipe aprendeu a tratar o ministério do Meio Ambiente com amigável indiferença ou, no caso da ministra Dilma Rousseff, com franca hostilidade. Marina Silva errou bastante, e não foi só por ficar no cargo mais tempo do que deveria. Ela apostou demais em reservas extrativistas e assentamentos sustentáveis, que fariam sentido na Agricultura ou ou em qualquer programa social do governo. Mas, não no ministério do Meio Ambiente, onde promoveram a troca do essencial pelo acessório e condenaram os parques nacionais à penúria.

Na equipe de Lula, ela acabou se prestando ao papel de disfarçar os consideráveis danos ambientais cometidos soberanamente aqui dentro para uma opinião pública internacional que, lá fora, continuou ouvindo até o fim que Marina Silva era “a mulher que pode salvar a Amazônia” – como publicou no ano passado, pouco antes de sua demissão, o jornal inglês The Guardian. Nesse papel, ele serviu à leviandade ambiental do governo como disfarce e escudo.

Direito de escolha

Marina Silva recuou muitas vezes, vezes demais, perdendo internamente embates decisivos, sobretudo com a ministra das Minas e Energia e, depois, da Casa Civil. Ou seja, Dilma Rousseff, que finalmente está sendo desafiada a enfrentá-la a céu aberto, como adversária explícita.

Apesar de seus equívocos políticos e administrativos, a senadora entrou no governo Lula e saiu do outro sem deixar de ser o que sempre foi. Atravessou todas as encruzilhadas e armadilhas do caminho em linha reta. E esse é um trunfo cada vez mais raro na órbita do presidente, que geralmente desmoraliza indiferentemente vencedores e vencidos que cruzam sua trajetória de sucesso estritamente pessoal.

Contra o currículo falsificado de Dilma Rousseff, o que Marina Silva tem de inigualável é a biografia. E sua biografia tem tudo a ganhar agora com a candidatura presidencial, exceto – como tudo indica – a presidência da República. Concorrendo, ela repararia o prejuízo que causou a si mesma, domesticando as ongs ambientalistas através de contratos para prestar serviços ao ministério. Oficializando-as, silenciou-as. E caladas elas assistiram à sua queda, na hora em que a ministra se demitiu.

Quem está no governo sempre acha que a vida continua a mesma. Mas, com sua campanha nas ruas, Marina Silva daria às ongs aliadas uma oportunidade para sair dos gabinetes, aprendendo o caminho de volta aos protestos e à oposição. Ou melhor, abjurando o governismo que ultimamente as amordaça e imobiliza.

Mostraria de quebra que, de onde menos se espera – o Senado, reduzido na era Lula a uma inutilidade perdulária – ainda pode sair uma supresa limpa e inatacável. E isso, nas circunstâncias, por si só despolui um pouco a democracia brasileira. Provaria além do mais que, mesmo com 80% de aprovação, um governo pode ter outro lado sim, e que este outro lado pode estar lá dentro.

Sobretudo, ofereceria aos brasileiros uma chance que parecia perdida de antemão para ouvirem pela primeira vez em eleição nacional candidatos discutindo, mas discutindo mesmo, queiram ou não, uma política para o país de meio ambiente – porque sem política de meio ambiente não há mais governo no mundo que tire um povo do atraso, da corrupção e da miséria mais aboluta, a que vem da perda dos requisitos básicos de qualquer existência.

Em resumo: Marina Silva é o que faltava nesta eleição para o Brasil escolher outro presidente. Seja quem for esse outro presidente.


Carta da Marina Silva comunicando saída do PT‏

Brasília, 19 de agosto de 2009
Caro companheiro Ricardo Berzoini,
Tornou-se pública nas últimas semanas, tendo sido objeto de conversa fraterna entre nós, a reflexão política em que me encontro há algum tempo e que passou a exigir de mim definições, diante do convite do Partido Verde para uma construção programática capaz de apresentar ao Brasil um projeto nacional que expresse os conhecimentos, experiências e propostas voltados para um modelo de desenvolvimento em cujo cerne esteja a sustentabilidade ambiental, social e econômica.
O que antes era tratado em pequeno círculo de familiares, amigos e companheiros de trajetória política, foi muito ampliado pelo diálogo com lideranças e militantes do Partido dos Trabalhadores, a cujos argumentos e questionamentos me expus com lealdade e atenção. Não foi para mim um processo fácil. Ao contrário, foi intenso, profundamente marcado pela emoção e pela vinda à tona de cada momento significativo de uma trajetória de quase trinta anos, na qual ajudei a construir o sonho de um Brasil democrático, com justiça e inclusão social, com indubitáveis avanços materializados na eleição do Presidente Lula, em 2002.
Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores. É uma decisão que exigiu de mim coragem para sair daquela que foi até agora a minha casa política e pela qual tenho tanto respeito, mas estou certa de que o faço numa inflexão necessária à coerência com o que acredito ser necessário alcançar como novo patamar de conquistas para os brasileiros e para a humanidade. Tenho certeza de que enfrentarei muitas dificuldades, mas a busca do novo, mesmo quando cercada de cuidados para não desconstituir os avanços a duras penas alcançados, nunca é isenta de riscos.Tenho a firme convicção de que essa decisão vai ao encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida.
Tive a honra de ser ministra do Meio Ambiente do governo Lula e participei de importantes conquistas, das quais poderia citar, a título de exemplo, a queda do desmatamento na Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental, a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro. Entendo, porém, que faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica, ou seja, de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do conjunto das políticas públicas.É evidente que a resistência a essa mudança de enfoque não é exclusiva de governos. Ela está presente nos partidos políticos em geral e em vários setores da sociedade, que reagem a sair de suas práticas insustentáveis e pressionam as estruturas públicas para mantê-las.
Uma parte das pessoas com quem dialoguei nas últimas semanas perguntou-me por que não continuar fazendo esse embate dentro do PT. E chego à conclusão de que, após 30 anos de luta socioambiental no Brasil – com importantes experiências em curso, que deveriam ganhar escala nacional, provindas de governos locais e estaduais, agências federais, academia, movimentos sociais, empresas, comunidades locais e as organizações não-governamentais – é o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o País. Assim como vem sendo feito pelo próprio Partido dos Trabalhadores, desde sua origem, no que diz respeito à defesa da democracia com participação popular, da justiça social e dos direitos humanos.
Finalmente, agradeço a forma acolhedora e respeitosa com que me ouviu, estendendo a mesma gratidão a todos os militantes e dirigentes com quem dialoguei nesse período, particularmente a Aloizio Mercadante e a meus companheiros da bancada do Senado, que sempre me acolheram em todos esses momentos. E, de modo muito especial, quero me referir aos companheiros do Acre, de quem não me despedi, porque acredito firmemente que temos uma parceria indestrutível, acima de filiações partidárias. Não fiz nenhum movimento para que outros me acompanhassem na saída do PT, respeitando o espaço de exercício da cidadania política de cada militante. Não estou negando os imprescindíveis frutos das searas já plantadas, estou apenas me dispondo a continuar as semeaduras em outras searas.
Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos.
Saudações fraternas,
Marina Silva

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Um mar de doenças

Pesquisas mostram que areias de praias cariocas estão infestadas de microorganismos nocivos a saúde. Há riscos de infecções que podem atingir, olhos, pele, ouvidos e intestinos.
Ronaldo Soares
Língua Negra despeja esgoto na areia. Técnico coleta material para análise.
A beleza das praias do Rio de Janeiro é um dos bens mais preciosos de um vasto patrimônio natural que inspirou relatos extasiados dos primeiros europeus que navegavam ao longo de sua orla, e também, algumas das canções mais conhecidas da música popular brasileira. Apesar disso, o litoral cheio de curvas e emoldurado por montanhas que faz do Rio uma paisagem metropolitana única do mundo tornou-se a síntese de alguns dos mais graves problemas da cidade. Manchas de poluição do mar, favelas de onde descem o lixo e o esgoto, sujeira e assalto aos banhistas são alguns dos sinais da degradação da orla que se pode exergar a olho nu. É na areia, entretanto, que reside o grave problema de saúde pública, este só visível ao microscópio: as praias cariocas transformaram-se em um imenso criadouro de microorganismos causadores de doenças que atacam intestinos, olhos, peles e ouvidos. Pesquisa concluída no mês passado pelo microbiologista João Carlos Tártora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Gama Filho, mostrou alto índice de parasitas intestinais, bactérias e fungos nas praias cariocas. Nas areias do Leblon, por exemplo, o nível de coliformes fecais (que indica contaminação por esgoto) era de 5000 por 100 gramas de areia - o limite aceitável é de 400 coliformes fecais por 100 gramas de areia. Na praia do Leme, a situação é ainda mais assustadora: 88000 coliformes por 100 gramas de areia. "As pessoas só se preocupam com a qualidade da água nas praias. Mas dependendo do lugar, elas podemcorrer mais risco na areia do que na água", diz a bióloga Adriana Sotero do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da FioCruz.
Diversos fatores contribuem para a poluição das areias. Há as línguas negras, rastros de sujeiras observados na areia após chuvas torrenciais que acrregam lixo e esgoto para o mar; o lixo deixado pelos frequentadores que atrai animais transmissores de doenças como ratos e pombos; e o péssimo hábito dos banhistas de levar cachorro para as praias. Um monitoramento feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente mostra que em toda orla da Zona Sul as areias estão infestadas de parasitas que causam verminoses, como bicho geográfico, lombriga, solitária e oxiúro. Eles indicam a presença de feses de animais (como cães e pombos) no ambiente. Atualmente dos dezessete pontos de monitoramento do trecho de 27 quilômetros que vai do Lema até a Barra da Tijuca, em apenas três locais analisados a secretaria não faz restrições ao uso da areia. Nos demais, recomenda-se uma série de precausões, como não sentar sem antes forrar o chão com esteiras ou cangas, andar de chinelo e evitar que crianças levem à boca a mão suja de areia.
Para se desenvolver os microrganismos que infestam a praia precisam de ambiente úmido, longe do sal e de altas temperaturas. A forma mais eficiente de combatê-los é revirar a areia. Com a areação do ambiente e a exposição ao sol, os microrganismos não sobrevivem. Este trabalho é feito diariamente nas praias do Rio, por meio de varrição da areia ou com a ajuda de máquinas específicas para esse tipo de limpeza. Mas como persistem as línguas negras, o despejo de esgoto, os cachorros na praia e o lixo jogado no chão, a imundice continua ameaçando a saúde dos banhistas. Durante o verão, são recolhidas2600 toneladas de lixo por mês nas praias cariocas.
Num cenários desses, não é de estranhar que o Brasil não tenha nenhum representante entre as 3200 praias mais bem cuidadas do mundo. Elas fazem parte do programa Bandeira Azul, certificado de qualidade concedido anualmente por uma ONG que atua em mais de 50 países. A entidade analisa as condições dos balneários a partir de uma lista de 29 itens. Nas exigências quanto à saúde dos banhistas as normas são mais rigorosas que no Brasil. Pela qualificação da entidade, praias consideradas próprias para banho podem ter no máximo 100 unidades de bactéria causadora de diarreias (E.coli) a cada 100 mililitros de água. No Brasil, a tolerância a esse tipo de contaminação é oito vezes superior. Na lista das praias certificadas há países pobres ou em desenvolvimento como a República Dominicana, Marrocos, África do Sul e Tunísia. A África do Sul por exemplo, investiu em melhorias no saneamento básico e realizou campanhas de conscientização ambiental em áreas costeiras para ter 19 praias na lista das melhores do mundo. "Isso mostra que não é questão de ser desenvolvido ou ter muito dinheiro para melhorar as condições das praias", diz Marinez Scherer, coordenadora do Bandeira Azul no Brasil. Neste ano, cinco praias brasileiras tentarão obter o certificado da entidade. Nenhuma carioca.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

MARINA PRESIDENTE: POR BRASIL MAIS VERDE‏

"Eu vou tirar esse fim de semana e o início da próxima semana para tomar minhas decisões. Já terminei o ciclo de conversas com várias pessoas e estou na fase final desse amadurecimento. Não coloquei prazo nem dia, mas não quero transformar isso numa novela", disse aos jornalistas, depois de participar de um evento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais SemTerra).
A ex-ministra do Meio Ambiente afirmou que sua decisão, no momento, está restrita a saída ou permanência no PT.
"O PV me fez um convite honroso para integrar o partido, mas deixei claro que não vou condicioná-lo a pesquisa sou a candidatura, a priori. O PV está propondo uma discussão programática decolocar a questão do desenvolvimento sustentável em seu programa e isso me levou a fazer essa reflexão. Ninguém sai de um partido para ser candidato".
Quando os jornalistas insistiram em saber qual seu posicionamento sobre uma eventual candidatura à presidência, Marina Silva deu indícios do que podevir a ser sua decisão.
"É algo que faz parte de um processo, mas não pode ser colocado a priori. Primeiro tem que ter ideias, projetos, programas e aí desdobramentos para que as coisas aconteçam.
No Brasil nós temos 30 anos de lutas pela questão ambiental; está na hora de transformar essas boas ideias e boas experiências em políticas amplas que tenham a escala da magnitude do país".
Questionada sobre a preocupação que o Planalto teria a respeito dos votos que a senadora poderia tirar da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Marina ponderou que voto não tem dono.
"A luta ambiental não atrapalha ninguém. Não existe voto a ser dividido. O voto é do cidadão. O voto está livre para ser dado para quem o cidadão entende que quer dar".
Discurso com poema
Ao falar sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável para uma plateia formada por integrantes do MST que participam do Acampamento Nacional pela Reforma Agrária, a ex-ministra destacou que a crise econômica não será resolvida sem que o problema ambiental seja sanado.
"Muitos não entendem quando se diz que a crise ambiental, que é mais grave, também precisa de recursos e tecnologia. A prioridade não é para a crise ambiental, mas a crise econômica não se resolverá sem que se solucione a crise ambiental", disse Marina Silva, acrescentando que para os pobres do mundo todo, a crise econômica já existia.
"A diferença é que agora a crise atingiu quem nunca tinha atingido. Quando ela atingia só os que não têm, os que não podem, ninguém falava em crise".
A senadora voltou a citar o sociólogo francês Edgar Morin ao dizer que "a mudança, no começo, é apenas um desvio".
"Temos que ficar atentos para ver qual desvio queremos deixar prosperar".
Defendeu ainda a "distribuição equitativa" dos frutos do crescimento, para que se transformem em saúde e educação.
Encerrou sua fala com um poema de sua autoria, que declamou de pé. No poema, ela se compara ao arco e à flecha e diz que, quando é flecha, age impulsionada por boas ideias. Quando é o arco, seu trabalho é empurrar a flecha para o alvo.
Ilustrou essa metáfora com seu trabalho no Congresso e a carta aberta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendendo veto a alguns artigos da MP 458, que regulariza terras na Amazônia Legal.
No fim da apresentação, foi aplaudida de pé. Depois, tirou foto com integrantes do MST. Mas negou que o evento tenha tido um tom de campanha eleitoral. "Não, não. Em todos os lugares que vou as pessoas me tratam com muito carinho. É uma demonstração de respeito pela causa. Isso mostra o compromisso com a luta ambiental

Uma Silva sucessora de um Silva?

Por Leonardo Boff
Não estou ligado a nenhum partido, pois para mim partido é parte. Eu como intelectual me interesso pelo todo embora, concretamente, saiba que o todo passa pela parte. Tal posição me confere a iberdade de emitir opiniões pessoais e descompromissadas com os partidos.
De forma antecipada se lançou a disputa: Quem será o sucessor do carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
De antemão afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder. Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político e isso parece ser sem retorno. Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas. Mas introduziu uma transição de um estado privatista e neoliberal para um governo republicano e social que confere centralidade à coisa pública (res publica), o que tem beneficiado vários milhões de pessoas. Tarefa primeira de um governante é cuidar da vida de seu povo e isso Lula o fez sem nunca trair suas origens de sobrevivente da grande tribulação brasileira.
Depois de oito anos de governo se lança a questão que seguramente interessa à cidadania e não só ao PT: quem será seu sucessor? Para responder a esta questão precisamos ganhar altura e dar-nos conta das mudanças ocorridas no Brasil e no mundo. Em oito anos muta coisa mudou. O PT foi submetido a duras provas e importa reconhecer que nem sempre esteve à altura do momento e às bases que o sustentam. Estamos ainda esperando uma vigorosa auto crítica interna a propósito de presumido “mensalação”. Nós cidadãos não perdoamos esta falta de transparência e de coragem cívica e ética.
Em grande parte, o PT virou um partido eleitoreiro, interessado em ganhar eleições em todos os níveis. Para isso se obrigou a fazer coligações muito questionáveis, em alguns casos, com a parte mais podre dos partidos, em nome da governabilidade que, não raro, se colocou acima da ética e dos propósitos fundadores do PT.
Há uma ilusão que o PT deve romper: imaginar-se a realização do sonho e da utopia do povo brasileiro. Seria rebaixar o povo, pois este não se contenta com pequenos sonhos e utopias de horizonte tacanho. Eu que circulo, em função de meu trabalho, pelas bases da sociedade vejo que se esvaziou a discussão sobre “que Brasil queremos”, discussão que animou por decênios o imaginário popular. Houve uma inegável despolitização em razão de o PT ter ocupado o poder. Fez o que pôde quando podia ter feito mais, especialmentecom referência à reforma agrária e a inclusão estratégica (e não meramentepontual) da ecologia.
Quer dizer, o sucessor não pode se contentar de fazer mais do mesmo. Importa introduzir mudanças. E a grande mudança na realidade e na consciência da humanidade é o fato de que a Terra já mudou. A roda do aquecimento global não pode mais ser parada, apenas retardada em sua velocidade. A partir de 23 de setembro de 2008 sabemos que a Terra como conjunto de ecosissitemascom seus recursos e serviços já se tornou insustentável porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já passsou em 40% de sua capacidade de reposição.
Esta conjuntura que, se não for tomada a sério, pode levar nos próximos decênios a uma tragédia ecológico humanitária de proporções inimagináveis e, até pelo final do século, ao desaparecimento da espécie humana. Cabe reconhecer que o PT não incorporou a dimensão ecológica no cerne de seu projeto político. E o Brasil será decisivo para o equilíbrio do planeta e para o futuro da vida.
Qual é a pessoa com carisma, com base popular, ligada aos fundamentos do PTe que se fez ícone da causa ecológica? É uma mulher, seringueira, da Igreja da libertação, amazônica. Ela também é uma Silva como Lula. Seu nome é Marina Osmarina Silva.
Leonardo Boff é autor do livro Que Brasil queremos? Vozes 2000.

sábado, 15 de agosto de 2009

Terminal Pesqueiro na Ilha, NÃO!!

Praia da Ribeira - Ilha do Governador Vistantes da Ribeira, já foram mais frequentes

Faço parte de um movimento popular intitulado "Xô, Terminal Pesqueiro", que é contrário à instalação de um terminal industrial de pesca no bairro onde moro na Ilha do Governador, a Ribeira – Rio de Janeiro (RJ).
Já foi desapropriada uma área de 20 mil metros quadrados para a construção do terminal, desalojando diversas empresas e seus empregados.
Até o momento, a área está vazia, com apenas uma ou duas empresas que ainda resistem ao despejo e umas cinco residências, cujos moradores também resistem em deixar o local.
O Ministério da Pesca não divulgou seu projeto para o local, mas, anteriormente, havia desapropriado uma outra área, de 80 mil metros quadrados (quatro vezes maior), no Caju, para a construção do referido terminal. Entretanto, devido a resistências de um estaleiro vizinho, desistiu de construir o terminal no Caju e resolveu erguê-lo logo num dos mais bucólicos e residenciais bairros da Ilha do Governador, a Ribeira, que fica em uma das extremidades do bairro (ou seja: para se chegar até a Ribeira, é necessário atravessar mais da metade do bairro).
A Casa do Índio (que fornece, há 40 anos, hospedagem e assistência a indígenas de todo o Brasil que vêm ao Rio fazer tratamentos médicos), vizinha ao local onde querem construir o terminal, está ameaçada de também ser desapropriada, bem como outras residências e estabelecimentos comerciais, pois os 20 mil metros quadrados já desapropriados não satisfazem ao megalômano projeto.
Existe uma resolução do CONAMA que proíbe a existência de um terminal de pesca num raio de 20 quilômetros de um aeroporto - e o Galeão/Tom Jobim encontra-se nessa situação. Isso porque a manipulação de toneladas de pescado atrai muitos pássaros, o que é uma ameaça real à navegação aérea. E, nesse particular, gostaríamos de lembrar que, caso a turbina de um dos aviões sugue uma dessas aves e a aeronave venha a cair, seremos nós, moradores da Ilha do Governador, que estaremos no solo, recebendo o impacto do desastre.
Além disso tudo numa área contígua à Ribeira existe A APARU do Jequiá, que abrange um manguezal, remanescentes da Mata Atlântica, sítios arqueológicos (sambaquis) e uma colônia de pesca. Essa Unidade de Conservação foi tema da minha monografia na especialização em Educação Ambiental e hoje passa por um momento crítico, necessitando de cuidados especiais para sua manutenção. O Manguezal do Jequiá seria extremamente afetado pela construção do terminal pesqueiro.

O círculo maior é a área aproximada da APARU do Jequiá, o outro círculo bem próximo deste é a área onde está sendo preparada para receber o entreposto pesqueiro e o círculo menor da direita é onde eu moro.

Outro grande problema que enfrentaríamos é o grande fluxo de trânsito. As ruas já congestionadas da Ilha do Governador não comportariam mais um fluxo diário de cerca de 400 caminhões, 24 horas por dia, e nossas famílias temem o aparecimento de um ponto de prostituição junto ao gigantesco estacionamento de caminhões que viria a ser construído, como, infelizmente, é normal em locais de grande concentração de caminhoneiros e terminais portuários.
Em entrevista a um jornal local o então Superintendente do Aeroporto Tom Jobim declara-se contrário à construção desse entreposto indesejado - e que o Ministério da Pesca, ao arrepio da lei, deseja nos enfiar goela abaixo.
Em tempo: estamos coletando assinaturas para um abaixo-assinado contra o terminal, a ser enviado a todas as autoridades federais, estaduais e municipais. No dia 29 próximo estaremos promovendo um abraço cultural na praça da Ribeira na qual contaremos com a presença de diversos artistas do bairro.
Estamos também organizando para meados de setembro (12 ou 19) uma carreata/bicicletada/passeata em torno da Ilha para mobilizar a população para a importância da união de todos contra esse entreposto em nosso bairro. A Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual aceitou nossa denúncia e abriu um processo investigatório a respeito.
Em vista do exposto, estou convidando a todos que nos apóiem nessa luta e compartilhem conosco desse protesto.
As assinaturas estão sendo coletadas todos os sábados na praça da Ribeira, junto a feira semanal.

Obrigada,

Teresinha Victorino

Ativos ambientais terão novo cálculo‏

De maneira inédita no País, uma iniciativa do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) deve normatizar o envolvimento de empresas com questões ambientais. Preparada por oito meses pelo Grupo de Estudos de Informações de Natureza Ambiental, uma norma de contabilidade socioambiental foi apresentada no fim de julho, no Rio, durante o 1º Congresso Internacional de Contabilidade Socioambiental. Agora, passa por audiência pública e deve entrar em vigor a partir de 2010.
O documento estabelece diretrizes para uma empresa adaptar sua área contábil. As principais indicações referem-se ao reconhecimento de ativos e passivos ambientais. Sugere a criação de contas para calcular, por exemplo, quanto se gasta com equipamentos que gerenciam impactos ao ambiente, como uma estação de tratamento de efluentes, ou multas e indenizações por dano ambiental.
Uma das pesquisadoras envolvidas no projeto, Maísa Ribeiro defende que investimentos ambientais sejam separados. "Esperamos que sejam criadas
linhas específicas de contabilidade ambiental", diz ela, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP em Ribeirão Preto. "Quando as empresas começam a publicar essas informações, podemos avaliar o nível de responsabilidade ambiental de cada uma.
"Segundo ela, a divulgação de balanços socioambientais pelas empresas é escassa. Mas, no meio acadêmico, o Brasil registra produções sobre o assunto desde o início dos anos 1990.
Como exemplo da forma com que a preocupação ambiental interage com a atividade econômica de uma empresa, Maísa cita o setor sucroalcooleiro. "O bagaço da cana era resíduo há pouco, mas hoje volta na cadeia produtiva para produzir combustível fóssil", diz. "A suinocultura também tem ganhado muitocom créditos de carbono."
Por: Lucas Frasão
Fonte: Manchetes Socioambientais/ Estadao.com.br

Nações ricas arrendam e compram terras em países pobres‏

Cresce a tendência de offshore farming: há países e investidores comprando e arrendando extensas áreas cultiváveis em nações pobres para produzir alimentos. As populações locais só têm a perder, alertam críticos.
Os especialistas já falam de uma verdadeira caça à terra alheia, motivada pelos mais diversos fatores. Arábia Saudita, Japão, China, Coreia, Líbia e Egito são países que precisam importar alimentos, a fim de suprir a demanda interna da população.
Há meses, as autoridades competentes dessas e de outras nações estão negociando a compra ou arrendamento de terra fértil no Brasil, Sudão, Uganda, Camboja e Paquistão, por exemplo, confirmando uma tendência mundial denominada offshore farming.
E não só representantes governamentais, mas também investidores privados, estão à procura de terras cultiváveis, a baixo preço, em todos os continentes, seja para garantir a produção da indústria alimentícia ou para o cultivo de plantas destinadas à produção de biocombustível.
Alemães também
Os empresários alemães também estão nesse barco. A Barnstedt eG e a prefeitura de Uelzen, cidade pequena situada no norte alemão, por exemplo, já compraram terras na Rússia para esse fim. A Agranus AG, sob direção de um ex-executivo da Bayer, arrendou consideráveis extensões de terra na Romênia, Bulgária e na República Tcheca. Já a Prokon GmbH e a Co KG dispõem de mais de 10 mil hectares na Tanzânia, enquanto a empresa Flora Ecopower, de Munique, marca presença na Etiópia.
De acordo com estimativas da ONU, desde 2005, entre 15 e 20 milhões de hectares de terra de países em desenvolvimento foram vendidos ou arrendados por nações mais ricas, extensões que equivalem a nada menos que um quinto das superfícies cultiváveis da Europa. Negócios que acabam, por diversas razões, prejudicando as populaçõoes de regiões carentes, afirma Roman Herre, especialista em reforma agrária da Fian, uma organização internacional de defesa dos direitos humanos.
"A água, um recurso natural cada vez mais escasso, se tornou um bem extremamente estatégico. É evidente que muitas dessas empresas asseguram, através do acesso à terra, também o acesso à água. Há avaliações de especialistas de que haverá, no futuro, uma escassez muito maior de água do que de combustíveis fósseis", observa Herre.
População local: em desvantagem
Hoje, comenta o especialista, a falta de acesso à terra e água já pode ser considerada o maior problema para pequenos produtores rurais. A compra ou arrendamento de grandes áreas por estrangeiros acaba gerando somente poucos empregos para a população local. Muitas vezes - como é o caso dos chineses na África - os países que compram ou arrendam a terra também enviam a mão-de-obra de casa.
Os agricultores locais estão ameaçados de serem expulsos das áreas que até então cultivavam. Esse foi o caso, por exemplo, de Peter Baleke Kayiira, obrigado a fugir, já em 2001, das Forças Armadas na Uganda. Tudo isso porque o governo ugandense havia aceitado que uma empresa alemã que comercializa café usasse a região ao redor de seu povoado para uma plantação.
"Antes de sermos expulsos tudo estava bem, tínhamos nosso sustento garantido e até sobrava parte da produção que vendíamos. Agora isso não é mais possível. Só conseguimos fazer uma refeição por dia, as crianças não podem mais frequentar a escola. Se continuar assim, daqui a pouco seremos escravos", descreve Kayiira.
Parca participação
As negociações que definem as condições de venda ou arrendamento de terra se realizam, na maioria das vezes, sem a participação da população local. Como o que aconteceu em Madagascar, onde o governo caiu no início do ano, depois que veio a público a intenção das autoridades de arrendar metade das zonas cultiváveis do país para um grupo da Coreia do Sul pelo prazo de nada menos que 99 anos.
*A reportagem é de Ulrike Mast-Kirschning e publicada no sítio Deutsche Welle, 12-08-2009.
(Envolverde/Mercado Ético)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O Silêncio dos Indecentes (parte I)
03/08/2009, 12:43
Na esteira dos recentes ataques (físicos, inclusive) que sofri em Santa Catarina com a finalidade expressa de calar minha grande e sempre aberta boca de ambientalista inconformado, houve quem achasse n´O ECO que ela estava era fechada demais; de onde um convite para voltar a escrever regularmente nesse espaço tão privilegiado.
Para comemorar, pensei numa breve trilogia sobre o mais importante legado do reinado do PT e seus penduricalhos no governo federal:
  • a desconstrução ambiental de nosso país, que levará mais de uma geração para ser revertida, se for.

E que melhor lugar para começar a dissecar o legado desastroso dessa gente do que onde ele se origina, ou seja, na sociedade civil mesmo?

Sim, porque a conivência com o que Lulla Roussef (esse eficiente híbrido de ignorância apelativa e calculismo eleitoreiro) e acólitos vêm fazendo para destroçar o patrimônio natural brasileiro - e as estruturas do Estado que deveriam protegê-lo - não é apenas produto dos votos de analfabetos famintos ávidos da Bolsa-Esmola; é também fruto da criminosa conivência da maioria do dito “movimento” ambientalista, que ora se cala indecentemente ante os abusos e absurdos, ora aplaude trivialidades sem conseqüência como ‘grandes feitos’ da política ambiental, ou ainda faz-se cúmplice de intermináveis conferências, reuniões e convescotes oficialescos cuja única função é dar verniz de consulta a políticas equivocadas já pré-cozidas nos palácios brasilienses.

Não é difícil de entender a gênese desse mutismo cúmplice de muitas ONGs com o atual estado de coisas. Começando pelo Rio Grande do Sul, o Partido dos Trabalhadores aprendeu desde cedo que o movimento ambientalista era um aliado conveniente para sua retórica oposicionista, e alianças momentâneas contra projetos ambientalmente impactantes e iniciativas desenvolvimentistas insustentáveis, dos regimes militares a Fernando Henrique Cardoso, encontraram em parlamentares do PT amplo apoio e ressonância. Ao mesmo tempo, lideranças ambientalistas comprometeram-se irremediavelmente com a visão maniqueísta de que partido dito de “esquerda” é mais ecológico que de “direita”, e passaram a militar no PT em paralelo à atuação nas suas ONGs de origem. Presto! Estava criada uma relação incestuosa que perdura até nossos dias.

No Rio Grande do Sul, a histórica e heróica AGAPAN foi tomada de assalto por militantes do PT já em 1984, resultando na eleição de mais de um vereador. A entidade jamais recuperaria sua credibilidade com a sociedade gaúcha depois desse atrelamento, apesar de seguir viva graças a uns poucos abnegados. Do complexo de militância petista que orbitava no entorno da AGAPAN brotariam os primeiros burocratas de governo que gerariam um novo front de cooptação: o amiguismo. No governo estadual de Olívio Dutra, militantes ambientalistas foram postos em cargos diversos dos órgãos ambientais. Por mais interessados e capazes que fossem, porém, esses militantes-feitos-burocratas enfrentariam a mesma síndrome de impotência que hoje assola seus pares federais no governo de Lulla Roussef: ao contrário do que se imaginava, os governos petistas não elevaram os órgãos ambientais do Estado a patamares de profissionalismo, recursos materiais e poderpolítico capazes de assegurar um papel relevante em direção a uma sociedade mais sustentável; antes, aproveitaram a pinçagem de militantes para cargos de governo com a dupla função de debilitar a militância nas ONGs (agora privadas de lideranças expressivas) e impor uma ‘lei do silêncio’ branca através do amiguismo, ou seja, os militantes que sobraram aqui fora se constrangem de meter a boca no governo em que seus amigos e ex-companheiros estão inseridos. Os que seguem criticando, são mal falados nos corredores palacianos e apontados como “intransigentes” pelos “amigos” de outrora. O amiguismo é muito agravado por um aleijão cultural da maioria dos burocratas brasileiros, que é o de achar-se donos do governo e não empregados do povo; assim, passam a escolher a quem responder, preferindo, claro, os “mansinhos” que os freqüentam sem criticar em público.

No governo federal de Lulla Roussef, a desmobilização causada pelo amiguismo e pela absorção de lideranças pela burocracia foi acrescida de um agravante: a criação magistral da miragem de comprometimento ambiental proporcionada por Marina Silva enquanto Ministra. Mais soldada do Partido do que militante ambientalista, ela inflou a simpatia dos ditos “movimentos sociais” e de ambientalistas deslumbrados pelo Ministério do Meio Ambiente através das Conferências Nacionais de Meio Ambiente, um jogo de espelhos no qual se finge que a sociedade participa da formulação das políticas ambientais federais, e o governo finge que presta atenção.

Some-se a isso o fato de que a maioria das grandes ONGs profissionais que atuam em Pindorama, apesar de fazerem muita coisa boa na prática pela conservação, ou têm vínculos internacionais cujos Boards não querem briga direta com um governo terceiro-mundista pra não sofrer represálias políticas ou mesmo perder interlocução, ou vivem de expressivos patrocínios estatais, e se vê que resta muito pouco de independência no movimento ambientalista brasileiro, no geral restrita hoje a bolsões naquelas entidades que, sempre, foram as que fizeram a diferença, aquelas compostas por três, cinco, doze pessoas, reunidas no fundo do quintal de alguém, sem estrutura nem patrocinador, brigando pelo que acreditam e se lixando para as quadrilhas políticas dominantes. É fácil reconhecê-los: se o prefeitinho local odeia seus líderes, há 99% de chance de serem independentes e gente boa.

A situação corrente, em que o governo federal faz campanha explícita e pornográfica contra as leis ambientais e a conservação da Natureza e mata à míngua os órgãos ambientais públicos, o que resta do movimento ambientalista se deixa encantar, às vezes, por microscópicas “vitórias” cuja significância é pífia ante o assalto ambiental que sofre o país. É assim que um dos únicos grandes movimentos recentes por conservação, voltado para a proteção do banco dos Abrolhos, acabou atolado na batalha pela efetivação da Reserva Extrativista do Cassurubá, importante porém mínima frente ao que se precisa para assegurar que a biodiversidade ímpar de Abrolhos não vá de vez pelo ralo. Enquanto participantes da campanha subiram ao palanque de Lulla Roussef para aplaudir a criação (no papel) desta Resex, o inestimável Parque Nacional Marinho dos Abrolhos segue abandonado, miserável, à margem dos festejos oficialescos que resultaramem desmobilização quase total dessa luta.

É sobre esse marco de desmobilização que o ataque ecofágico do imperial regime que vivemos vem tendo sucesso. Disso falaremos mais adiante, mas aqui fica para reflexão inicial essa reflexão que ninguém gosta de encarar no movimento. E sabem do que mais? É bom estar de volta a´O ECO.

José Truda Palazzo Jr. é jardineiro e indignado.

sábado, 8 de agosto de 2009

Brasil lidera uso mundial de agrotóxicos


Sexta-Feira, 07 de Agosto de 2009
Brasil lidera uso mundial de agrotóxicos
O mercado girou US$ 7,12 bilhões e, apesar do avanço, lua de mel entre indústria e produtores deve ser passageira.
Paula Pacheco
O Brasil, segundo estudo da consultoria alemã Kleffmann Group, é o maior mercado de agrotóxicos do mundo. O levantamento foi encomendado pela Associação Nacional de Defesa de Vegetal (Andef), que representa os fabricantes, e mostra que essa indústria movimentou no ano passado US$ 7,1 bilhões, ante US$ 6,6 bilhões do segundo colocado, os Estados Unidos.
Em 2007, a indústria nacional girou US$ 5,4 bilhões, segundo Lars Schobinger, presidente da Kleffmann Group no Brasil. O consumo cresceu no País, apesar de a área plantada ter encolhido 2% no ano passado.
Apesar do grande volume de recursos movimentados pela indústria no mercado brasileiro, o consumo por hectare ainda é pequeno em relação a outros países. De acordo com o levantamento, o gasto do produtor brasileiro com agrotóxico ainda é pequeno, se comparado a outros países. Em 2007, gastou-se US$ 87,83 por hectare. Na França, os produtores desembolsaram US$ 196,79 por hectare, enquanto no Japão a despesa foi de US$ 851,04. Por esse motivo, o presidente da consultoria acredita que a tendência nos próximos anos é que o Brasil se estabilize na primeira colocação no consumo de agrotóxico.
O Brasil leva vantagem na pesquisa por se tratar de um país com grande área cultivada e também pelo tamanho da produção que sai do campo. "O País é o grande produtor de alimentos do mundo, lidera praticamente em todos os produtos agropecuários", comenta Ademar Silva, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).
Para Schobinger, o aumento do consumo de agrotóxico traz vantagens ao País. "Dessa forma, é possível aumentar o ganho de produtividade. O uso desses produtos facilita o controle de pragas a que estamos mais expostos por sermos um país tropical", explica.
NOVAS PRAGAS
Em parte, o aumento do uso de agrotóxico tem a ver com o surgimento de pragas. Até seis anos atrás, cita o executivo da Kleffmann, não se falava, no Brasil, da ferrugem da soja. Para combater as pragas, a indústria corre atrás de pesquisas e lança produtos no mercado.
"O aumento tem a ver também com o crescente uso de tecnologias no campo. Quanto mais avançado o sistema produtivo, maior o consumo de agrotóxico. Neste momento é importante fazer um balanço da relação entre risco e benefícios do seu uso", diz Luís Rangel, coordenador de Agrotóxicos do Ministério da Agricultura.
Segundo Schobinger, há evolução não apenas no combate a novas pragas, mas nas diferentes formas de usar o agrotóxico. No Brasil, tem crescido ano a ano a utilização nas sementes, em substituição à pulverização das lavouras, o que costuma causar mais danos aos trabalhadores e ao ambiente.
Apesar do uso crescente de agrotóxicos no País, a relação com os produtores continua difícil, segundo o presidente da Famato. "Os preços só caíram cerca de 30% na safra de verão porque os Estados Unidos, grande mercado para essa indústria, estão em crise e é preciso desovar a produção. Além disso, tivemos duas safras muito ruins por aqui nos últimos anos e a situação do produtor ficou mais delicada", diz Silva.
Ele acredita que a lua de mel deve durar pouco. "Basta o mercado internacional se recuperar para os preços subirem novamente. A indústria tem esse poder. É ela quem faz o preço."Na opinião de Luiz Cláudio Meirelles, gerente geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a liderança brasileira preocupa. "São substâncias tóxicas que são objeto de ação regulatória no mundo. No Brasil, temos dificuldade de ação de controle, falta de recursos humanos e falta de laboratórios, enquanto a velocidade de consumo avança", detalha. Atualmente, há cerca de 450 ativos usados na produção de agrotóxicos registrados na Anvisa e os pedidos para a concessão de mais licenças não param de chegar.
No início da semana, representantes de 64 indústrias asiáticas, a maioria chinesa, se reuniu em São Paulo para conhecer melhor as regras do mercado interno. Foi a terceira edição da feira China-Brazil AgroChemShow.
A segunda maior fabricante de glifosato do mundo, a chinesa Fuhua, planeja mandar para o Brasil 30% das suas exportações a partir do ano que vem, quando espera já ter os registros da Anvisa para três produtos.