terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cientistas alertam sobre aumento no ritmo de perda da biodiversidade‏

Espécies ameaçadas [repassando por ANDA]
11 de outubro de 2009
O ritmo de perda da biodiversidade no mundo todo se acelerou nos últimos anos e será impossível cumprir com os compromissos internacionais de reduzir esta tendência até 2010, advertiu hoje um grupo de cientistas.
Em abril de 2003, ministros de 123 países de todo o mundo se comprometeram a alcançar, até 2010, “uma redução significativa da atual taxa de perda de biodiversidade em nível local, nacional e regional, como uma contribuição para atenuar a pobreza e em benefício de toda a vida sobre a Terra”.
No entanto, seis anos depois, não só não foi reduzido o ritmo de redução, mas ele aumentou até chegar a extremos alarmantes, segundo os especialistas.
“Com toda segurança não vamos cumprir o objetivo de reduzir a perda de biodiversidade até 2010 e, portanto, também vamos descumprir as metas ambientais dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de 2015″, afirmou Georgina Mace, vice-presidente do Diversitas.
O Diversitas é um programa internacional estabelecido em 1991 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês) e pelo Conselho Internacional para a Ciência, que promove pesquisas científicas sobre biodiversidade.
O programa organizará, de 13 a 16 de outubro, a II Conferência Aberta Científica na Cidade do Cabo (África do Sul), que contará com a presença de 600 especialistas do mundo todo, e que tem o objetivo de criar um mecanismo similar ao que existe para a luta contra a mudança climática, entre outros.
“As mudanças de ecossistemas e a perda de biodiversidade se aceleraram. Os ritmos de extinção de espécies são pelo menos 100 vezes mais elevados que os que existiam antes da aparição dos seres humanos e espera-se que sigam aumentando”, acrescentou Georgina.
Os especialistas concordam que o desmatamento, tanto para cultivar o solo quanto para a exploração de madeira, é a principal causa da perda de biodiversidade no planeta.
Anne Larigauderie, diretora-executiva do Diversitas, disse à Agência Efe que um estudo que será apresentado durante a conferência na Cidade do Cabo “aponta que o principal motivo é a mudança do uso da terra, essencialmente o desmatamento”.
Mas a situação mudará em 2050, já que a mudança climática será o principal causador da perda de biodiversidade.
Apesar de ainda faltarem 40 anos para esse momento, a situação já é alarmante para os cientistas, segundo declarou à Efe Hal Mooney, professor da Universidade de Stanford e presidente do Diversitas.
“O que acontece agora, e assusta a maioria dos cientistas, é que começamos a ver grandes impactos da mudança climática. Vemos novos elementos como consequência da mudança climática, como o aumento da frequência de incêndios e novas espécies invasoras que se estendem por todo o mundo”, afirmou.
Mooney explicou que a mudança climática cria grandes transtornos nos ecossistemas e muda as regras do jogo.“Em resposta à mudança climática, vemos como emigram espécies a lugares onde há outras espécies. Vemos mudanças sobre quando as árvores perdem suas folhas, mudanças muito pronunciadas, o que afeta como opera o sistema”, acrescentou.
Diante desta situação, “é preciso aumentar o nível de conscientização sobre a ameaça que a perda de tantas espécies representa para o planeta”, segundo Mooney.
Uma das soluções é a criação de um mecanismo similar ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).
A possibilidade de criar esse mecanismo foi discutida durante uma reunião ministerial realizada em Nairóbi (Quênia), na semana passada, e a decisão será anunciada durante a conferência na Cidade do Cabo, explicou Anne.
Espécies de água doce são as mais ameaçadas de extinção
Animais e plantas vivendo em rios e lagos são os mais ameaçados da Terra, devido ao colapso de ecossistemas, afirmaram cientistas no domingo.
Governos de todo mundo haviam firmado um acordo para redução da extinção de todas as espécies até 2010, durante a cúpula de 2002, em Johanesburgo. “Mau gerenciamento e a crescente necessidade dos homens por água estão levando ecossistemas de água doce ao colapso, tornando as espécies de água doce as mais ameaçadas da Terra”, afirmaram os representantes de um grupo de especialistas em biodiversidade, o Diversitas.
As taxas de extinção de espécies em água doce são “de quatro a seis vezes mais altas do que em habitats marinhos ou terrestres. ”Peixes, sapos, crocodilos e tartarugas estão entre as espécies de água doce ameaçados.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Lula descarta desmatamento zero e negocia presença na COP - Europa elogia meta do País, que inclui reduzir desmate em 80% até 2020

Andrei Netto, Alexandre Calais*,
ENVIADOS ESPECIAIS, ESTOCOLMO
O Brasil não pretende adotar metas de desmatamento zero nem elevar os objetivos estabelecidos no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, como forma de reduzir emissões de gases-estufa e facilitar o acordo do clima em Copenhague, em dezembro.
A afirmação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Estocolmo, durante reunião entre a União Europeia e o Brasil.
No encontro, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, definiu o plano brasileiro como "ambicioso" e exemplar. Mesmo após pedir esforços dos demais países em favor de um acordo ambicioso e de definir a 15ª Conferência do Clima (COP 15) das Nações Unidas como "um momento extraordinário" que enfrenta "um impasse", Lula descartou elevar as ambições de seu governo. "Nem se o Brasil fosse careca poderia assumir o desmatamento zero. Sempre vai haver alguém querendo desmatar alguma coisa." Ele citou o compromisso de reduzir o desmatamento em 70% até 2017 e em 80% até 2020: "É uma meta que vai precisar um esforço incomensurável da sociedade brasileira para ser cumprida."
Confrontado com dados da proposta brasileira, Durão Barroso fez elogios. "Em teoria, pode haver sempre mais ambição. Na Europa é a mesma coisa. Mas estamos sugerindo que outros países, em especial os com floresta tropical, com grandes zonas de mata, possam fazer um esforço comparável ao que o Brasil se submeteu", afirmou.
PRESENÇA EM COPENHAGUE
Minutos antes da cúpula, em sua chegada ao palácio Rosenbad, Lula deparou-se com uma manifestação promovida pelo Greenpeace, que pedia em faixas e cartazes o seu comparecimento à COP 15. "Lula, você levou as Olimpíadas, agora salve o clima", dizia uma delas. Questionado sobre a intenção de comparecer à conferência, Lula disse que negocia com outros chefes de Estado e de governo a realização de uma reunião em Copenhague, que aconteceria entre 16 e 17 de dezembro - às vésperas do término da COP 15. "A ideia é que nós participemos juntos com o maior número possível de dirigentes mundiais", explicou.
Se não houver acordo, o brasileiro não comparecerá."Mas eu trabalho com a ideia de que vários presidentes compareçam a Copenhague para que possamos fazer uma discussão de fundo", completou o presidente.
Lula e Durão Barroso anunciaram ainda que Brasil e UE farão outra reunião sobre mudanças climáticas para encontrar um denominador comum em suas propostas. "Estamos juntos também na procura de uma solução para Copenhague", assegurou Durão Barroso.
A ação conjunta havia sido sugerida pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Brasília, em setembro. A UE já aprovou metas vinculativas em termos de redução de emissões de CO2, o chamado Pacote Energia-Clima, ou 3x20, que prevê no mínimo 20% menos gases de efeito estufa, 20% menos consumo de energia e uso de 20% de energias renováveis até 2020.
* Alexandre Calais viajou a convite da União Europeia