quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um pouco da história da Ilha do Governador

Por: Teresinha Victorino em 2008

O Rio de Janeiro tem sua própria história, mas existe também uma História do Brasil no Rio de Janeiro: são histórias que se entrelaçam em um conjunto, porém distintas. Assim acontece com a Ilha do Governador: testemunha, por sua condição geográfica, dos principais eventos da história da cidade e do país, a Ilha repercutiu tudo o que aconteceu no Rio de Janeiro. Mas também preservou sua própria história para ser contada – uma história distinta, singular e única.
A maior ilha da Baia da Guanabara está ligada à história do Rio de Janeiro, do Brasil, de Portugal e do planeta.
Na primeira expedição realizada para o reconhecimento da costa brasileira, em 1502, em que, numa viagem exploratória ao Brasil, a armada de Gaspar de Lemos e Américo Vespúcio, navegou numa estreita abertura de uma grande baía, confundindo-a com o estuário de um rio, por isso deu-lhe o nome de Rio de Janeiro. Era o dia 1º de janeiro do mesmo ano.

A Baía era a Guanabara, cujo litoral era um remoto recanto constituído por enseadas, praias, manguezais e diversas ilhas. Destacava-se nesta paisagem a maior de todas as ilhas, próxima aos manguezais característicos das margens da baía: a paradisíaca Ilha de Paranapuã – ou Ilha do Mar – denominação dada pelos os índios Temiminós.
Esta ilha teve outras denominações: Ilha dos Maracajás, por causa da grande quantidade de maracajás – ou gatos-do-mato – existentes originalmente na ilha; Ilha do Gato, por alusão à sua forma ou por causa do cacique Temiminó Maracajá–Guaçu, Gato Grande, a cuja tribo a ilha pertencia por ocasião do descobrimento, como é mais registrado, e finalmente, Ilha do Governador, denominação que perdura até os dias de hoje.
A Ilha, servida de um extenso mar, abundante em peixe, a alimentação indígena estava em parte resolvida, acrescida da caça de pequenos animais e aves, frutas e tubérculos da própria mata, e associadas às culturas comuns como o milho, a mandioca e o inhame.

Os índios usavam o milho e o caju para preparar uma bebida afermentada – “caium” – para as festas tribais, e da mandioca faziam a farinha.
O espaço insular de 32Km², oferecia ao índio outros atrativos, além da caça e da pesca, destacando-se o barro cerâmico. “A argila e o cal dos mariscos e dos depósitos de ostras também logo atraíram as atenções dos brancos para o trabalho de olaria e fabrico de louças”, (BUENO, Eduardo . Pau-Brasil. Ed. Axis Mundis. SP.2002 p. 123).
As rivalidades e as amizades entre as tribos coexistiam entrelaçadas há milênios, numa baía de água cristalina, abundante em peixes. Todavia, a cobiça pela terra fértil e extensa provocou uma disputa entre outras tribos, chamando atenção da Ilha para os europeus. No conflito, os Macacajás são derrotados pelos Tamoios, em 1535. A ferocidade dos combates entre os grupos foi relatada por diversos autores da época, pois a antropofagia foi praticada.
Por volta dos anos de 1550, certa nau portuguesa entrou pela Baía da Guanabara e foi abordada por um grupo de índios liderados pelo cacique Temiminó Maracajá-Guaçu, pai do futuro Araribóia, o cobra da tempestade, para pedir ajuda. Alegaram aos portugueses que sua tribo estava sendo atacada e dizimada pelos Tupinambás na Ilha dos Maracajás, ou do Gato, hoje Ilha do Governador. Solicitaram ajuda para a retirada de sua tribo da ilha.

A volta dos Temiminós no ano de 1560 para a Baía da Guanabara baseou-se na estratégia portuguesa de usar o elemento revanchista entre os índios, desta maneira, foi dos Temiminós, com maior poderio, a vez de revidarem a fúria de morte contra seus inimigos ancestrais.

O oficial da marinha francesa, Nicolas Durand de Villegaignon (1510-1575), alimentava o desejo de estabelecer no Brasil uma colônia francesa, idéia que foi aprovada pelo rei de França, Henrique II, que lhe concedeu crédito e recursos para a organização da expedição. Partindo do Havre em julho de 1555, Villegaignon desembarcou no Rio de Janeiro em novembro do mesmo ano, com o objetivo de fundar aqui a colônia chamada França Antártica.
Penetrar na Baía da Guananabara foi tarefa fácil para a expedição militar francesa que aspirava fundar uma pátria, conviver com os habitantes da região, cujas pessoas andavam nuas, ordeiras e curiosas, também foi uma missão fácil. Ganhar confiança dessas pessoas e participar de seus rituais antropofágicos, conhecendo-os intimamente foi uma conseqüência natural no convívio dessa missão militar.
Os franceses conquistaram o pequeno território indígena no qual viviam várias tribos de cuja demarcação ainda se carece de precisão. Aliados dos índios Tupinambás e Tamoios, que ali viviam, os franceses escolheram a Ilha do Gato para estabelecer um dos seus primeiros núcleos de colonização. Constituíram-se num foco de resistência à expansão da empresa comercial lusitana no Brasil. Os franceses foram senhores do Rio de Janeiro durante pouco mais de quatro anos, ameaçando a conquista portuguesa.
A Estratégia dos portugueses para expulsar os franceses da baía de Guanabara consistia em aproveitar da camaradagem dos Temiminós com os Maracajás, os quais já viviam na baía de Guanabara, e assim atacar os Tupinambás e os Tamoios.

Em 1560, por ordem real, uma esquadra sob o comando de Mem de Sá combateu os invasores, desalojando-os e arrasando suas fortificações. Entretanto em fevereiro de 1564, quando seu sobrinho Estácio de Sá chegou para estabelecer as bases de uma colonização sistemática, encontrou a cidade novamente dominada, sendo impossível estabelecer-se.
Mas as dificuldades forçaram Estácio de Sá a buscar ajuda. Avisado pelos jesuítas, seu tio veio pessoalmente em seu auxílio, à frente de tropas organizadas na Bahia. Sob o comando de Cristóvão de Barros, a armada de Mem de Sá com o apoio dos índios Temiminós, liderados por Araribóia, e Estácio de Sá liderando os portugueses, bombardearam e destruiram os redutos dos franceses e as aldeias dos Tamoios, resultando tanto na expulsão dos franceses como na eliminação completa da resistência de qualquer índio dentro da baía de Guanabara. Era dia 20 de janeiro de 1567, dia do padroeiro, São Sebastião, os franceses trazidos por Villegaignon foram expulsos definitivamente.
Livres dos franceses e dos índios inimigos, os portugueses retribuíram aos Temiminós com uma doação de Sesmaria. O Araribóia foi batizado com o nome de Martim Afonso de Sousa e, em 16 de março de 1568, Mem de Sá concedeu ao índio as terras na Banda de Além, que hoje, essa faixa de terra, corresponde ao trecho entre os bairros Gragoatá e São Lourenço em Niterói, que se traduz do Tupi-Guarani por águas escondidas.

Em 5 de setembro de 1567, após a vitória sobre os franceses, Mem de Sá dividiu a ilha, em duas sesmarias, doando uma delas, a que abrangia a maior parte do território, ao outro sobrinho seu, Salvador Correa de Sá, nomeado segundo governador do Rio de Janeiro. A outra sesmaria foi doada a Rui Gonçalves, almoxarife-geral do governo colonial na Cidade. O Projeto de Lei n° 1.514/91 institui o dia 05 de setembro como o "Dia da Ilha do Governador".
Salvador Correia de Sá foi nomeado para o cargo de governador do Rio de Janeiro, governando a cidade por dois períodos: de 1568 a 1571 e de 1577 a 1598. No engenho de cana-de-açúcar que mandou construir em sua propriedade, ele deu início à primeira produção de açúcar do Rio de Janeiro. Em 1570 a ilha ganhou a denominação oficial de Ilha do Governador, que perdura até os dias de hoje.

A Ilha passa a ser ocupada e explorada, a agricultura de subsistência existe para sustentar os habitantes que vão se instalando. No século XVI, a Ilha é basicamente agrícola, entretanto o açúcar é um produto de peso para exportação e para a balança comercial. O açúcar e o aguardente eram produzidos para o consumo local e envio ao Rio de Janeiro, ao lado de gênero de subsistência.

Até a ocupação portuguesa, a Ilha era bastante coberta de vegetação. No litoral norte de São Paulo e no litoral sul do Rio de Janeiro, onde se incluía a Ilha Grande e arredores, não havia pau-brasil, entretanto na “Ilha do Gato e as adjacentes, além do litoral circundante, bem como os próprios Maracajás, surgem claramente em depoimentos do século XVI como supridores dos embarques de matéria corante.”, (BUENO, 2002). A Ilha do Gato foi fonte de abastecimento de madeira tintorial, tanto para os franceses como para os portugueses.

Com a chegada dos primeiros europeus a paisagem natural é alterada com a introdução de plantas exóticas, entre elas a cana-de-açucar. E dá-se o início da devastação da fauna e da flora.

E, para demonstrar que as madeiras tropicais eram excelentes para a construção naval, o Governador Salvador Correia de Sá mandou montar um estaleiro e reunir grandes toras de madeiras trazidas, sobretudo da Ilha Grande (uma das denominações francesa para a Ilha do Governador), e com Benevides deram início, em 1659, à construção daquele que seria o maior navio do mundo, o Galeão Padre Eterno, que foi lançado ao mar da então Ilha de Paranapuã, no natal de 1663.
O Padre Eterno tinha 53 metros de comprimento, o que era extraordinário para sua época, e, era dotado de duas cobertas armadas de canhões. Em 1665, fez sua primeira viagem atravessando o Atlântico e aportando em Lisboa, despertando a atenção dos governantes portugueses e também dos espiões estrangeiros. Não só pelo tamanho, mas porque, graças à qualidade e leveza das madeiras empregadas em sua construção, era ao mesmo tempo resistente, capaz de levar um grande volume de carga e era fácil de ser manobrado.
A primeira Feitoria Portuguesa no Brasil ficava localizada na Ilha do Gato e os “vestígios, bem como os sinais da aldeia do Grande Gato, o “Maracajá”, estão agora soterrada sob o peno dos anos e de toneladas de entulho, em meio a uma paisagem de imperfeições. Ao que tudo indica, porém foi exatamente ali que a Terra do Brasil começou a se tornar o Brasil de hoje. Se o Basil de hoje ainda o ignora ou nem sequer s interessa em esclarecê-lo, e se já não há mais virtualmente um único é de Pau-Brasil na ilha ou em seus arredores, nem por isso o cenário e seus desdobramentos são menos reveladores. Pelo contrário.”, (BUENO, 2002).
As fazendas Tubiacanga, Itacolomi, Flecheiras, Galeão e São Bento, foram doadas por escritura aos beneditinos em maio de 1695, e em 1710 foi criada a Paróquia da Ilha do Governador, na Freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, estabelecendo-se assim a Ilha, com seus 32 km² de área, como região de grande importância administrativa e econômica para o governo colonial.
Os beneditinos traçaram um novo rumo histórico para a Ilha: além dos engenhos de cana-de-açúcar, existiam ali criações de aves e porcos, uma agricultura de subsistência – o cultivo de verduras e frutas – e outras atividades já praticadas pelos índios, como o plantio de milho, mandioca e inhame, além da pesca, abundante na Baía.
No século XVII, a Ilha, prossegue em escala contínua e na mesma atividade, porém agora com a contribuição da mão-de-obra escrava.
O movimento de embarcações para o transporte das mercadorias entre a Ilha e a Cidade se intensifica. E, o século XVIII fica caracterizado pela forte presença dos beneditinos na economia da Ilha, fato que favorece a ocupação e adensamento populacional. Ainda encontram-se vestígios históricos dessas presenças nas terras da Aeronáutica.
Em 1808, com a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, acompanhados por uma comitiva de aproximadamente 11.000 pessoas, a cidade passa por uma grande transformação. A chegada do príncipe eleva o Brasil à condição de reino, e a cidade se prepara para ser a sede do Império Português.
A Ilha do Governador passa a funcionar como um centro de abastecimento da nova capital dos dois reinos, Portugal e Brasil. Em 1811, um decreto real cria na área dos beneditinos, a Coutada Real, uma espécie de reserva natural onde não eram permitidos desmatamentos ou atividades econômicas, um campo dedicado exclusivamente ao esporte da caça de animais introduzidos na região para essa finalidade.
Em 1821, a população da Ilha alcança 1.695 habitantes, havendo um grande número de propriedades na zona dos beneditinos.
Com a volta para Portugal de D João VI, em abril de 1821, assume a regência o príncipe D. Pedro.
Em junho de 1834 é instalada na Ilha por decreto real, a primeira escola masculina. A população atinge 2.391 habitantes, distribuídos por chácaras retalhadas das terras dos antigos engenhos. Mais duas escolas são criadas na região: a segunda masculina e a primeira feminina. Em 1849 a população da Ilha passa a 3.457 habitantes.

Na segunda metade do século XIX a paisagem era pontilhada por casas de veraneio à beira-mar, em centro de terreno, frente às águas límpidas da Baía de Guanabara de então, que representariam os primórdios de uma vocação ligada ao lazer e turismo. Mas havia também indústrias, como as de cal e cerâmicas.

Em 1864, a epidemia de Cólera Morbos, causou enorme devastação na Ilha do Governador, basta dizer que na fazenda da Viúva Amaral (Fazenda São Sebastião do Rio de Janeiro, de propriedade de Dona Maria Izabel Rodrigues do Amaral, tia da Chiquinha Gonzaga) havia uma caieira que utilizava 15 barcaças para transporte de cal e barro para as edificações da Cidade do Rio de Janeiro, deixou ela de funcionar por terem desaparecidos com a morte de quase todos os escravos. Em 1871 o governo adquiriu a Fazenda São Sebastião do Rio de Janeiro.

Com a grande quantidade de formigas saúvas prejudicando os cultivos na região, o Barão de Capanema, introdutor em 1852 do telégrafo no Brasil, e ilustre morador da Ilha a partir da década de 1870 implanta em 1872 a Fábrica do Formicida Capanema. Amigo pessoal de D. Pedro II, o Barão de Capanema criou também um jardim botânico no local.
Em 1893, a Ilha do Governador foi cenário da conhecida Revolta da Armada. Em seis de setembro de 1893 um grupo de altos oficiais da Marinha exige a imediata convocação dos eleitores para a escolha dos governantes. No movimento encontram-se jovens oficiais e muitos monarquistas. A adesão destes reflete o descontentamento da Armada com o pequeno prestigio da Marinha em comparação ao Exército.

Entre os anos de 1893 e 1894 os revoltosos instalaram-se na antiga Fazenda São Sebastião, tendo como retaguarda a Escola de Aprendizes Marinheiros, os paióis de munição na Ponta do Matoso e o Asilo dos Inválidos da Marinha, junto à Escola.

O coronel Moreira César traça planos para desfechar ataque contra a Ilha de Villegaignon, no Rio de Janeiro, e outros pontos em áreas ferozmente ocupada e defendida pelos rebeldes. 0 7° BI também participa da vigilância na região portuária na Baía de Guanabara e atua com desenvoltura na retomada da Ilha do Governador, base logística onde se suprem os revoltosos.

O sistema de transportes também teve grande importância para o crescimento da Região. Mas, é só em 1898, a Companhia Cantareira e Viação Fluminense, que tinha pontes de atracação no Zumbi, no Cocotá e na Freguesia, inicia um serviço regular de transporte.
Já no início do século XX, sua população de 5.616 habitantes, a Ilha ainda tinha na criação de gado, na pesca e na agricultura algumas das atividades vitais para a sua economia. A produção destinava-se a abastecer a cidade e a atender ao consumo local.
Em 1903, é criada uma linha para o Galeão. Com a Cidade crescendo e se expandindo, as moradias do Centro vão sendo substituídas progressivamente por modernos prédios de escritórios, com galerias, agências bancárias e comércio sofisticado nos andares térreos.

Em 1915 foi montada a Estação Rádio Telegráfica da Ilha do Governador (SHO), inicialmente no prédio hoje conhecido como “Usina”. No início de seu funcionamento, operava além de transmissão de boletim noticioso, três vezes ao dia em 1800 metros, a transmissão de sinais horários manipulados diretamente do observatório nacional, situado no bairro de São Cristóvão, através de uma linha cedida pelo departamento do telégrafo (Ministério da Aviação), e o serviço com a Esquadra no Mar. Em 1926 a SHO foi remodelada, passando a operar com o prefixo PXA. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Estação, que operava totalmente na área da Ilha do Governador, sofreu grandes transformações, foram construídos novos edifícios de transmissão e recepção, e instalação de novos equipamentos, que atenderam as necessidades do conflito mundial, firmando-se a Estação como o mais moderno serviço de telecomunicações da América do Sul. Em 1946 passou a Estação a subordinação da então Divisão de Comunicações.
O Cruzador Auxiliar José Bonifácio zarpou do Rio de Janeiro a 18 de julho de 1917, na “Missão Rondon do Litoral”, para os portos do Sul, a serviço da nossa neutralidade, regressando a 1 de novembro; partiu a 8 de dezembro para o mesmo fim e retornou a 23 de junho de 1918, tendo estacionado em vários portos. Partiu para o mesmo serviço nos mares do Sul e voltou a 30 de janeiro. Assumiu o seu comando o Capitão-de-Fragata Frederico Otávio de Lemos Villar, suspendeu a 13 de outubro 1919, em serviço de comissão da pesca e saneamento, para os portos do Nordeste e regressou a 2 de junho de 1920.
A bordo do Cruzador Auxiliar José Bonifácio, o Sr. Frederico Otávio de Lemos Villar viajou do extremo Norte ao extremo Sul, semeando Colônias de Pescadores ao longo de nossas praias.
Em 17 de novembro de 1920, foi criada a primeira colônia de pesca do Brasil, a então Colônia Z1, Colônia Cooperativa de Pescadores “Almirante Gomes Pereira”, teve sua instalação em terreno necessário compreendido da Ponta do Mirante para dentro da Bacia de Jequiá, na Ilha do Governador.

No início da década de 20 as pessoas fixam moradia permanente, e é inaugurada a ponte de atracação da Ribeira. A ocupação da Ilha acelera-se através do fracionamento de grandes áreas, surgindo à moda dos loteamentos, prática de uso do solo urbano que teve início nos primeiros anos do século, promovendo a ocupação de grandes espaços vazios na Cidade.
Na República, 1930, é inaugurada a ponte de ligação do Saco do Jequiá ao Morro do Matoso, ponte que hoje dá acesso a Colônia de Pesca Z10.

Na década de 30, o serviço de correios no Zumbi é transferido para a Base Aérea do Galeão, e em 1931, é criada a linha de ônibus ligando à Ribeira ao Galeão.
A aceleração da infra-estrutura se dá a partir da inauguração da ponte do Galeão, em 1949.

Localizada nos terrenos da antiga Fazenda de São Bento, território doado aos frades Beneditinos em 1695, a Escola João Luiz Alves, construída no Governo Vargas e pertencente ao Ministério da Justiça, tinha por finalidade a educação de menores orfãos. A escola passou à administração da FUNABEM na década de 80

Mudanças importantes ocorreram na década de 50, com a implantação do Aeroporto do Galeão, na década de 60, com a criação da praia artificial do Cocotá e pelo aterro maciço dos anos seguintes destinado ao Parque Manuel Bandeira e a criação da nova ponte de atracação das Barcas, que ligaria a Ilha, através do Cocotá à Praça XV, centro da cidade. E, na mesma época, com a construção do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro–Galeão–Antonio Carlos Jobim, é modificada violentamente a paisagem original da Ilha do Governador.

O transporte marítimo foi restaurado em 1976, como alternativa ao intenso trânsito da Avenida Brasil, e para tanto foi necessário uma outra alteração na paisagem, desta vez na Ribeira, onde houve um grande aterro para a recuperação da ponte velha de atracação e dragagem para receber as Barcas que ligariam a Ribeira, na Ilha à Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro. Hoje a travessia entre a Ilha do Governador e o Centro da cidade do Rio de Janeiro, se dá entre o Cocotá e a Praça XV.
A pior alteração da paisagem natural ocorreu ao aterrar e ligar as oito ilhas que forma hoje a Cidade Universitária, a maior delas é a Ilha do Fundão. Ao aterrarem para a construção da Cidade Universitária, os canais existentes entre as ilhas foram fechados ocasionando assoreamento na vizinhança, isto nos anos 40. Hoje a paisagem é feia e um mau cheiro é sentido por quem atravessa a Linha Vermelha.
O relevo da Ilha é marcado por colinas com declives que nunca foi impedimento para a ocupação humana. São poucas as áreas planas.
Os pontos de maior altitude da Ilha estão no Jardim Guanabara, Cacuia, Dendê e Barão. Do alto do Dendê a vista panorâmica é de 360 graus e avista-se desde a Serra dos Órgãos à Ponte Rio-Niterói, passando pelo Pão de Açúcar e o Corcovado.
Na Ilha há vários cursos de água, o Jequiá é o mais significativo e o único em formato de saco da Baia da Guanabara. Existe o Córrego do Galeão e várias nascentes, entre elas a da Praia da Bica e da Rua Colina.

Havia vegetação tropical em abundância, com madeiras de lei, como Cedro e Peroba, que foram utilizadas na construção do galeão Padre Eterno (Em 1659, Salvador Correa de Sá mandou construir na Ilha do Governador, o que seria o maior galeão do mundo, o "Padre Eterno", com 53 metros de comprimento e 2 mil toneladas, preparado para receber 144 canhões e com um mastro feito de um único tronco, com quase 3 metros de circunferência na base. Acabou vencido pelo oceano, afundando no Índico alguns anos depois.)..

A fauna é também da região tropical da Mata Atlântica: onça, jaguatirica, tatus, pacas, macacos, gambás (que até a década de 70 era fácil encontrar) e muitos pássaros.

O clima é tropical com estação de seca. Temperatura média é de 28º graus em fevereiro e mínima de 20º graus em julho.
Nos vales, entre os elevados, as trilhas indígenas são utilizadas por nós até os dias de hoje. Como a Estrada do Galeão, a Avenida Paranapuan e a Rua Cambaúba, por exemplo.
As praias, características físicas desde acidente geográfico e sócio-cultural desta comunidade são hoje impróprias para o banho.

O Manguezal do Jequiá é uma Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana – APARU. Todavia o barro que é acrescido ao Rio Jequiá afeta diretamente o manguezal, sobretudo o lado da Colônia de Pescadores Z10, que por sua vez despeja dejetos no espelho de água do manguezal. Contudo o ecossistema resiste e recebe visitas de aves diversas, algumas delas vindas do hemisfério norte.
O crescimento urbano acelerado da Ilha do Governador, que se deu entre as décadas de 60-70 e intensificado nas últimas décadas, compromete as nascentes e o estuário do Rio Jequiá. O comprometimento se dá tanto pela diminuição da vazão do rio e o assoreamento de sua foz, como pela contaminação por despejos domésticos e pelo óleo dos postos de abastecimento e garagens de ônibus, situados na bacia hidrográfica, agravada pela poluição trazida pelas águas da Baía de Guanabara. Ainda assim, as condições naturais se mantiveram, fundamentalmente pelo fato da área estar sob tutela da Marinha. Até o início da década de 1990, a Marinha era responsável pelo controle do crescimento da Colônia Z-10.

Embora sua densidade líquida ainda seja a terceira menor da Cidade, o vertiginoso crescimento traz consigo graves problemas de degradação das condições de vida da Ilha do Governador.

Por constituir um espaço físico delimitado a Ilha reúne, em escala menor, tudo o que a Cidade possui: topografia variada, população representativa das diversas camadas sociais da Cidade, bairros com características urbanísticas e arquitetônicas diferenciadas, comércio diversificado e independente, áreas de lazer, gastronomia variada, reservas ecológicas e grandes espaços ocupados por instalações militares.

Socializando indignações

Por: Liliana Peixinho*

Vidas, recursos, esperanças... enxurradas abaixo

As chuvas que caem na Bahia, no Nordeste, no Rio de Janeiro, no Brasil, inundando ruas, derrubando casas, aumentado os buracos das pistas, matando  pessoas e proliferando doenças, revelam também o grau de descaso com o saneamento básico, com a qualidade da água, com a Vida. Das enxurradas descem toneladas de resíduos sólidos dos mais variados: plásticos, papel higiênico, restos de comida, papelão, vidros, alumínio, madeira, entre outros caracterizados como “lixo”, ampliando o leque de problemas à saúde, deslocamento da população, incremento da economia e desestrutura familiar.

É imenso, incalculável, o volume de coisas que ainda jogamos fora, em qualquer lugar, sem nenhum critério de reutilização, racionalidade no uso e reuso transformando- os em lixo, que, nas chuvas, acabam boiando aos nossos olhos incrédulos, ou soterrados, junto a corpos humanos, proliferando dor.
 
A falta de manutenção dos esgotos, das galerias da rede subterrânea de água, associada ao desmatamento das encostas e à falta de coleta seletiva dos resíduos, até mesmo em unidades hospitalares, aumentam os riscos à saúde da população. Os recursos gastos com o tratamento de doenças provocadas pela falta de saneamento, de políticas ambientais preventivas, moradias em encostas, medidas emergenciais e paliativas, revelam uma filosofia dissonante com as necessidades atuais de preservação da vida no planeta. É inadmissível como o Governo, empresas e sociedade em geral, ainda não executam ações previamente planejadas com o rigor, a urgência e a correlação entre custos e benefícios, necessários para minimizar os efeitos de fenômeno naturais como ventos e chuvas fortes, cujas previsões poderiam servir como alertas.
 
A existência de lixões, a falta de ações de prevenção, com educação ambiental massiva, são problemas graves para aceitar discursos que banalizam a expressão sustentável. Problemas ambientais de um Brasil que ainda não tem a aplicação de uma política nacional limpa sobre resíduos sólidos. O fato é que milhões de pessoas, na sua maioria crianças e idosos, pobres, estão morrendo. Conforme estudos da ONU a diarréia, provocada por falta de água limpa, mata mais crianças na América Latina do que a tuberculose ou o HIV/AIDS. O alerta de que milhões de meninos e meninas, sobretudo indígenas e afro-descendentes, estão em perigo, e que a diarréia é somente uma das doenças da extensa lista resultante da falta de qualidade da água, parece não ter sensibilizado técnicos responsáveis pelos programas, que com certeza, recebem volumosos recursos, mal utilizados.
 
Essa política não integrada, de visão estreita sobre sustentabilidade como
fator resultante de comportamentos preventivos, cuidadosos, harmoniosos, racionais, menos consumistas, está levando cientistas sociais para uma posição pessimista com relação ao futuro próximo. Se as crianças, que representam a esperança de construção desse paradigma sustentável, estão morrendo de doenças preveníveis, como doenças respiratórias, dengue, leptospirose, gripes, infecção intestinal por injeção de água suja, entre muitas outras que poderiam ser evitadas, o futuro não pode ser animador.

Informe sobre Desenvolvimento Humano, divulgado, anualmente, pelo PNUD, desde 1990, enfatiza que investir em água e saneamento salvaria milhões de vidas, com agregação de valor econômico. O acesso universal a serviços de água e saneamento reduziria a carga financeira dos sistemas de saúde nos países em desenvolvimento em cerca de US$ 1,6 bilhão ao ano.
 
*Liliana Peixinho* – Jornalista, ativista sócioambiental, fundadora dos Movimentos Independente AMA – Amigos do Meio Ambiente e RAMA – Rede de Articulação e Mobilização em Comunicação Ambiental*

Joaquim José da Silva Xavier - Tiradentes

Tiradentes nasceu no ano de 1746, na Fazenda do Pombal, em Minas Gerais, propriedade da família. Não há registro da data de seu nascimento, apenas do seu batismo, em novembro daquele mesmo ano. Ficou órfão cedo - perdeu a mãe aos nove anos de idade e o pai aos 11, sendo criado, desde então, por um padrinho, que lhe ensinou a prática da odontologia.

A família não era pobre. Pertencia à nobreza civil, diferente da nobreza concedida por títulos.

Joaquim José da Silva Xavier, todos sabem, praticava a odontologia. E daí seu apelido: Tiradentes. Mas o que poucos sabem, ao contrário do que seu codinome insinua, é que o nosso herói da inconfidência não suportava arrancar dentes. Isso mesmo! Já era um adepto, então, do que se costuma chamar, hoje em dia, de odontologia preventiva. Ou seja, Tiradentes era muito mais a favor de preservar os dentes do que arrancá-los. Além do mais, não se preocupava apenas com os dentes. Preocupava-se também com o resto do corpo, fazendo uso, inclusive, de plantas medicinais, um modismo típico da medicina praticada na Europa do século dezoito.

No caso de Tiradentes, sua recusa em usar métodos terapêuticos agressivos se deve à influência exercida sobre ele pelo seu primo Frei Veloso, na época um grande botânico, que catalogou mais de 2000 plantas no Vale do Paraíba do Sul e organizou o Jardim Botânico, no Rio.

O idealismo de Tiradentes o levou a se envolver de corpo e alma na Inconfidência Mineira (movimento revoltoso ocorrido em 1789, na cidade de Vila Rica, hoje Ouro Preto, a favor da emancipação do Brasil da Corte Portuguesa). Seu envolvimento com a Inconfidência aconteceu após uma viagem ao Rio de Janeiro, em 1787, quando ele entrou em contato com as novas idéias políticas e filosóficas recém-chegadas da Europa. Esses novos pensamentos o influenciaram fortemente. Ao voltar para Vila Rica, em 1788, passou a divulgar em público os propósitos do movimento mineiro. Foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, em 1789, quando foi preso no Rio de Janeiro. Ficou confinado numa cela durante três anos e no processo de investigação, conhecido como Devassa, foi interrogado quatro vezes e confrontado com todos que o denunciaram. Assumiu a responsabilidade da conspiração, inocentando os outros co-réus e, em 18 de abril de 1789, ouviu sua sentença de morte. Antes de ser enforcado no campo da Lampadosa - atual Praça Tiradentes - no Rio de Janeiro, disse: "Cumpri a minha palavra! Morro pela liberdade!"

Seu corpo foi esquartejado e a cabeça exposta em Vila Rica. Os outros pedaços foram espalhados pelo caminho, seus bens confiscados e sua memória difamada.

Só em 1822 Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e em 1865 proclamado Patrono Cívico da nação brasileira.

É sabido que, entre os anos de 1786 e 1789, Tiradentes fez várias viagens ao Rio e que, nessa época, já devia estar conspirando em favor da inconfidência. No Rio, além do contato com idéias revolucionárias, se dedicou a muitos projetos de melhoria urbana.
Ele conhecia bem a cidade, seus morros, seus arredores, o povo do lugar, que também o conhecia como dentista prático. Suas habilidades, no entanto, não se limitavam apenas aos da odontologia. Tinha bons conhecimentos de topografia, o que fez com que Tiradentes intuísse grandiosos projetos de melhora urbanística para o Rio.
Documentos datados daquela época possibilitam concluir que o nosso impetuoso alferes idealizou diversas obras para a cidade. São elas:

abastecimento regular da cidade, pela canalização das águas do Rio Andaraí
construção de moinhos aproveitando a canalização do rio e mais os desníveis dos córregos Catete, Comprido, Laranjeiras e Maracanã
construção de um trapiche, isto é, o cais do porto, rudimentar, de madeira, avançando da praia o máximo possível dentro do mar
construção de armazéns para guarda de gado e outras mercadorias que, desembarcadas, ficavam expostas ao sol, à chuva e aos furtos
serviços de barcas de transporte de passageiros do Rio a Niterói (Praia Grande)

Em tempo: 30 anos depois de ter projetado essas melhorias, Dom João VI mandou fazer a canalização do rio, seguindo os planos de Tiradentes e, em 1889, exatamente 100 anos depois, o engenheiro André Paulo de Frontin canalizou as águas da Serra do Tinguá, dentro dos mesmos moldes arquitetados pelo inconfidente.

Tiradentes só começou a ser cultuado 98 anos depois de sua morte - sendo considerado herói nacional a partir de 1890. A imagem de mártir e patrono da nação foi construída pelos republicanos que representasse a luta pela ruptura do domínio português.

O mártir está diretamente ligado ao movimento que ficou conhecido como "Inconfidência Mineira". Os historiadores preferem "Conjuração Mineira" já que o que aconteceu em Minas Gerais foi um ato organizado para conquistar a independência do país e não um ato de deslealdade, traição ou infidelidade, que servem para traduzir a palavra inconfidência. Somente sob a ótica dos colonizadores, os "inconfidentes" foram considerados traidores.

A cabeça de Tiradentes foi levada do Rio de Janeiro para Vila Rica, em Minas Gerais e ficou exposta num poste em frente à Igreja Nossa Senhora dos Remédios dos Brancos. Na terceira noite, foi roubada e nunca mais foi encontrada.

Tiradentes seguiu carreira militar, ocupando o posto de alferes, palavra que vem do árabe "al-fars", o cavaleiro. Significa o antigo oficial do exército com posto logo abaixo do tenente.

Fonte: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/home.html

terça-feira, 20 de abril de 2010

Hidropirataria na Amazônia

O retorno à Internet da história da hidropirataria, está lenvando a uma suposta proposta de se montar uma CPI sobre o tema!  Diante disso, publico aqui um sério artigo datado de 2004 de um professor da UFRJ e ex-presidente da ANA e da ANEEL Jerson Kelman.

Por: Jerson Kelman
Será que a enorme quantidade de água existente na Amazônia está mesmo despertando a cobiça dos países sob stress hídrico, como uma vez ou outra se lê em alguns jornais? Se a hipótese for verossímil, temos que agir para evitar que nossa riqueza seja surrupiada. Se for inverossímil, temos que parar de nos preocupar e direcionar nossa atenção para temas mais urgentes. Vamos por partes...
Se, por hipótese, todos os seis bilhões de seres humanos que habitam o planeta fossem convencidos a beber apenas água engarrafada do rio Amazonas, seria necessário utilizar o volume médio por ele despejado no mar durante apenas 1,5 minuto para atender toda a demanda diária mundial. Entretanto, como a maior parte da humanidade não consome água engarrafada, o volume despejado em menos de dois segundos seria suficiente para abastecer todas as garrafas de água de mesa consumidas no mundo, ao longo de um dia, cerca de 360 milhões de litros. Portanto, “tamanho não é documento”, pelo menos no que diz respeito à vantagem comparativa entre diversas fontes de água de mesa. O que, sim, constitui “documento” é a existência de certos elementos químicos nas águas minerais. E neste quesito a água do Amazonas não é excepcional, se comparada às fontes existentes em todo o mundo.
Água é insumo de processo produtivo, tanto na agricultura como na indústria. Cerca de 70% da água que é retirada dos rios é utilizada na irrigação porque, como regra geral, é necessária uma grande quantidade de água para produzir uma pequena quantidade do produto final. Por exemplo, são necessários cerca de mil quilos de água para produzir um quilo de grãos. Ou, para cada quilo de frango, dois mil quilos de água. Como o custo do transporte rodoviário, ferroviário ou aquaviário de dois mil quilos de água é, em geral, superior ao preço de venda de um quilo de frango, não há viabilidade econômica da exportação de água para esta finalidade, e para outras assemelhadas.
Apesar disto, já ocorre comércio de água entre países. É o caso, por exemplo, do acordo para exportação de 50 bilhões de litros por ano da Turquia para Israel, por meio de navios supertanques, cada um com capacidade de transporte de, pelo menos, 200 milhões de litros, ao preço de aproximadamente R$ 0,002 por litro. Será que poderíamos entrar na competição e vencer os turcos na venda? Afinal, levaria menos de 5 minutos de descarga do rio Amazonas para encher os 250 navios que transportariam toda a água transacionada ao longo de um ano, no valor de R$ 100 milhões. Será que poderíamos tomar partido da abundância hídrica da Amazônia para ofertar um significativo desconto já que, no caso específico, o custo de oportunidade da água é nulo?
Lamentavelmente a resposta é não. O Brasil não seria páreo para a Turquia porque o custo de transporte do Brasil para Israel supera o da Turquia em mais de R$ 0,002 por litro (ou R$ 2,00 por tonelada). Em outras palavras, mesmo que o Brasil decidisse doar a água, ainda assim seria mais vantajoso para Israel comprar da Turquia.
Não se pode dizer que Israel esteja pagando barato. Afinal, ao custo de R$ 0,002 por litro é possível transformar água do mar em água potável, por meio do processo de dessalinização. É de se supor que a opção de Israel pela importação de água, em vez da dessalinização, decorra do desejo de manter boas relações com um país de grande importância estratégica na região.
Como não temos países vizinhos carentes de água e localizados a curta distância do rio Amazonas, não é economicamente verossímil que a abundância hídrica da região venha a contribuir diretamente para reforço de nossa balança comercial, pelo menos, digamos, nos próximos vinte anos. Entretanto, não se deve descartar a hipótese da questão hídrica vir a ser utilizada como disfarce para outras cobiças sobre a região, particularmente, com relação ao uso comercial da biodiversidade.
Existem sim navios que usam água do rio Amazonas como lastro. Neste caso temos que nos preocupar com a operação de lavagem de tanques, que pode poluir o rio, e com a eventual introdução de espécies exóticas, como o mexilhão dourado.

KELMAN, J. Hidropirataria na Amazônia. Folha do Meio Ambiente, Ponto de Vista, ano 15, n 152, Brasília, outubro de 2004.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

UMA HOMENAGEM A TODOS OS ÍNDIOS DO BRASIL

Somos filhos da terra cor de urucum.
Dos sons do igarapé e da força do jatobá.
Das águas do Araguaia, do Tapajós, do Iguaçu.
Somos filhos do sol de Kuaray, da lua de Jaci.
E da chuva que semeia o guaraná, a pitanga e o aipim.
Somos filhos dos mitos.
Do uirapuru e seu canto, do vento e do pranto.
Guerreiros, fortes, sábios.
Somos Ianomânis, Guaranis, Xavantes, Caiabis.
E o que somos nunca deixaremos de ser.
Uma homenagem para o dia 19 de abril o Dia do Índio. Abraços.

Autora: Zeli Poa
(Jornal Zero Hora)


sexta-feira, 16 de abril de 2010

O fundo da folia na área do Farol da Barra

Em 5/03/2010, publicado por Fabiano Barretto. Categoria: Bernardo Mussi, Featured Articles, Green Wave  


Só que ao invés de estarem pulando, dançando e se beijando ao som frenético e ensurdecedor dos trios elétricos, os foliões do fundo do mar estavam rolando de um lado para o outro numa mórbida coreografia, empurrados silenciosamente pelo balanço do mar, sem dança, sem alegria, sem vida e sem poesia.

Dez dias após o carnaval, resolvi mergulhar com dois amigos na área do Farol da Barra para confirmar a notícia de que havia uma quantidade absurda de lixo espalhada pelo fundo do mar naquela área.

Mesmo com a água um pouco suja por causa das chuvas do dia anterior, logo identificamos o local. Na verdade o lixo não estava espalhado, mas concentrado em um canal provavelmente em razão do movimento das marés. Uma cena lamentável! Eram pelo menos mil e quinhentas latinhas metálicas e garrafas plásticas.

Da superfície o visual parecia com as imagens áreas que vemos dos blocos de carnaval durante a festa momesca. Só que ao invés de estarem pulando, dançando e se beijando ao som frenético e ensurdecedor dos trios elétricos, os foliões do fundo do mar estavam rolando de um lado para o outro numa mórbida coreografia, empurrados silenciosamente pelo balanço do mar, sem dança, sem alegria, sem vida e sem poesia.
 
Assustados, decidimos não retirar o material naquele dia na esperança de tentar sensibilizar algum veículo de comunicação para fazer uma matéria com imagens subaquáticas. A intenção era compartilhar aquela agressão carnavalesca com nossa população e os donos da folia.

Fizemos contato com pelo menos três emissoras e todas pediram que enviássemos e-mails com fotos, o que fizemos imediatamente. Aguardamos respostas por dois dias e como não tivemos qualquer retorno, optamos por retirar o lixão de lá para evitar maiores danos.


A bem da verdade estávamos super desconfortáveis com nossas consciências por termos testemunhado aquela cena e deixado para resolver o problema dias após. Mas tínhamos que tentar a matéria para que a ação não se resumisse somente à coleta do material.


Tínhamos em mente que a repercussão sensibilizaria os empresários e artistas do carnaval, os órgão públicos, a imprensa, as empresas financiadoras e nossa gente. A tentativa foi boa, mas não rolou…

Fomos então, no terceiro dia após o primeiro mergulho, retirar o material. Antes, porém, fiz questão de chamar um amigo que tem uma caixa estanque para filmarmos a ação e guardarmos o documentário visando trabalhos futuros e até mesmo a matéria que queríamos na TV.

Sem cilindro de ar e contando apenas com duas pranchas de SUP (Stand Up Paddle) e alguns sacos grandes, éramos quatro mergulhadores ousados retirando do fundo do mar tudo o que podíamos naquela tarde.



Pouco antes de o sol se pôr conseguimos finalmente colocar todo o lixo na calçada.
Muitos curiosos, inclusive turistas, olhavam intrigados a nossa atitude e a todo o instante nos questionavam sobre a origem daquele resíduo. A resposta estava na ponta da língua: Carnaval!

Vou logo informando aos amigos leitores que não sou contra o carnaval, muito pelo contrário, sou fã por diversos motivos, mas acho que a realidade da festa não guarda a menor relação com as belíssimas cenas, as informações rasgadas de elogios e a excessiva euforia amplamente divulgada pela mídia.
Sei que o comprometimento com os patrocinadores e aquela velha guerrinha de vaidades contra os carnavais de outros estados como Pernambuco e Rio de Janeiro, acabam conspirando para isso. Mas vejo aí um modelo cansado, super dimensionado, sem inovações socialmente positivas e remando na direção oposta ao desenvolvimento sustentável da nossa cidade.
Aquele lixo submarino é um pequeno sinal deste retrocesso. Pior, patrocinado solidariamente pelos grandes empresários, artistas e principalmente pelo poder público que tem o dever de melhorar nossa segurança, nossa saúde e educação.



Aproveito o embalo para incluir indignação semelhante sobre os eventos realizados na praia do Porto da Barra durante o verão.
O “Música no Porto” e o “Espicha Verão” não tem trazido nada de bom para nossa cidade, além da oportunidade de vermos ótimos artistas de perto e de graça. De resto, o lixo, o mau cheiro, a degradação ambiental, o xixi pelas ruas, a impressionante quantidade de ambulantes amontoados por todos os espaços públicos e a agressão aos patrimônios históricos, são um grande “pé na bunda” do turista de qualidade.



É o mesmo que olhar para uma bela maçã com a casca brilhante e aspecto suculento, porém, apodrecida por dentro…
Naquele final de tarde acabamos contemplando um por do sol diferente. O monte de lixo empilhado na calçada do Farol da Barra virou atração. E como Deus é grande, fomos brindados com a presença de valorosos catadores de rua para finalizar a limpeza.

Desta ação, além das ótimas imagens documentadas em vídeo, resta rezar para que os donos do carnaval, dos eventos no Porto da Barra e nossos queridos foliões se toquem que algo tem que mudar.

O fundo do mar não merece aquele bloco reluzente e, ao contrário do asfalto, o oceano costuma revidar violentamente as agressões sofridas.
Não tem alegria alguma no fundo da folia!

Galera vamos divulgar isso...
Que miséria e essa!?
.
.
.
vamos ajudar nessa, fale com todo mundo que vc conhece!!!!

 

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Geraldo Azevedo na Lona Cultural Renato Russo

Show imperdível na Ilha do Governador

Geraldo Azevedo


Sexta-feira dia 16.04.2010 às 21h.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Chuvas e Hipocrisia

Por: Paulo Alentejano* em 12 abril 2010 03:03  

Nestas horas em que centenas de pessoas morrem ou ficam desabrigadas em função do desabamento de encostas, enchente e transbordamento de rios, proliferam na mídia textos e entrevistas de “especialistas” que buscam apontar as causas ”naturais” e “antrópicas” que explicariam tais “tragédias”. Alguns destes textos e entrevistas são mais sérios, outros mais oportunistas. Uns mais pontuais, outros mais abrangentes. Alguns mais contundentes na crítica aos governantes de plantão, outros mais benevolentes. Mas, poucos vão a fundo na análise do conjunto de questões que estão envolvidos nesta complexa problemática.
O que nenhum texto, entrevista ou declaração que circulou nestes últimos dias disse é que tudo isto tem a ver com o modelo de desenvolvimento vigente no Brasil desde meados do século XX, baseado na modernização acelerada, seletiva e conservadora do campo e da cidade. E a raiz do problema está na forma acelerada com que se expulsou do campo brasileiro no último século mais de 50 milhões de pessoas. A perpetuação do controle das terras pelo latifúndio e a modernização deste estão na origem da expulsão desta enorme massa de trabalhadores rurais, os quais foram precariamente absorvidos pelas grandes cidades brasileiras. A histórica reivindicação da reforma agrária foi não só negada, como substituída por uma política de incentivo ao desenvolvimento de tecnologias poupadoras de mão-de-obra no campo, levando ao aumento da concentração fundiária e ao desemprego e subemprego generalizados no campo e à conseqüente expulsão de grandes contingentes de trabalhadores rurais para as cidades.
E para onde foram estes trabalhadores? Para as áreas das grandes cidades que não interessavam ao grande capital imobiliário, por contados custos de produção mais elevados: as encostas dos morros e as várzeas dos rios. Não porque inexistam espaços urbanos vazios em melhores condições para a moradia destas pessoas, mas porque estes vazios estão controlados pelo capital imobiliário, aguardando a valorização destas áreas. Da mesma forma, há um sem número de prédios e apartamentos vazios nas nossas grandes cidades, mas estes não podem ser ocupados por estas pessoas, pois o “sagrado direito de propriedade” garante o direito dos proprietários de mantê-los vazios, mesmo que isto signifique empurrar milhares de pessoas para morar em áreas “de risco”.
Portanto, o que está raiz das centenas de mortes que se repetem a cada chuva é a propriedade privada!!! Enquanto o direito de propriedade imperar sobre o direito à vida estas tragédias se repetirão. Enquanto a reforma agrária não for feita, permitindo que muitos trabalhadores que foram expulsos do campo tenham o direito de para lá retornar e queo utros que ainda lá estão não sejam expulsos, estas tragédias se repetirão. Enquanto a reforma urbana não for feita, colocando à disposição dos trabalhadores os terrenos e as moradias mantidos fechados pelos especuladores urbanos, estas tragédias se repetirão.
É certo que a geografia do Rio de Janeiro favorece a ocorrência dedeslizamentos de encostas e transbordamento de rios, mas não é certo que os trabalhadores só tenham a possibilidade de morar nestes lugares, nem que devam morrer por causa disso. É certo que também desabaram encostas onde havia mansões, mas só morreram os pobres. É certo que todos na cidade sofreram com as chuvas, mas o grau desofrimento é incomparável.
E agora o que vemos se descortinar é mais um exemplo da hipocrisia das nossas elites, através da multiplicação das declarações de políticos e editorias da grande imprensa defendendo a remoção das populações residentes em áreas “de risco” em nome da “segurança destas próprias pessoas”. Trata-se da retomada de uma das práticas mais autoritáriasl evadas a cabo na construção do espaço urbano de nossas grandes cidades e que longe de proteger “os pobres” acentuou as nossas mazelas sociais. Ou esquecemos que as favelas removidas do entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas deram lugar a prédios de alto luxo enquanto a população que aí residia foi deslocada para lugares como a Cidade de Deus, repleta de problemas de infraestrutura e internacionalmente famosa pela violência.
Se o propósito é realmente o de proteger os trabalhadores que moram nas “áreas de risco”, então vamos destinar imediatamente para moradia as centenas de prédios – alguns inclusive públicos – que se encontram hoje vazios na cidade e no estado do Rio de Janeiro. Podemos começar pelos da região portuária do Rio, onde há inúmeros prédios e terrenos públicos e privados abandonados...
Mas, não, isso não é possível, afinal esta área já está destinada paraos mega empreendimentos imobiliários voltados para a modernização da região portuária do Rio, visando a Copa do Mundo e as Olimpíadas...
A hipocrisia das elites brasileiras é incomparável... E inconcebível!

*Paulo Alentejano – Professor do Departamento de Geografia daFFP/UERJ, integrante da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) eda Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA).

Aquífero descoberto no Norte seria o maior do mundo‏

Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) divulgarão oficialmente na semana que vem a descoberta do que afirmam ser o maior aquífero do mundo. A imensa reserva subterrânea sob os Estados do Pará, Amazonas e Amapá tem o nome provisório de Aquífero Alter do Chão - em referência à cidade de mesmo nome, centro turístico perto de Santarém.
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"Temos estudos pontuais e vários dados coletados ao longo de mais de 30 anos que nos permitem dizer que se trata da maior reserva de água doce subterrânea do planeta. É maior em espessura que o Aquífero Guarani, considerado pela comunidade científica o maior do mundo", assegura Milton Matta, geólogo da UFPA. A capacidade do aquífero não foi estabelecida. Os dados preliminares indicam que ele possui uma área de 437,5 mil quilômetros quadrados e espessura média de 545 metros. "É menor em extensão, mas maior em espessura do que o Guarani."
Matta cita a porosidade da rocha em que a água está depositada como um dos indícios do potencial do reservatório. "A rocha é muito porosa, o que indica grande capacidade de reserva de água. Além do mais, a permeabilidade - a conexão entre os poros da rocha - também é grande."
Segundo ele, apesar de as dimensões da reserva não terem sido mapeadas, sai do aquífero a água que abastece 100% de Santarém e quase toda Manaus. "A vazão dos poços perfurados na região do aquífero é outro indício de que sua reserva é muito grande", afirma Matta.
Para o geólogo Ricardo Hirata, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, a comparação com o Guarani é interessante como referência, mas complicada. "O Guarani é um aquífero extremamente importante para o Brasil e para a América Latina, mas não é o maior do mundo. Há pelo menos um aquífero, na Austrália, que é maior que o Guarani", contesta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/11042010/25/manchetes-aquifero-descoberto-no-norte-seria.html