segunda-feira, 30 de março de 2009

Marina Silva: A nova tragédia de Santa Catarina


No final de 2008, as imagens da grande tragédia de Santa Catarina impregnaram de dor e perplexidade os olhos e corações de todos os brasileiros. Enchentes acontecem, mas o impacto foi muito maior devido à destruição sistemática do ambiente no Estado, campeão nacional de desmatamento dos remanescentes da mata atlântica na última década.

Agora, mais precisamente amanhã, nova tragédia ameaça Santa Catarina e o Brasil. Desta vez ela é política. A Assembleia Legislativa votará, em meio a um megaesquema de propaganda agressiva contra os ambientalistas, projeto de lei que inacreditavelmente pretende, entre outros absurdos, reduzir a faixa de proteção das matas ciliares, nas margens dos cursos d"água, de 30 para apenas 5 metros!

Desde 2001 há iniciativas para elaborar um código ambiental estadual. Em 2006, entidades do setor produtivo recomendaram que ele se fundamentasse na "estrutura fundiária do Estado e em suas peculiaridades regionais". O que isso queria dizer vê-se agora.

Ao longo de 2007, debates coordenados pelo órgão ambiental estadual (Fatma) resultaram em proposta encaminhada à Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e entregue solenemente ao governador em março de 2008. Desde então, governo e membros da Assembleia desfiguraram de tal modo o texto que ele pode ser chamado de Código Antiambiental.

Retira competências e responsabilidades dos órgãos estaduais na proteção ambiental, reduz áreas protegidas e atenta contra a Constituição e a legislação federal, numa verdadeira desobediência civil às avessas, em nome de um pretenso desenvolvimento. Bons tempos em que a desobediência civil era praticada em favor da sociedade.

Desse tipo de desenvolvimento já conhecemos os resultados, tanto no nível global quanto no local, como muito bem sabem os catarinenses que perderam suas famílias e casas nas enchentes de 2008.

Aonde querem chegar? Impossível não associar o que acontece em Santa Catarina com as reiteradas tentativas, no Congresso Nacional, de mudança no Código Florestal para flexibilizar normas ambientais. Como a pressão da sociedade e a atenção da mídia nacional têm empatado essas articulações em Brasília, parte-se agora para uma estratégia de minar o código nos Estados, apostando no fato consumado de "leis estaduais" sob encomenda, que desfigurem a legislação federal.

Santa Catarina deu a senha para arrombar a porta. Agora é o momento de saber de que substância é feito o Estado brasileiro.

sábado, 28 de março de 2009

A gota d'água - Violência na escola leva professores a repensarem a profissão - Por Kelly Roncato

Tiros, facadas, socos, pontapés, cadeiradas, ameaças, roubos, furtos, agressão moral. Essas são apenas algumas das formas encontradas por alunos para intimidar professores.
Quem sentiu essa realidade na pele foi Paula*, vice-diretora de uma escola em Curitiba. "No dia 22 de agosto foram disparados seis tiros, dos quais quatro acertaram meu carro do lado em que eu dirigia. Só não fui atingida porque Deus não quis. Tudo porque alguém decidiu que não posso mais ser a vice-diretora da escola em que fui eleita democraticamente."
Paula está afastada temporariamente do trabalho. Ela conta que recebia ameaças desde março. Por isso, sai pouco de casa, está sempre com medo e reluta em mostrar o rosto. O que a deixa mais indignada é o fato de ficar presa em casa enquanto criminosos continuam a planejar suas maldades livres e impunes.
Para ela, é mais fácil afastar a vítima do que prender ou exonerar os culpados. "O que me preocupa é que essas pessoas podem se organizar e prejudicar outros da escola porque provavelmente são pessoas que pertencem ao nosso meio", pondera.
Tráfico
O professor Hélio*, que lecionava numa escola estadual da periferia de Belo Horizonte, foi morto na frente do local onde trabalhava porque desobedeceu o toque de recolher de traficantes da região. De acordo com a Secretaria de Educação do Estado, ações assim aumentaram muito nos últimos anos. Em Minas Gerais, inclusive, alguns traficantes pressionam professores e diretores para aprovarem alunos que façam parte do tráfico, mesmo que eles não tenham alcançado a média necessária para isso.
No Rio de Janeiro, outro professor foi assassinado dentro da escola porque vinha impedindo alunos de venderem maconha nos intervalos das aulas. Para se ter uma idéia da autoconfiança dos traficantes, Miriam Abramovay, secretária executiva do Observatório Ibero-americano de Violência nas Escolas, conta que um diretor precisou abandonar o cargo e mudar de cidade devido a ameaças de morte que ele e a família vinham sofrendo. Tudo porque descobriu, entre seus alunos um traficante que agia dentro da instituição e passou a impedi-lo de fazer suas vendas. O rapaz, irritado com a situação, passou a ameaçar o diretor e a família dele de morte.
A história faz parte do livro Violências nas escolas, maior estudo sobre o tema com foco em educação já realizado na América Latina. A pesquisa foi desenvolvida nas capitais do Pará, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo e Brasília.
Agressão física
No entanto, esse é apenas um dos lados da "violência contra o professor". De acordo com Miriam, na maioria das vezes os problemas encontrados nas escolas referem-se a roubos de dinheiro, celular e riscos no carro do docente. "Essa é a parte de danos materiais. A parte de agressões morais ocorre por meio de coação, discussões e ameaças veladas em tom de avisos", explica.
Ela conta a história de um aluno que disse, próximo a um grupo de educadores, que tinha uma professora ali que queria ter os dentes quebrados. E foi algo parecido que aconteceu com a docente Isabela*, do Espírito Santo. Ela estava no 3° ano do curso do Magistério e precisou substituir uma professora que tinha passado mal. A turma era de adolescentes, do turno da noite. A professora entrou na sala, cumprimentou a classe e começou a fazer a chamada. "Ao falar o nome de um aluno, ele gritou, e eu disse que na sala não havia ninguém surdo. Ele saiu imediatamente e bateu a porta. Eu disse para os que ficaram que precisávamos entender que a escola não é como a nossa casa; lá a gente grita, bate a porta. Tem gente que grita até com a mãe. Mas na escola isso não poderia acontecer", lembra.
Isabela terminou a chamada e continuou a aula. Na hora do intervalo, foi para a frente da instituição conversar com alguns amigos. "Ao atravessar a rua, alguém tocou em meu ombro e perguntou se eu me chamava Isabela. Respondi que sim. Imediatamente me vi no chão. O rapaz deu-me um soco na face. Perdi dois dentes, machuquei o joelho direito e desmaiei. Fui levada ao hospital.
"Segundo a professora, outros alunos tentaram linchar o agressor e o caso foi parar no Fórum. "Frente a frente, quis entender o motivo da agressão. Ele relatou que um dos seus amigos disse-lhe que quando saiu da sala eu falei da mãe dele. Meu aluno acreditou e, por ser extremamente nervoso, filho de pais separados... sobrou para mim! Em frente à promotora, o perdoei. Hoje ele é um pai de família e há pouco tempo me pediu perdão outra vez", relata.
Mocinho ou bandido?
Mas não são só os professores as vítimas da violência. Muitos alunos também são violentados verbalmente pelos mestres em sala de aula. Prova disso é uma história que aconteceu numa escola particular. Um aluno, que estava atrapalhando a aula, foi convidado a se retirar. Ele disse que não iria sair, a professora voltou a fazer o pedido e ouviu do estudante: "Venha me tirar daqui então". Ao que ela respondeu: "Eu não vou sujar as minhas mãos com você!" O garoto foi levado à sala da coordenação pelo inspetor da escola.
Posturas assim ilustram a opinião de Miriam Abramovay, que explica a violência na sala de aula como conseqüência da falta de preparo das instituições para receber um perfil de aluno diferente daquele com o qual se lidava antes da democratização do ensino. "Na escola que se vê hoje há pouco espaço para os alunos colocarem o que pensam. As regras, quando o estudante chega, já estão todas prontas, elas vêm de cima para baixo e cabe ao aluno simplesmente cumprir, sem que lhe seja dado o direito de compreender o que acontece; os motivos daquelas regras. Muitas vezes, a conseqüência é vista por meio de atitudes violentas", acredita.
Para a pesquisadora, os professores que chegam nas escolas para trabalhar hoje não estão preparados para lidar com o público-alvo deles. Por isso, não dão conta. E isso se reflete no contato com o aluno, na forma de tratá-lo. "Quando encontram a indisciplina, os professores tentam botar os indisciplinados para fora da sala, tiram ponto, dão nota baixa. Isso só piora o relacionamento. Os professores até percebem isso, mas não sabem de que outra forma podem agir", alega.
Caso queira fazer uma ponte entre a indisciplina e a realidade de fora das escolas, basta pensar se é possível acabar com a fome matando os famintos ou dar fim à pobreza eliminando os pobres do mundo. Da mesma forma como a resposta a essas duas perguntas é "não", a indisciplina e a violência não poderão terminar com mais violência ou repressão.
Do mandar ao convencer
Por tudo isso, não se pode dizer que a violência do aluno contra o professor é a única que existe. "Aliás, esse é um conceito que precisa ser discutido", reitera Miriam. "O professor, muitas vezes, também agride o aluno. Dizer que o estudante não vai passar de ano se não obedecer. Essa é uma forma de coação que já funcionou, mas, hoje, com a progressão continuada, os alunos perderam o medo de reprovar, e os professores reclamam disso.
"No entanto, a pesquisadora alerta que esses professores reclamam, não pela dificuldade que o aluno vai enfrentar nos anos seguintes e, sim porque perdem uma das armas que se mostrava mais eficiente antigamente. Com essa nova questão, o aluno deixa de ser passivo e começa a reagir. Dessa maneira, também se dá a violência.
Prova disso é uma situação na qual um professor pediu para um aluno sentar no lugar e ouvir a aula, e escutou do garoto: "Aqui você até pode mandar, mas lá fora mando eu, e é bom você se cuidar." Por essas e outras é que Miriam alerta para a necessidade de haver mais respeito nas relações dentro das instituições de ensino. "A primeira dica é o diálogo. Mas é preciso tomar cuidado com a maneira segundo a qual esse diálogo acontece. Dialogar não é colocar regra em cima de regra. Pelo contrário, é discutir, é democratizar. A escola se democratizou porque todos tiveram acesso a ela, mas ainda não é democrática."
Chá de coragem
De acordo com as pesquisas realizadas para a edição do livro Violências nas escolas, é grande a quantidade de professores que deixaram de ir à escola por medo da violência. O que se percebe é que os educadores desanimaram. "Três anos atrás, fiz uma pesquisa e perguntei aos professores se queriam deixar a profissão. Na época, a grande maioria disse que não, hoje eles dizem que sim. Tudo isso porque as relações entre professores e alunos pioraram nos últimos anos", diz Miriam.
Além de piorarem, a impunidade dos agressores existe porque se mantém a chamada "lei do silêncio" dentro das escolas. Os motivos que colaboram para isso são vários: manutenção do nome da instituição longe de escândalos, medo de represálias, descrença na proteção policial, necessidade de manter alunos tranqüilos e pais acreditando na segurança das instituições, entre outras. São sérias também as formas de coação contra os professores.
Olhos fechados
Um dado preocupante é que, quando o assunto é violência contra o professor, o Brasil é praticamente cego. A Fenep - Federação Nacional das Escolas Particulares - não tem dados tabulados a respeito do assunto. O mesmo acontece com os Sindicatos das Escolas Particulares de Ensino e o Sinpro (Sindicato dos professores, órgão estadual). Esse último possui algumas histórias, mas nada tabulado. As delegacias não separam o número de agressões contra professores do número total de agressões no Brasil.
Salvo as pesquisas realizadas pelo Observatório de Violência nas Escolas, em parceria com a Unesco - que não tem dados numéricos referentes apenas aos professores, mas trabalham com o panorama geral da violência nas escolas -, contando a sala de aula, os centros de convivência e o entorno, o País não possui documentos oficiais que analisem a questão. Esse quadro muda quando o foco da pesquisa é o aluno.
Além disso, as pesquisas realizadas pelo observatório só se baseiam na realidade da escola pública. Isso porque as instituições particulares existem no Brasil em menor número.
Outro fator apontado por Miriam Abramovay para a falta desses dados é que o universo das escolas particulares é diferente entre si. "Se formos verificar essas instituições, perceberemos algumas que custam R$200,00, teremos as de R$700,00 e as de R$1.400,00. São públicos muito distintos; é uma parcela muito pequena da população. A amostragem das pesquisas de educação vem da escola pública porque é onde está concentrada a grande massa", finaliza.
*Os nomes dos entrevistados foram trocados para preservar a fonte.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Panorama Sombrio

A ONU prevê que em 2030 quase metade da população mundial vai viver em locais onde conseguir água será um problema. As áreas no planeta secas já teriam dobrado desde 1970 e o cenário deve piorar em ritmo acelerado.
Segundo a Instituição, as mudanças climáticas vão causar secas cada vez mais severas, sendo que apenas na África de 75 a 250 milhões de pessoas devem estar em situação desesperadora em relação à água já em 2020.
Entre os fatores que vão levar ao consumo ainda maior de água estão o crescimento e a mobilidade da população, o aumento no padrão de vida, mudanças nos hábitos alimentares e o crescimento da produção de energia, particularmente de biocombustíveis.
De todo o consumo mundial, 70% é de responsabilidade da agricultura. Caso não sejam tomadas medidas para conter o uso dos recursos hídricos pelo setor agrícola a procura mundial por água vai crescer entre 70% e 90% até 2050.
Ainda segundo um relatório da ONU, a expansão da produção de biocombustíveis também contribuiu para aumentar o consumo de água. A produção de etanol, de acordo com o documento, triplicou entre 2000 e 2007 e pode chegar a 127 bilhões de litros até 2017. O Brasil e os Estados Unidos são os principais produtores, tendo como matrizes, respectivamente, a cana-de-açúcar e o milho.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pais não querem que filhos estudem em tempo integral‏

Contrariando o senso comum, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, não é a falta de vaga nem de professor que emperra o ensino integral: é a baixa adesão das famílias.
Pesquisa da Secretaria da Educação do município mostrou que apenas 27% dos pais permitem que os filhos fiquem o dia inteiro na escola. Para a maioria, as atividades extracurriculares não trazem benefícios e alguns dizem temer que os filhos fiquem muito cansados.
"Os pais entendem que a escola é algo obrigatório, mas há um sentimento também de que educação demais é um problema", constata o secretário da Educação, Jailson de Souza e Silva, geógrafo com militância em trabalhos sociais em favelas do Rio. Ele acredita que famílias pobres precisam ver a educação do mesmo ponto de vista da classe média, como algo essencial para a liberdade individual e a construção de perspectivas.
"Todo pai deseja que o filho seja doutor. Só que desejo é diferente de necessidade. A classe média transformou a escola em necessidade. Desejo é algo que se quer. Necessidade é algo que não se pode deixar de ter. Parece uma diferença sutil, mas é fundamental", define.
A opinião dos pais foi percebida após a prefeitura inaugurar há quatro anos uma expansão do ensino integral usando espaços comunitários. Chamado de Bairro-Escola, o projeto aproveita espaços de igrejas, clubes, quadras esportivas, associações e sedes de organizações não-governamentais para complementar as salas de aula. As atividades são feitas por bolsistas de pedagogia.
Os salões de estudo bíblico de igrejas emprestam o quadro negro para reforço de português e matemática. Auditórios se transformam em teatro e cinema. Piscinas grandes servem para aulas de natação e pequenas abrigam recreações aquáticas.
Mães cadastradas no Bolsa Família ajudam com sugestões baseadas na realidade dos alunos. Com os filhos, fazem cinco refeições na escola, onde as crianças tomam banho e têm lição de higiene. Para ir da escola aos locais das atividades, os alunos caminham pelo bairro, que recebe obras com base na necessidade deles.
Moradores e comerciantes se comprometem a manter as calçadas reformadas, livres de obstáculos. Guardas municipais zelam pelo grupo e motoristas de ônibus se comprometem a reduzir a velocidade. Não é raro vizinhos oferecerem água gelada às crianças.
Resultados aparecem: esses alunos tiveram rendimento 25% superior na última Prova Brasil, avaliação nacional feita pelo Ministério da Educação. "Eles se ocupam, dormem mais cedo, se alimentam melhor e ficam mais dispostos", diz Maria Antônia Goulart, coordenadora do Bairro-Escola.
CONSCIENTIZAÇÃO:
Implementado em 42 unidades, este ano a proposta atingirá as 107 escolas da rede. E a aposta da secretaria para ganhar adesão das famílias será convencê-las de que a escola pode ser a saída para o cotidiano pobre, violento e carente de infraestrutura.
"O conceito é impactar o território a partir da escola", diz o secretário, confiando que, ao notar que o bairro melhora com a escola, os vizinhos passam a vê-la como o caminho para uma vida melhor.
Na última chamada, foram 308 parceiros. Apesar disso, pais não deixam os filhos mais tempo na escola porque temem que fiquem cansados. Alguns duvidam que as atividades - pintar, compor, jogar, ver filme - contribuam com a formação. Outros implicam com a caminhada no bairro. E há os que precisam voltar cedo porque "tem que ajudar em casa".

A força das gotinhas

Os oceanos são a soma dos rios. Os rios, a soma de riachos, córregos e fontes. A cisterna, o poço são a soma de milhares e milhares de gotas. Se as gotas não se somassem não teríamos nem os oceanos, nem as cascatas, nem as fontes e nem os fios d'água perto das grutas.
A força dos rios está na soma das pequenas gotas d'água. A unidade das gotinhas geram a construção de milhares de usinas hidroelétricas. Sem a água, muitas cidades estariam ainda em trevas. Passariam as noites ainda sob a luz das lanternas a gás e dos lampiões a querosene.
São necessários muitos meses de seca e calor exagerado para secar um açude, uma barragem, um lago ou um tanque de água. Mas uma gotinha sozinha sobre uma pedra desaparece em poucos instantes. Por quê? Porque não se uniu, não se agregou, não deu suas mãos, sua colaboração às milhares de outras gotinhas. Por isso se enfraqueceu e o inimigo tragou-a vorazmente. A gota d'água vence os calores do verão somente se estiver unida às milhares de gotas.
Assim somos nós: isolados como gotas d'água, somos fracos, vorazmente engolidos pelos outros, pelas dores, pelas dificuldades. Quando lutamos junto, vencemos as grandes barreiras. Quando damos nossas mãos aos milhares de irmãos vencemos as maiores secas, as tormentas das dificuldades.
Vamos nos unir, com o coração e a alma aos nossos irmãos. Somente na unidade estará o nosso sucesso; e na unidade encontraremos forças suficientes para vencermos os obstáculos.
Um povo unido vence grandes batalhas. Eis o segredo: a comunhão entre nós.
Texto extraído do livro: É tão fácil ser feliz - de Bernardo Cansi

domingo, 22 de março de 2009

Distribuição da água no planeta

Aproximadamente 97% da água do planeta é salgada. Pouco mais de 2% é doce, mas não está disponível à população, pois encontra-se na forma sólida, em geleiras, calotas polares e neves eternas. Sobra menos de 1% - na verdade, cerca de 0,3% apenas - de água potável para o uso, em rios, lagos e reservatórios subterrâneos. Além disso, menos de 1% dessa água doce disponível provém de fontes consideradas renováveis. "O risco da falta de água é um fato. O homem está cada vez mais se concentrando em cidades - 82% da população brasileira vive em áreas urbanas. Isto gera uma demanda excessiva por água", afirma o engenheiro e ambientalista David Zee, professor do Departamento de Oceanografia e Hidrologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
A situação é grave no mundo inteiro (especialmente no Oriente Médio, que conta com pouquíssimos recursos), mas podemos dizer que o Brasil é privilegiado. O país conta com cerca de 12% da concentração mundial de água doce e, segundo a Unesco/ONU, possui o maior volume de água doce renovável, com mais 6.220 bilhões de metros cúbicos a serem aproveitados. Embaixo do solo brasileiro encontra-se 97% da água potável subterrânea em estado líquido do planeta. "O Brasil é uma das grandes reservas hídricas do mundo, mas a maior parte da água potável está no Norte e no Nordeste, enquanto a população se concentra nas regiões Sul e Sudeste do país. A demanda é desproporcional", compara David Zee.

sábado, 21 de março de 2009

A importância da cobertura vegetal para o ciclo hidrológico

A interferência da cobertura florestal no ciclo hidrológico de uma bacia hidrográfica é indiscutível, a vegetação interfere no movimento das águas em todos os espaços do sistema. No abastecimento do lençol freático, na rapidez e volume de chegada da água aos rios e também na quantidade que retorna para a atmosfera.
Através da precipitação das águas da chuva, que ao atingir o solo, parte infiltra-se e promove a recarga das reservas freáticas e re-hidrata o solo, e a outra parte escoa para os rios, lagos e oceanos. A água que é acumulada pelo efeito da infiltração e que em parte retorna à superfície, como nascentes, parte dela é devolvida à atmosfera por meio da evapotranspiração[1] das árvores. A vegetação acelerara o processo de evaporação, através da transpiração das suas folhas, repondo o vapor d’água na atmosfera; contribui para o equilíbrio do clima e da própria atmosfera e, previne os fenômenos da erosão provocados pela ação mecânica da água sobre o solo.
A primeira influência da vegetação nesse sistema acontece quando a água da chuva é interceptada pelas copas das árvores, esse é também o primeiro fracionamento da água, em que parte dela fica temporariamente retida pela massa vegetal e é evaporada para a atmosfera, esse processo é chamado de interceptação. Uma outra parte chega ao solo pelo gotejamento ou pela precipitação interna ou ainda pelo fluxo que escoa pelo tronco das árvores.
Estudos da região amazônica comprovam que a mesma quantidade de água que evapora de suas árvores e que é transportada do Norte para outras regiões do Brasil por ano é igual à vazão do Rio Amazonas e, para se ter uma idéia da grande da importância da floresta para o balanço hídrico, uma única árvore da Floresta Amazônica é capaz de transpirar 300 litros de água por dia.
O engenheiro e ambientalista Gérard Moss, líder da Expedição Rios Voadores
[2] disse querer “comprovar que o desmatamento da floresta poderá reduzir o transporte de vapor d'água da Amazônia para o Sul e o Sudeste do Brasil. Vamos tentar identificar e quantificar esse fenômeno.”

[1] Evaporação + transpiração
[2] O termo “Rios Voadores” foi primeiro utilizado pelo Dr. Jose A. Marengo do CPTEC-INPE para caracterizar os jatos de vapor de água de baixos níveis ao leste dos Andes que se deslocam da Amazônia até o Norte da Argentina e está sendo usado neste projeto por Gèrard Moss com um sentido mais amplo, que inclui todos os fluxos de vapor d'água que saem daquela região e se dirigem especialmente para o Sul.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Dia Mundial da Água - 22 de março

Dia Mundial da Água foi criado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas através da resolução A/RES/47/193 de 22 de Fevereiro de 1993, declarando todo o dia 22 de Março de cada ano como sendo o Dia Mundial das Águas (DMA), para ser observado a partir de 1993, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda 21.

Recife não é a índia

Boi é atropelado na BR 201 e depois retalhado ainda vivo

Nesta quarta (18) a BR 101 foi palco de uma cena, no mínimo, incomum.
Tudo começou quando um caminhão de placa MZG 1308 RECIFE-PE atropelou um boi nas imediações da fábrica da Vitarela e membros da Polícia Rodoviária Federal pediram a pessoas que estavam no local para retirar o animal, que ainda agonizava sob o veículo, da pista, liberando assim o tráfego.
Um grupo de cerca de 12 homens arrastou o bicho para o acostamento e teve início o espetáculo.
Em poucos minutos eles esquartejaram o boi, ainda com vida, em uma cena que parecia nos levar de volta aos tempos em que a humanidade vivia dominada por seus instintos. Aos que assistiam a cena chocados, restou apenas a lembrança da música “Uma noite de festa”, do Quinteto Violado:


Lá pra frente morre o boi
A partilha é animada
Capitão já levou tudo
E o Mateus ficou sem nada

A diferença é que nessa partilha, ninguém esperou o boi morrer.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Criança Ecológica - Um ótimo modelo de educar!!

Criança Ecológica chega para inovar a EA no Estado de SP
(Fonte: Secretaria do Meio Ambiente – SP)
www.mundosustentavel.com.br

Ao todo, 30 mil crianças serão atendidas mensalmente pelo Programa que abordará as questões ambientais em espaços lúdicos e interativos A partir de hoje, as crianças, de 8 a 10 anos, de todo o Estado de São Paulo, ficarão “craques” no conhecimento ambiental.
O significado de aquecimento global, desenvolvimento sustentável, bacias hidrográficas, uso racional da água e muitos outros termos ecológicos, presentes no cotidiano das pessoas, serão facilmente assimilados com a participação no mais recente projeto da Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SMA – o Programa Criança Ecológica - um plano inovador na Educação Ambiental paulista.
O projeto tem o objetivo de sensibilizar e despertar nas crianças atitudes capazes de contribuir com a melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente. Agendas ambientais, determinadas por cores e temas - Azul, água, Verde, fauna e flora, Cinza, poluição, e Amarela, aquecimento global e educação para a vida – são o trajeto para interação com as atividades ambientais.
Cinco espaços na capital Paulista – o Parque Villa Lobos, o Parque Ecológico do Guarapiranga, a Fundação Parque Zoológico de São Paulo, o Jardim Botânico e o Pomar Urbano – foram escolhidos para colocar “a meninada” em contato com a natureza e com os ensinamentos ambientais.
Além disso, para atender com mais facilidade as escolas do interior do Estado, 29 Unidades de Conservação disponibilizarão uma programação específica para o Criança Ecológica, fora o Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, na cidade de Campinas, o Bosque Municipal da Cidade de Ribeirão Preto, e a Estação Ciência da USP, na capital, que também sediarão atividades. (...)
Para preparar os alunos para as atividades que serão desenvolvidas, os professores terão acesso a materiais didáticos com conteúdos que tratam a temática de cada agenda. Após a visita, as crianças receberão um livro intitulado “Criança Ecológica – Sou dessa turma” – e poderão fazer download das atividades e materiais pedagógicos disponíveis no site do Programa, que entrará no ar a partir de hoje.
Leia mais:
http://www.ambiente.sp.gov.br/noticiariancaecologica.php
E faça o download do material didático a paritr de hoje em:

Assista ao vídeo do programa Cidades e Soluções com André Trigueiro:
• Educação Ambiental nas escolas:

quarta-feira, 18 de março de 2009

Esho Funi - Inseparabilidade da vida e seu ambiente

Este conceito budista tem uma importância fundamental para entendermos as relações que estabelecemos ao longo da vida nos vários locais em que vivemos: família, trabalho, vizinhança, organização, enfim, na sociedade como um todo.
Para compreendermos melhor este princípio, podemos analisar a palavra esho funi da seguinte maneira:
Esho é a combinação das primeiras sílabas de e-ho e sho-ho. Sho-ho se refere ao sujeito, isto é, o ser dotado de vida, como por exemplo nós, seres humanos. E-ho se refere ao objeto que sustenta e possibilita a expressão da vida, isto é, o ambiente do ser vivo.
Funi significa dois fenômenos independentes, mas inseparáveis.
Assim, pelo seu próprio significado literal, o termo esho funi significa que a pessoa e seu ambiente são dois fenômenos independentes, porém unos em sua existência fundamental. Em outras palavras, a pessoa e seu ambiente formam uma vida única e completa, sendo que nenhuma pode existir separada da outra.
Na escritura “Os Presságios”, Nitiren Daishonin apresenta uma analogia que ilustra este conceito: “As dez direções são ‘ambiente’ (e-ho), e os seres sensíveis são ‘vida’ (sho-ho). O ambiente é como a sombra, e a vida, o corpo. Sem o corpo não pode haver sombra. Analogamente, sem a vida, o ambiente não pode existir, embora a vida seja sustentada pelo seu ambiente.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 4, pág. 186.)
Assim, seguindo este raciocínio, não pode haver vida sem um ambiente no qual ela possa se manifestar, assim como não é possível existir um ambiente sem vida nele. Por outro lado, com o exemplo do corpo e da sombra, Daishonin nos mostra a maneira correta de considerarmos as diversas circunstâncias que nos cerca no dia-a-dia, especialmente quando se quer transformá-las. É importante conscientizarmo-nos de que a mudança das condições que nos rodeiam passa obrigatoriamente pela nossa própria transformação. Conforme o exemplo citado por Daishonin, querer transformar o ambiente sem a mudança de si próprio é tão absurdo quanto à tentativa de endireitar uma sombra sem mexer o corpo.
Enfim, podemos compreender o fato inegável de que a pessoa e seu ambiente são inseparáveis. Contudo, o princípio de esho funi não se restringe apenas a uma simples explicação da relação inseparável entre os dois, mas vai muito além, elucidando de que forma a vida se manifesta no ambiente, dando suas características peculiares

Itai Doshin - “Diferentes pessoas com um mesmo objetivo”

Itai significa diferentes corpos e doshin, uma única mente. Portanto, itai doshin quer dizer diferentes pessoas com um mesmo objetivo. Em essência, esse princípio ensina que diferentes pessoas profundamente relacionadas por um mesmo ideal podem realizar muito mais do que o mesmo número de indivíduos trabalhando separadamente para fins puramente particulares.
Itai, refere-se à individualidade. As pessoas diferem em caráter, capacidade, experiência de vida, valores e em muitos outros aspectos. Ninguém é exatamente igual a uma outra pessoa. Essa individualidade está tão profundamente enraizada que qualquer tentativa de unir as pessoas à força acabará em falha e em divisões.
O Budismo de Nitiren Daishonin preza profundamente as diferenças individuais e ensina que todas as pessoas podem atingir o estado de Buda sem mudar suas características.

Educação Ambiental”

Educação Ambiental é um processo contínuo e permanente que busca a transformação de valores e atitudes e posicionamentos pelos quais, a comunidade por intermédio do indivíduo esclarece conceitos voltados para a conservação do ambiente.


"(...) A liberdade supõe, ao mesmo tempo, a capacidade cerebral ou intelectual de conceber e fazer escolhas, e a possibilidade de operar essas escolhas dentro do meio exterior. Sem dúvida, há casos em que se pode perder toda a liberdade exterior, estar numa prisão, mas conservar a liberdade intelectual. O sujeito, pode, eventualmente, dispor de liberdade e exercer liberdades. Mas existe toda uma parte do sujeito que não é apenas dependente, mas submissa. E, de resto, não sabemos realmente quando somos livres" (Edgar Morin).