quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Outros Muros


Por Cristovam Buarque

Esta semana, o mundo comemorou o 20º aniversário da derrubada do Muro de Berlim, símbolo da divisão entre países. Além de comemorar, devemos lembrar que construímos três outros muros.

O primeiro separa os pobres dos ricos, não importa o país em que vivam. Como um muro ou uma Cortina de Ouro que serpenteia pelo planeta, cortando cada país em duas partes.

De um lado, aqueles com recursos para estudar até o doutorado; de outro lado, os que não saem do analfabetismo ou, no máximo, chegam à 4ª série. Alguns têm acesso à saúde, outros são abandonados à doença e morte. Uns têm um sistema de saúde que lhes permite a esperança de chegar aos 80 anos; para os outros, a esperança de vida é de 39 anos apenas. De um lado da Cortina de Ouro, a renda per capita é de US$20 mil por ano, do outro lado, de US$500 por ano.

Esse é um muro tão brutal quanto o muro que separava a Alemanha em duas. Mas uma brutalidade que esquecemos, como se a derrubada do Muro de Berlim tivesse sido suficiente para construirmos um mundo sem muros. Mas esse não é o único muro que criamos. Ao contrário, temos diversos muros para manter a separação entre um lado e outro da sociedade.

O segundo muro separa a atual geração das futuras gerações. É o muro que decorre da destruição ecológica. Até aqui, as gerações seguintes tinham certeza de uma vida melhor que a de seus pais. Este não é mais o caso, porque o muro da ecologia separa os que hoje têm acesso a uma agricultura que produz mais do que o necessário para alimentar todas as pessoas da atualidade daqueles que, num futuro breve, terão uma agricultura desarticulada, incapaz de alimentar a população; daqueles que viverão o risco da elevação do nível do mar invadindo o litoral e inundando as casas. Que nos separa de nossos filhos e netos. Esse muro separa as gerações fazendo com que possamos usufruir de uma diversidade biológica a que os próximos seres humanos não terão direito, porque desaparecerá por causa do aquecimento global.

O mundo que há 20 anos tinha uma Cortina de Ferro e um Muro de Berlim, hoje, tem uma Cortina de Ouro separando pobres e ricos, e outra separando a geração atual das gerações futuras. É a civilização dos muros nas fronteiras entre países, muros dos condomínios fechados e dos shoppings centers, dos hospitais de qualidade, das boas escolas.

Uma terceira cortina faz com que, de um lado, estejam aqueles que se acostumaram à vida no mundo digital, que convivem com os chips, e do outro estão aqueles que têm apenas as mãos, sem conhecimento necessário para lidar com as tecnologias do tempo atual.

Hoje o mundo está mais dividido do que estava há 20 anos, quando o Muro de Berlim ainda estava de pé.

Precisamos dar um salto para irmos além do que foi feito 20 anos atrás, e derrubarmos os muros que continuam impedindo a humanidade de viver a decência da mesma oportunidade entre as classes sociais atuais e as gerações futuras.

Antes, o debate era para saber como um lado derrubaria o muro destruindo o sistema social e econômico que estava do outro lado, espalhando o do vencedor. Agora, o desafio é como construir um mundo sem muros. O Brasil tem todos esses muros, mas tem os recursos necessários para construir um país sem muros.

Alguns países não têm necessidade de derrubar os muros, outros não têm condições de derrubá-los. O Brasil tem a necessidade e as condições. Além disso, temos uma massa crítica de intelectuais e políticos capazes de entender esse problema, e liderarem as mudanças necessárias.

Fonte: Artigo publicado no Jornal do Commercio de sexta-feira, 13 de novembro de 2009.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"Praga branca" está destruindo recifes de corais de Abrolhos‏

Habitat em Perigo

Pesquisadores têm constatado um grave e eminente dano ambiental num dos maiores santuários de recifes de corais do litoral brasileiro. O mal denominado “praga branca” está destruindo aos poucos os recifes do Banco de Abrolhos. Localizado no sul da Bahia, Abrolhos é um complexo marinho que abrange 42 mil quilômetros quadrados e é habitat de inúmeras espécies,considerado essencial para o equilíbrio do ecossistema na região. Os fatores que desencadeariam a “praga branca” seriam a elevação da temperatura global e a poluição no oceano.

A doença, provocada por bactérias, ataca os corais-cérebros, espécie que é a principal responsável pela estrutura rígida dos recifes. De acordo com o estudo desenvolvido pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), existe a possibilidade de que todos os recifes da região sejam atingidos de forma irreparável até 2050.

O biólogo da UEPB e coordenador da pesquisa, Ronaldo Francini Filho, divulgou que o percentual atingido pela doença até o momento já chega a 10%, podendo ser ainda maior no próximo verão.

Fontes:
http://www.bahiadiadia.com.br/news.php?item.1419.4
http://www.anda.jor.br/?p=32357

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O uso do óleo de cozinha, por Germano Woehl Junior*


Por que esta preocupação com óleo de cozinha usado, que é 100% biodegradável? Porque dá dinheiro e tem gente oportunista se aproveitando da falta de informação das pessoas para obter matéria-prima de graça. Será mesmo que eles estão preocupados com o meio ambiente?

Por que não se preocupam com o óleo que vaza dos motores dos carros e caminhões? Reparem nas vagas de estacionamento quanto óleo vaza do cárter dos veículos. E quanto aos lubrificantes que são descartados no ambiente de qualquer jeito? E os resíduos de óleo (filtros, peças quebradas e estopas encharcadas de óleo) das oficinas mecânicas desovadas em áreas preservadas? Estes resíduos é que poluem para sempre, já que não são biodegradáveis e afetam gravemente a saúde das pessoas e são cancerígenos.

O óleo de cozinha é um resíduo totalmente biodegradável e se fosse tão terrível assim não poderia ser usado como alimento. O volume que é lançado no esgoto não chega a ser mais do que um litro por 100 mil litros de esgoto. A própria água é um bom solvente de óleos vegetais. Por isso, nunca ninguém viu um filme de óleo de cozinha na estação de tratamento de esgoto, muito menos nos rios. O impacto de pasta de dente, sabão, xampu, detergentes, produtos de limpeza em geral, resíduos de remédios, hormônios dos humanos é muito maior.

Para as pessoas, apenas um litro de óleo de cozinha usado não vale nada. Mas para quem consegue juntar centenas de litros sem ter custos vale bom dinheiro. Então, tudo o que precisam para conseguir matéria-prima de graça (e faturar) é de uma boa propaganda enganosa de que as pessoas ajudam o meio ambiente se depositarem o óleo de cozinha usado em algum lugar.

Com este lucrativo negócio de obter matéria-prima a baixo custo, ou até de graça, estão proliferando indústrias químicas altamente poluentes para processar óleo de cozinha e transformá-lo em algo altamente nocivo para o planeta, em combustível, tintas e vernizes, substâncias que não degradam nunca mais e que vão poluir mais ainda o planeta e agravar o problema do aquecimento global. Que ajuda para a natureza é essa?

A indústria que processa óleo de cozinha é uma indústria química como qualquer outra e requer, portanto, atenção especial dos órgãos de fiscalização ambiental. A transformação do óleo de cozinha em biodiesel, por exemplo, consome vários insumos (substâncias químicas) e gera resíduos altamente tóxicos e perigosos que necessitam de destinação especial, em locais devidamente licenciados para receber este tipo de material tóxico, e isso custa caro.

Nada contra as entidades assistenciais coletarem o óleo de cozinha para arrecadar fundos. Mas não é ético apelar para a questão ambiental enganando as pessoas ao dizer que elas ajudam o meio ambiente se depositarem o óleo usado. Porque, com certeza, não ajudam. Trata-se de um apelo de marketing enganoso. As pessoas ajudariam o meio ambiente se diminuíssem um pouco o consumo de óleo de cozinha. O impacto considerável que o meio ambiente sofre é para produzir o óleo. Basta ver os índices de desmatamento batendo recordes sucessivos para plantar soja.

E justamente nessa questão mais crucial, neste momento em que vivemos, estas campanhas deixam a desejar, porque passam uma falsa ideia de que não há problemas em consumir à vontade o óleo de cozinha. Ou seja, aliviam nossa consciência e podem até estimular as pessoas a consumirem mais óleo de cozinha.

*Físico e ambientalista

Fonte:
http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2719663.xml&template=4187.dwt&edition=13541&section=882
Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
http://www.ra-bugio.org.br/

Acompanhe nosso trabalho de Educação Ambiental nas escolas para salvar a MATA ATLÂNTICA

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Geografia da Vida Humana - 1903 - Interagindo com a Terra - Tsunessaburo Makiguti

Tsunessaburo Makiguti (1900)

Jinsei Chirigaku
Geografia da Vida Humana (1903)
Nascemos na Terra. Somos inspirados pela Terra e morremos na Terra. A Terra é nosso lar. Lidar com a Terra pode ser o primeiro passo importante em nossos preparativos para aprender sobre o mundo que nos foi dado ao nascermos, a Terra que nos nutre a cada dia que vivemos. Então, como podemos observar e fazer contato com nosso ambiente?
Em primeiro lugar, podemos dizer que há duas formas como interagimos com a Terra. Uma é física, a outra é espiritual. Nosso contato direto e inicial com a Terra é físico, como com os outros animais e as plantas. Em outras palavras, todas as conexões que fazemos com a Terra são feitas através de nosso organismo. Mas é por meio de nossa interação espiritual com a Terra que as características que pensamos como verdadeiramente humanas são despertadas e nutridas em nós. Imagine-se em ambiente tranqüilo cercado de campos verdes, água límpida, montanhas majestosas e rios dirigindo-se aos oceanos, o vento tocando suavemente nossas faces enquanto os raios de sol descem através das nuvens. Seu coração e espírito ficam arrebatados pela beleza, frescor e maravilha da experiência.

“Esse estado inquiridor da mente é o ponto de partida para uma interação mais profunda com o nosso ambiente e um verdadeiro aprendizado.”
É como se o coração e a mente que estavam adormecidos são repentinamente despertos e estimulados para buscar uma comunhão intelectual com o ambiente. Nossa curiosidade natural acelera e começamos a apreciar a maravilhosa diversidade da natureza, quem sabe nos tornando curiosos sobre a cultura e os costumes do local. Esse estado inquiridor da mente é o ponto de partida para uma interação mais profunda com o nosso ambiente e um verdadeiro aprendizado.
Interação e crescimento
Inicialmente, nossa interação com o ambiente pode ser superficial. Você observa as montanhas e os rios, por exemplo, apenas em um nível muito superficial, como alguma coisa “lá”. Mas, à medida que desenvolve sua própria vida e seus interesses pessoais, não ficará satisfeito com essa superficialidade. Desejará ir além e experimentar formas mais profundas de associação. O tipo ou tipos particulares de interação que terá com o mundo ao redor em um momento de sua vida dependerá, em primeiro lugar, de quem ou o que você é, e em segundo, quando e como a interação ocorre.
Algumas pessoas, assim que se tornam familiarizadas com seu ambiente, ficam curiosas para aprender mais sobre as rochas, árvores, qualidade da água, energia hidráulica etc. e começam a pensar como fazer uso delas. Podem imaginar e conhecer mais sobre alturas, extensão, formas, origens e meios pelos quais essas várias características fundamentais influenciam seu ambiente. Ou podem querer ver essas mesmas coisas com olhos artísticos e expressar essa experiência na poesia, literatura, pintura ou música. Por outro lado, podem perceber a montanha, o rio ou o rochedo diante delas como um campo de treinamento para sua resistência física ou bravura. Ou ainda podem perceber a união da natureza com o cosmo vendo a mesma montanha ou rio.
Existem, portanto, diferentes níveis ou profundidades pelos quais uma pessoa pode interagir com o ambiente.
É por meio da interação com esse mundo exterior que experimentamos um crescimento pessoal saudável e equilibrado. Portanto, digo que esse mundo exterior, especialmente o ambiente natural, pode ser verdadeiramente um educador, nosso esclarecedor, líder e conselheiro. Nossa felicidade na vida está muito conectada com a natureza; ela depende da intimidade ou da profundidade de nosso relacionamento com a natureza.
Quando indivíduos cujas características tornaram-se equilibradas e moralmente maduras por meio de profundas interações com o ambiente natural se reúnem, a sociedade que criam propiciará um ambiente social aberto e saudável, capaz de nutrir o crescimento individual.

Tsunessaburo Makiguti (1871–1944) foi um educador reformista que, em 1930, fundou a Soka Kyoiku Gakkai (Sociedade Criadora de Valores), precursora da atual Soka Gakkai.
Este artigo é um excerto da obra Geografia da Vida Humana, publicada pela primeira vez em 1903.

Fonte: http://www.bsgi.org.br/publicacoes_quarterly_44destaque_08.htm

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Biodiversidade será a próxima onda do mercado

20/10/2009 - 15:59:08
Fernanda B. Muller, do CarbonoBrasil
A frente de projetos de conservação e preservação ambiental no Paraná, o diretor-executivo da ONG SPVS, Clóvis Borges, conversou com a CarbonoBrasil durante o VI Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação em Curitiba sobre seus projetos e sua visão sobre o pagamento por serviços ambientais.

Durante sua palestra, o Senhor comentou que a cobertura da floresta de araucária no Paraná não ultrapassa 0,4% da área original. Considerando este dado, qual a sua opinião sobre a eficácia do ICMS Ecológico?

Clóvis Borges - Ele é importante, mas não é suficiente. O que eu quis demonstrar é que você tem instrumentos disponíveis hoje, mas que no quadro geral demandam outras iniciativas. O que não é suficiente é o instrumento de fiscalização isoladamente, é um instrumento de vigor de lei ou mesmo uma tentativa generalista das pessoas serem afáveis a questão do meio ambiente. Estou falando em conservação da biodiversidade, do espaço, e isso é uma visão muito genérica, superficial, que a maioria das pessoas acaba traduzindo hoje como a sua agenda ambiental. A conservação da natureza está fora da agenda ambiental. O ICMS ecológico acaba servindo como um reconhecimento para quem tem áreas, acidentalmente ou não, mas é um instrumento bom. Ele ajuda o prefeito e não o proprietário. O que nós estamos negociando hoje em Guaraqueçaba, onde temos uma reserva de sete mil hectares, é dividir isso com o prefeito. E ele está topando. Há algum tempo as instituições estão discutindo a necessidade de rachar este dinheiro.

Na sua opinião, esses mecanismos de pagamento pelo carbono, mas que acabam incluindo os serviços ecossistêmicos, são uma forma de ajudar na conservação?

Clóvis Borges - São. Nós temos que ter consciência que no mundo inteiro, as últimas áreas naturais estão sendo oprimidas. No Sul do Brasil a situação é ainda mais difícil, pois são os últimos remanescentes. Se falamos em 0,4%, 0,8%, 1% ou 5% já é muito aquém do que seria razoável. E você continua tendo pressão sobre isso e não tem instrumentos para conservar essas áreas para a própria sociedade. O discurso da sustentabilidade e do socioambientalismo tem uma perversidade em esconder os fatos. Só que não adianta ficar dado voltas, tem que conservar o espaço físico e, como você tem uma possibilidade muito pequena, conservar só não adianta, tem que preservar. Se você deixar essas áreas desaparecerem, tudo o que você precisaria fazer daqui para frente fica comprometido. É menos ciência e mais bom senso.Tem um exemplo na China onde uma montanha foi minerada deixando um paredão negro, o que incomodou a população dos arredores que mandou comprar 18 mil galões de tinta verde para pintar a montanha. Nós somos pintores de montanhas, enquanto que o problema continua. O pouco investimento que existe, é descompromissado de uma visão estratégica.

A SPVS tem projetos com pequenos agricultores. Como eles funcionam?

Clóvis Borges - É uma modalidade bem interessante para nós. Vamos fazer um teste de adoção de áreas de pequenos proprietários (em torno de 15 a 20 hectares) que em grande parte dos casos não são muito representativas isoladamente e, por serem pequenas, sofrem uma pressão muito grande. Pretendemos adotar uma metodologia na qual o grupo se comprometa, definindo, por exemplo, alguns trechos de faxinais (como no caso do sul do Paraná) como área intocada. A comunidade receberia pelo uso sustentável desses remanescentes, que seria a preservação. E alguém tem que pagar por isso.

Seria um pagamento por serviços ambientais (PSA)?

Clóvis Borges - Veja, temos que pagar pelos serviços ambientais para qualquer fim de preservação. Unidade de Conservação pública merece receber PSAs, por exemplo, a Serra do Tabuleiro, ao invés de tirar uma boa parte dela, o governo do estado (Santa Catarina) poderia abrir uma concorrência, ou um leilão. A ignorância, no sentido que a informação existe e não é assimilada em função de interesses econômicos, é imposta como um método para beneficiar determinados setores da economia.
O que impressiona muito é que o tema do combate ao aquecimento global está muito mais na mídia e está muito mais sensível do que um que está explicito há décadas no país, que é a destruição da natureza e os prejuízos decorrentes da destruição, como o que aconteceu em Santa Catarina no ano passado ou que acontece no Paraná desde a década de 1960. O grande empréstimo com o Banco Mundial que a sociedade paranaense fez para desenvolver-se foi para controlar a erosão por conta do uso truculento do território. Este dinheiro não foi investido em tecnologia e nem educação.

Como funciona o projeto de desmatamento evitado da SPVS?

Clóvis Borges - Não é restauração, não usamos reflorestamento. É preservação. A primeira questão para explicar o desmatamento evitado é o fato de praticamente não se ter mais remanescentes naturais e eles ainda estarem sendo suprimidos. A restauração e o reflorestamento não são prioridades para a conservação da natureza, mesmo que o empresário adore plantar mudas e apesar de ser uma atividade louvável que complementa a proteção dos remanescentes. Além disso, a restauração é complexa e mais cara do que a preservação de áreas.
Nós criamos um modelo, uma ponte entre empresários (os convencendo que isto seria estratégico) e proprietários, também numa busca não muito simples, pois não é fácil hoje achar quem queria conservar. Quando se acha esse proprietário, 50% do que ele ganha é referente ao resgate do orgulho, de ser reconhecido por aquele esforço.

São RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural)?
Clóvis Borges - Não precisa ser RPPN, é um programa de cinco anos com visitas mensais e a elaboração de um plano de manejo simplificado. O proprietário tem que investir parte do dinheiro neste plano, o dinheiro não vai pro bolso dele, tem uma sobra, mas a parte principal do recurso é para a execução do plano de manejo. Cinqüenta por cento vai para o proprietário e a outra metade a SPVS acaba gastando para fazer o monitoramento, a assistência e a montagem do plano de manejo. Se a SPVS tivesse uma escala maior seria muito menos que 50% (a sua parte). A gente procura colocar o máximo possível na mão do proprietário.
O que eu acho que é a tendência do mercado é que esta questão do carbono vai ser uma curva e que (o foco) voltará a ser a biodiversidade e os PSAs, não faz sentido pagar carbono e não pagar a água e os outros serviços ambientais.
(CarbonoBrasil)

Ecologia profunda - um novo renascimento - Fritjof Capra

Hoje estamos diante de uma série de problemas globais que prejudicam a biosfera e a vida humana de maneiras tão alarmantes que logo podem se tornar irreversíveis.
Chegamos a esse estágio, face o paradigma que configurou a sociedade ocidental e influenciou o resto do mundo. Esse paradigma consiste em uma série de idéias e valores entre eles: a visão do Universo como um sistema mecânico composto de estruturas elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade com uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado a ser alcançado pelo crescimento economico e tecnológico e por último a crença de que uma sociedade na qual a mulher é em toda a parte subordinada ao homem segue uma lei básica da Natureza. Esses valores estão perdendo a força e o novo paradigma, que pode ser chamado de visão holistica do mundo, vê o mundo como um todo integrado e não como uma reunião de partes dissociadas. Também pode ser chamado de visão ecológica, se o termo “ecológico” for usado em sentido amplo e profundo.
Este sentido amplo e profundo do ecológico está associado a uma escola filosófica e a um movimento global radical, conhecido como “Ecologia Profunda”.
O ambientalismo superficial é antropocentrico. Vê o homem acima ou fora da natureza, como fonte de todo valor, e atribui a natureza um valor apenas instrumental ou de uso. A Ecologia Profunda não separa do ambiente natural o ser humano nem qualquer outro ser. Vê o mundo como uma teia de fenômenos essencialmente inter-relacionados e interdependentes. Ela reconhece que estamos todos inseridos nos processos cíclicos da natureza e somos dependentes deles.
Finalmente, a consciência ecológica profunda é espiritual ou religiosa. Uma vez que o conceito de espirito humano é entendido como o modo de consciência no qual o indivíduo sente-se conectado com o cosmos enquanto um todo, torna-se claro que a consciência ecológica é espiritual em sua essência mais profunda. Não surpreende portanto, seja coerente com a chamada “Filosofia perene” das tradições espirituais - quer estejamos nos referindo à espiritualidade dos místicos cristãos, dos budistas, ou a filosofia e cosmologia subjacentes às tradições dos nativos americanos.
Toda a questão de valores é crucial para a ecologia profunda, ela é de fato a característica central que a define, ela baseia-se em valores egocêntricos (isto é, centrados na Terra) É uma visão do Mundo que reconhece o valor inerente da vida não-humana. Todos os seres são membros de Oikos-Lar Terreno, a comunidade une-se numa rede de interdependências. Quando essa percepção tornar-se parte da nossa consciência cotidiana, um sistema ético radicalmente novo emergirá.
Tal ética ecológica faz-se urgente hoje, especialmente na ciência, já que a maior parte do que os cientistas estão fazendo não é no sentido de promover e preservar a vida mas, destrui-la. Com físicos criando sistemas armamentistas que ameaçam varrer a vida do Planeta, químicos contaminando o meio ambiente, biólogos criando novos e desconhecidos microorganismos sem saberem as conseqüências, psicólogos e outros cientistas torturando animais em nome do progresso cientifico.
Por fim a visão de que os valores são inerentes a toda a Natureza viva está fundada na experiência ecológica profunda, ou espiritual, de que a Natureza e o EU são um só. Essa expansão do EU até chegar à identificação com a Natureza é o fundamento da ecologia profunda conforme reconheceu claramente Arne Naess: “O cuidado ocorre se o EU se expandir e aprofundar-se de maneira que a proteção da Natureza seja sentida e concebida como proteção a nós mesmos.”

Fritjof Capra é físico e teórico de sistemas, com PhD obtido na Universidade de Viena em 1965, antes de passar 20 anos dedicando-se à pesquisa em física de partículas. É diretor-fundador do Centro de Ecoalfabetização da Universidade de Berkeley (Estados Unidos). É autor de vários best-sellers internacionais, como “O Tao da Física”, “Ponto de Mutação”, “A Teia da Vida” e “As Conexões Ocultas

Fonte: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/ecologia-profunda-um-novo-renascimento/

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Operação Peixe Pirata apreende 2,5 toneladas de peixe no Rio de Janeiro

Depois de mais de 12 horas de uma megaoperação, o Ibama apreendeu nesta sexta-feira (6/11), em Arraial do Cabo (RJ), 2,5 toneladas de peixe que vinham sendo pescados de forma predatória na Reserva Extrativista (Resex) Marinha de Arraial do Cabo. O pescado apreendido pelos fiscais foi doado no próprio cais à Associação da Resex de Arraial do Cabo (Aremac) e à Associação dos Catadores de Lixo da localidade.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participou da operação coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), tendo chegado ao cais da Praia dos Anjos por volta das 10h. Logo depois, o ministro participou de ato de assinatura de criação de uma Unidade de Conservação em Arraial do Cabo, o Parque Natural Municipal da Restinga de Massambaba. Esta ação integrada foi de vital importância para a fauna ictiológica porque vem propiciar a continuidade da pesca artesanal sustentável, destacou o ministro.
O barco apreendido no local tinha 22 metros de comprimento e a pesca feita por ele era o que se chama de pesca de arrasto com portas, uma atividade pesqueira considerada devastadora para o meio ambiente porque uma corrente presa ao fundo da embarcação vai revolvendo o fundo do mar levando junto larvas de peixe e pequenos moluscos, que depois são descartados.
No local da operação foram detidos três homens que vão responder a inquérito e poderão ficar detidos por um período de um a três anos. Eles também vão pagar multas pela atividade ilegal.
De acordo com José Maurício Padrone, coordenador da Operação Peixe Pirata e assessor especial do MMA, a movimentação dos fiscais tem sempre que começar de madrugada, pois esse é o horário preferido para quem quer burlar a fiscalização. Para burlar nossa fiscalização, os grandes barcos pesqueiros trabalham de madrugada, na tentativa de não serem pegos, informou o coordenador.
Além dos agentes do Ibama, participaram da megaoperação fiscais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Batalhão Florestal da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro e do Grupamento Aeromarítimo da PM.
APA Marinha e Parque dos Corais
No mesmo dia, na parte da tarde, o ministro ainda participou da solenidade de posse do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Armação dos Búzios (RJ) e da assinatura de decretos da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha de Búzios e do Parque dos Corais. A legislação, além de incentivar o turismo ecológico no Parque dos Corais de Búzios, pretende preservar os bancos de corais e, para isso, definirá os tipos e as quantidades de embarcações que terão permissão para passar por cima dele, sem prejudicá-los, bem como os trechos em que os barcos poderão circular. Já na APA Marinha do Município, a partir do Decreto, será feito um plano de manejo para utilização da área com o objetivo de estabelecer o ordenamento pesqueiro e náutico da região.

Gerusa Barbosa
Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cientistas alertam sobre aumento no ritmo de perda da biodiversidade‏

Espécies ameaçadas [repassando por ANDA]
11 de outubro de 2009
O ritmo de perda da biodiversidade no mundo todo se acelerou nos últimos anos e será impossível cumprir com os compromissos internacionais de reduzir esta tendência até 2010, advertiu hoje um grupo de cientistas.
Em abril de 2003, ministros de 123 países de todo o mundo se comprometeram a alcançar, até 2010, “uma redução significativa da atual taxa de perda de biodiversidade em nível local, nacional e regional, como uma contribuição para atenuar a pobreza e em benefício de toda a vida sobre a Terra”.
No entanto, seis anos depois, não só não foi reduzido o ritmo de redução, mas ele aumentou até chegar a extremos alarmantes, segundo os especialistas.
“Com toda segurança não vamos cumprir o objetivo de reduzir a perda de biodiversidade até 2010 e, portanto, também vamos descumprir as metas ambientais dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de 2015″, afirmou Georgina Mace, vice-presidente do Diversitas.
O Diversitas é um programa internacional estabelecido em 1991 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês) e pelo Conselho Internacional para a Ciência, que promove pesquisas científicas sobre biodiversidade.
O programa organizará, de 13 a 16 de outubro, a II Conferência Aberta Científica na Cidade do Cabo (África do Sul), que contará com a presença de 600 especialistas do mundo todo, e que tem o objetivo de criar um mecanismo similar ao que existe para a luta contra a mudança climática, entre outros.
“As mudanças de ecossistemas e a perda de biodiversidade se aceleraram. Os ritmos de extinção de espécies são pelo menos 100 vezes mais elevados que os que existiam antes da aparição dos seres humanos e espera-se que sigam aumentando”, acrescentou Georgina.
Os especialistas concordam que o desmatamento, tanto para cultivar o solo quanto para a exploração de madeira, é a principal causa da perda de biodiversidade no planeta.
Anne Larigauderie, diretora-executiva do Diversitas, disse à Agência Efe que um estudo que será apresentado durante a conferência na Cidade do Cabo “aponta que o principal motivo é a mudança do uso da terra, essencialmente o desmatamento”.
Mas a situação mudará em 2050, já que a mudança climática será o principal causador da perda de biodiversidade.
Apesar de ainda faltarem 40 anos para esse momento, a situação já é alarmante para os cientistas, segundo declarou à Efe Hal Mooney, professor da Universidade de Stanford e presidente do Diversitas.
“O que acontece agora, e assusta a maioria dos cientistas, é que começamos a ver grandes impactos da mudança climática. Vemos novos elementos como consequência da mudança climática, como o aumento da frequência de incêndios e novas espécies invasoras que se estendem por todo o mundo”, afirmou.
Mooney explicou que a mudança climática cria grandes transtornos nos ecossistemas e muda as regras do jogo.“Em resposta à mudança climática, vemos como emigram espécies a lugares onde há outras espécies. Vemos mudanças sobre quando as árvores perdem suas folhas, mudanças muito pronunciadas, o que afeta como opera o sistema”, acrescentou.
Diante desta situação, “é preciso aumentar o nível de conscientização sobre a ameaça que a perda de tantas espécies representa para o planeta”, segundo Mooney.
Uma das soluções é a criação de um mecanismo similar ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).
A possibilidade de criar esse mecanismo foi discutida durante uma reunião ministerial realizada em Nairóbi (Quênia), na semana passada, e a decisão será anunciada durante a conferência na Cidade do Cabo, explicou Anne.
Espécies de água doce são as mais ameaçadas de extinção
Animais e plantas vivendo em rios e lagos são os mais ameaçados da Terra, devido ao colapso de ecossistemas, afirmaram cientistas no domingo.
Governos de todo mundo haviam firmado um acordo para redução da extinção de todas as espécies até 2010, durante a cúpula de 2002, em Johanesburgo. “Mau gerenciamento e a crescente necessidade dos homens por água estão levando ecossistemas de água doce ao colapso, tornando as espécies de água doce as mais ameaçadas da Terra”, afirmaram os representantes de um grupo de especialistas em biodiversidade, o Diversitas.
As taxas de extinção de espécies em água doce são “de quatro a seis vezes mais altas do que em habitats marinhos ou terrestres. ”Peixes, sapos, crocodilos e tartarugas estão entre as espécies de água doce ameaçados.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

2009 - Primavera das plantas vai acabar mais cedo

Quem ainda quiser ver ipês-amarelos, jacarandás-mimosos e sibipirunas floridos, deve correr para os parques de São Paulo enquanto há tempo.
O inverno chuvoso que acabou na semana passada antecipou a floração de várias espécies de árvores comumente encontradas na cidade. Com isso, a tendência é que esse colorido também desapareça fora de época, ainda nas primeiras semanas da primavera.
"Não é que a primavera do nosso calendário vai ter menos flores. Foi a primavera das plantas que começou desta vez mais cedo", diz Adriana Fidalgo, pesquisadora do Instituto de Botânica de São Paulo.
Ela explica que as chuvas de agosto e setembro estimularam o metabolismo das plantas. Combinada com dias ensolarados, as águas acabaram funcionando "como um gatilho" para a floração. Exemplo disso é a quaresmeira, típica dos três primeiros meses do ano, e que está florescendo em setembro. Os ipês-amarelos, cujas flores começavam a brotar apenas em setembro, já estavam coloridos em agosto. Agora, no final de setembro, estão vazios de flores.
De acordo com a pesquisadora, a antecipação da época das flores não é incomum. É um fenômeno típico em cidades grandes, onde as árvores têm mais contato com a poluição, além de estarem mais vulneráveis a alterações artificiais de temperatura e à pouca permeabilidade do solo. Isso não significa, no entanto, que o período das flores já tenha chegado ao fim. As azaleias, as paineiras e os malvaviscus, por exemplo, começaram a florescer em setembro. As primaveras também devem demorar para desaparecer da paisagem.
Além dessas, ainda é possível encontrar sibipirunas (amarelas, já no auge), ipês-brancos, patas-de-vaca (brancas e rosadas) e tipuanas (amarelas). "Várias outras plantas ainda estão brotando. Se as chuvas continuarem e o frio der trégua, podemos esperar mais flores para a estação", diz Adriana.
A tendência, conforme previsão do CPTec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), é que isso de fato aconteça. A primavera deve ser chuvosa e ter temperaturas mais altas do que a média para o período.

*(Fonte:Folha Online)

Educação: um retrato da sala de aula


Lailson Santos
Uma visão prática - Carnoy:
"Os professores devem ser treinados para ensinar – e não para difundir teorias genéricas"

Poucos especialistas observaram tão de perto o dia a dia em escolas brasileiras quanto o americano Martin Carnoy, 71 anos, doutor em economia pela Universidade de Chicago e professor na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, onde atualmente também comanda um centro voltado para pesquisas sobre educação.
Em 2008, Carnoy veio ao Brasil, país que ele já perdeu as contas de quantas vezes visitou, para coordenar um estudo cujo propósito era entender, sob o ponto de vista do que se passa nas salas de aula, algumas das razões para o mau ensino brasileiro.
Ele assistiu a aulas em dez escolas públicas no país, sistematicamente – e chegou até a filmá-las, além de falar com professores, diretores e governantes.
Em entrevista à editora Monica Weinberg, Martin Carnoy traçou um apurado cenário da educação no Brasil.

*COMO NO SÉCULO XIX*
Está claro que as escolas brasileiras – públicas e particulares – não oferecem grandes desafios intelectuais aos estudantes. No lugar disso, não é raro que eles passem até uma hora copiando uma lição da lousa, à moda antiga, como se estivessem num colégio do século XIX. Ao fazer medições sobre como o tempo de aula é administrado nos colégios que visitei, chamaram-me a atenção ainda a predominância do improviso por parte dos professores, os minutos preciosos que se esvaem com a indisciplina e a absurda quantidade de trabalhos em grupo. Eles consomem algo como 30% das aulas e simplesmente não funcionam. A razão é fácil de entender: só mesmo um professor muito bem qualificado é capaz de conferir eficiência ao trabalho em equipe ou a qualquer outra atividade que envolva o intelecto. E o Brasil não conta com esse time de professores de alto padrão. Ao contrário. O nível geral é muito baixo.

*MENOS TEORIA E MAIS PRÁTICA*
Falta ao Brasil entender o básico. Os professores devem ser bem treinados para ensinar – e não para difundir teorias pedagógicas genéricas. As faculdades precisam estar atentas a isso. Um bom professor de matemática ou de línguas é aquele que domina o conteúdo de sua matéria e consegue passá-lo adiante de maneira atraente aos alunos. Simples assim.
O que vejo no cenário brasileiro, no entanto, é a difusão de um valor diferente: o de que todo professor deve ser um bom teórico. O pior é que eles se tornam defensores de teorias sem saber sequer se funcionam na vida real. Também simplificam demais linhas de pensamento de natureza complexa.
Nas escolas, elas costumam se transformar apenas numa caricatura do que realmente são.

*QUE CONSTRUTIVISMO É ESSE?*
O construtivismo que é hoje aplicado em escolas brasileiras está tão distante do conceito original, aquele de Jean Piaget *(psicólogo suíço,1896-1980),* que não dá nem mesmo para dizer que se está diante dessa teoria. Falta um olhar mais científico e apurado sobre o que diz respeito à sala de aula. É bem verdade que esse não é um problema exclusivamente brasileiro. Especialistas no mundo todo têm o hábito de martelar seus ideários sem se preocupar em saber que benefícios eles trarão ao ensino. Há um excesso de ideologia na educação.
No Brasil, a situação se agrava porque,acima de tudo, falta o básico: bons professores.

Oscar Cabral
Tempo mal gasto
Ensino brasileiro: ausência de desafios intelectuais e excesso de improviso

*À CAÇA DE MESTRES BRILHANTES*
A chave para um bom ensino é conseguir atrair para a carreira de professo ros melhores estudantes. Basta copiar o que já deu certo em países comoTaiwan, que reuniu em seu quadro de docentes algumas das melhores cabeças do país. Ali, um professor ganha tanto quanto um engenheiro – o que, por si só, já atrai os alunos mais talentosos para a docência. Mas não é só isso. Está provado que, para despertar o interesse dos mais brilhantes pela sala de aula, é preciso, sobretudo, dar-lhes uma perspectiva de carreira e de reconhecimento pelo talento que os distingue.
No Brasil, o pior problema não está propriamente na remuneração dos professores, até razoável diante das médias salariais do país – mas justamente na ausência de um bom horizonte profissional.

*VIGILÂNCIA SOBRE OS PROFESSORES*
Os professores brasileiros precisam, de uma vez por todas, ser inspecionados e prestar contas de seu trabalho, como já ocorre em tantos países. A verdade é que, salvo raras exceções, no Brasil ninguém sabe o que eles estão ensinando em sala de aula. É o que me faz comparar as escolas públicas brasileiras às empresas pré-modernas. Elas não contam com mecanismos eficazes para cobrar e incentivar a produtividade. Contratam profissionais que ninguém mais no mercado quer, treinam-nos mal e, além disso, não exercem nenhum tipo de controle sobre eles. Hoje, os professores brasileiros estão, basicamente, livres para escolher o que vão ensinar do currículo. Não há padrão nenhum – tampouco há excelência acadêmica.

*NA LINHA DA MEDIOCRIDADE*
É boa notícia que os brasileiros comecem a colocar a educação entre suas prioridades, mesmo que isso ocorra com tanto atraso em relação aos países mais desenvolvidos. Percebo no Brasil, no entanto, uma visão ainda bastante distorcida da realidade – típica de países onde as notas dos estudantes são, em geral, muito baixas. A experiência indica que, num cenário como esse, até mesmo os ótimos alunos tendem a se nivelar por baixo. Com um resultado superior à média, eles já se dão por satisfeitos, assim como seus pais e escolas.
Na verdade, estão todos mirando a linha da mediocridade. E é lá queestão mesmo. Os exames internacionais da OCDE (organização que reúne os países mais ricos) mostram isso com clareza. Os alunos brasileiros que aparecem entre os 10% melhores são, afinal, menos preparados do que alguns dos piores estudantes da Finlândia. Os finlandeses, por sua vez, definem suas metas com base num altíssimo padrão de excelência acadêmica. É esse ciclo virtuoso que o Brasil deve perseguir – em todos os níveis.

*CHEGA DE UNIVERSIDADE GRATUITA*
Se quiser mesmo se firmar como uma potência no cenário mundial, o Brasil precisa investir mais na universidade. É verdade que os custos para manter um estudante brasileiro numa faculdade pública já figuram entre os mais altos do planeta. Por isso, é necessário encarar uma questão espinhosa: a cobrança de mensalidades de quem pode pagar por elas, como funciona em tantos países de bom ensino superior. Sempre me pergunto por que a esquerda brasileira quer subsidiar os mais ricos na universidade. É um contrassenso.
Olhe o que aconteceria caso os estudantes de renda mais alta pagassem algo como 1 000 dólares por ano às instituições públicas em que estudam. Logo de saída, o orçamento delas aumentaria na casa dos 15%. Com esse dinheiro, daria para atrair professores do mais alto nível. Quem sabe até um prêmio Nobel. O Brasil precisa, afinal, começar a se nivelar por cima.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

II SEAERJ - Simpósio de Educação Ambiental Empresarial do RJ

Data: 27, 28 e 29 de Outubro de 2009
Local: Pavilhão João Lyra Filho - UERJ/Maracanã
Capela Ecumênica
Coordenador Geral: Prof. Dr. Alexandre de Gusmão Pedrini




Principal objetivo do eveto:
Congregar os principais atores sociais envolvidos com a Educação Ambiental Empresarial para conhecer suas atividades, demandas, dificuldades e interesses, difundindo e debatendo as experiências empresariais, governamentais e acadêmicas a fim de construir um corpo sólido na área.
Inscrições e maiores detalhes no site www.seaerj.com.br

domingo, 20 de setembro de 2009

O risco das plantas invasoras

*Primeiro Caderno Dia-a-diaEdição de domingo, 20 de setembro de 2009 *
Espécies exóticas podem provocar desequilíbrio no meio ambiente e causarproblemas na paisagem urbana das cidades
Mais do que beleza e ornamentação, a vegetação é uma necessidade para o homem e para sobrevivência do planeta. Árvores e plantas são responsáveis pela purificação do ar, transformando o gás carbônico em oxigênio e impedem a erosão do solo, o que resulta em desertificação e morte do mesmo. Seus frutos e folhas servem como alimento ao homem e aos animais. Entretanto, mesmo importantes, elas podem ser prejudiciais ao ecossistema caso estejam em habitats inadequados ao seu desenvolvimento.
Exemplos disso são as plantas exóticas, transferidas de seus locais de origem, por alguma razão, mas que passam a trazer prejuízos ao sistema quando se proliferam de forma descontrolada. A partir disso, elas se tornam invasoras.
Algumas árvores inseridas no solo podem alterar o ecossistema. Neste contexto, cada espécie viva traz características próprias. Algumas são mais resistentes às intempéries do clima. Outras não convivem com a diversidade vegetal. Esse é um fenômeno biológico conhecidocomo alelopatia, observado nos casos em que nenhuma planta consegue crescer próxima a outra determinada, ou quando ela se desenvolve melhor na presença de "companheiras".
O engenheiro agrônomo Genival Filho explica que pela alelopatia determinados vegetais liberam no ambiente substâncias químicas através das folhas, das flores, do caule, das raízes que são absorvidos por outros vegetais. Esses compostos podem beneficiar ou prejudicar o desenvolvimento de espécies próximas a ela. "Quando os produtos liberados são incompatíveis, aquelas que não resistem, morrem e as que permenecem dominam o local". Segundo ele, o maior problema é quando o cultivo é desordenado e as plantas se proliferam por conta própria e livre de inimigos naturais, deterioram as espécies nativas.
*Castanholas invadem superfície*
Este foi o desfecho da história da árvore popularmente conhecida como castanhola, em João Pessoa. Originária do continente asiático, se reproduz com muita facilidade. Por ser resistente e oferecer um sombra agradável, foi preferida pelos moradores da capital, tendo sido plantada nos logradouros e calçadas.
A questão é que os frutos caem no chão e as sementes são levadas pela água até as partes mais baixas da cidade. Em função das condições favoráveis e por não disputar com predadores, as sementes depositadas germinam e crescem, povoando densamente a região. Como se trata de um vegetal forte, pelo fenômeno da alelopatia, outras plantas nativas não resistem e morrem, alterando o ecossistema. Além disso, a castanhola possui raízes grossas que crescem lateralmente, invadindo a superfície. Quando estão próximas às casas ou muros, comprometem a estrutura rachando aconstrução.
Josimar Máximo tem enfrentado no dia a dia a preocupação com plantas invasoras, que cresceram e estão provocando rachaduras no muro de seu condomínio. A Seman foi acionada para corte dos galhos
*Plantas crescem e ameaçam as demais*
Os moradores do Residencial Marina, um condomínio de casas na Rua Egídia Vanderlei A. de Carvalho. Os fundos do terreno e parte das laterais encontram um dos desembocadouros da drenagem das vias públicas de João Pessoa. Visto do alto, é uma bonita área verde.
Examinando de perto, trata-se de um conglomerado de plantas invasoras. Presença unânime das castanholas. Um dos integrantes da comissão de sindicância do condomínio, o advogado Josimar Maximo, informou que foi solicitado à Secretaria do Meio Ambiente de João Pessoa (Seman) a poda dos galhos das árvores que estão invadindo o residencial por cima do muro de mais ou menos quatro metros de altura, além do corte definitivo de uma delas que está rente ao muro.
No momento da entrevista, foram observadas várias rachaduras no muro que pode estar cedendo por causa da sobreposição das raízes. "Vou investigar a situação no outro lado, quando o pessoal da Seman vier. O que posso afirmar agora é que a sujeira é grande. Essas árvores crescem muito rápido. Os galhos podem bater na cerca elétrica e causar um curto circuito. Mas pior do que isso são os morcegos. Há dezenas deles. Eles têm ninho nessas ávores e se alimentamdos frutos. De noite é perigoso ficarmos no quintal, porque eles sobrevoam o condomínio com rasantes, mesmo quando deixamos os refletores de luz acesos", declarou o advogado. Os morcegos são transmissores de raiva e destruí-los,no Brasil, é considerado crime.
*Solução é monitorar e realizar a podagem*
Na área urbana da capital a Seman realiza o controle de espécies invasoras efetuando poda ou corte destas árvores e plantando espécies nativas no local, como a imbiribeira (*Eschweilera ovata*), o pau-cinza (*Hirtellahebeclada*), a quina-quina (*Coutarea hexandra*) o açoita-cavalo (*Lueheaocrophylla*), a guabiraba (*Campomanesia dichotoma*) e o jatobá-vermelho (*Hymenaearubiflora*). Mas estas soluções são paliativas.
De acordo com Anderson Fontes, engenheiro agrônomo da Divisão de Botânica da Seman, a secretaria está na formulando um amplo estudo na área urbana que resultará no Inventário Arbóreo de João Pessoa. Trata-se de um diagnóstico da situação das sete mil ruas da cidade, mapeando espécies nas calçadas, canteiros e praças. Este documento trará informações precisas a respeito da questão e, apartir, de então, será possível o planejamento de ações para resolver o problema.
Prefeitura realizará inventário para identificar os tipos de plantas na cidade Anderson Fontes, que trabalha no projeto, informa que este ano foi concluído o pré inventário que dará origem ao estudo final. Nele foi registrado que a paisagem nativa da capital mudou. 86% das árvores em João Pessoa são exóticas.
Na execução deste documento foram analisados 912 logradouros em 30 bairros, o que corresponde a 12% das ruas da cidade. Para o engenheiro, as pessoas demonstram boa intenção ao plantar uma árvore, "no entanto, elas precisam ter conhecimento da espécie mais adequada para as condições disponíveis. Uma castanhola precisa de sete a dez metros de raio em torno dela para se desenvolver de forma saudável. Não pode ser plantada em uma calçada. São necessárias ações educativas para a população", informou o engenheiro.
Outro alerta é direcionado às árvores que estão na orla: no Cabo Branco e Manaíra. São bonitas, oferecem sombra e alento na hora do sol escaldante. Contudo, não pertencem à vegetação nativa e estão invadindo, ese reproduzindo cada vez mais rápido. Num futuro próximo, irão dominar e depredar as dunas.
*Desequilíbrio na natureza preocupa*
Em âmbito nacional, o Ministério do Meio Ambiente atentou para o problema recentemente, a partir de uma reunião ambiental internacional, sediada no Brasil, que discutiu o assunto. Dentre as recomendações da reunião, foi determinado que o país desenvolvesse diagnósticos das espécies invasoras existentes e formas para combatê-las. Entre os anos de 2003 e 2005, técnicos coordenados pela Câmara Técnica Permanente de Espécies Exóticas e Invasoras, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, trabalharam na coleta de informações para a montagem do "Informe Nacional de Espécies Exóticas Invasoras", que afetam o ambiente em cinco níveis: terrestre, marinho, águas continentais (rios e lagos), sistemas de produção (agricultura, energia, eoutros), saúde humana (microorganismos e vírus, como a dengue, ou a gripe suína). No mês de setembro deste ano, o primeiro relatório será publicado, referente às Espécies Exóticas Invasoras Marinhas.
Expansão de plantas exóticas e os prejuízos para o meio ambiente tem tornadoo assunto prioridade para o governo Segundoo coordenador da Câmara Técnica Permanente de Espécies Exóticas e Invasoras, Lídio Coradin, esta é a segunda maior causa de destruição da biodiversidadedo planeta. É mais destruidor do que as consequências do aquecimento global. "Apenas a destruição causada pelo homem, através do desmatamento e da fragmentação dos ecossistemas é pior do que a presença de espécies invasoras", esclareceu o coordenador. O impacto financeiro também surpreende. No Brasil, entre as perdas causadas pelas espécies invasoras, que compreendem não somente plantas, como também animais e microorganismos, e ações para combatê-las, são gastos em torno de R$ 100 bilhões por ano.
Lídio Coradin lamenta ser este mais um problema que o governo federal terá que se ocupar, destinando verbas e esforços que poderiam estar indo para as áreas de educação e saúde. "As pessoas agem por desconhecerem a matéria enão imaginam o caos que essa atitude pode gerar. Quando o objetivo é econômico, quem explora a cultura precisa se preocupar em impedir que o plantio não se alastre para fora da área cultivada. Na bacia de origem, as espécies possuem predadores naturais consolidando o equilíbrio na natureza.
Quando elas são transferidas, o predador não vem junto e, agora exóticas, em terra estranha, as espécies encontram o ambiente perfeito para reprodução. O sistema começa a se desequilibrar", esclareceu Lídio Coradin. A dimensão do problema pode ser mensurada através da situação que a Usina Hidrelétrica de Itaipu enfrenta. Um dos motivos de paralisação das turbinas é a limpeza por causa do mexilhão dourado que adere ao equipamento. São gerados 90 milhões de megawatts-hora (MWh) por ano, com as 20 turbinas em pleno funcionamento. O mexilhão dourado é considerado uma espécie invasora pelo MAM.
*Algaroba no Cariri: produtividade?*
A algaroba (nome popular) é uma planta originária do deserto de Piura, norte do Peru, e se desenvolve com facilidade em solos áridos. No início da décadade 1940, a espécie foi trazida para o Nordeste com a finalidade de servir de alimento ao gado e para o reflorestamento. Atualmente, técnicos da Empresade Assistência Têcnica e Extensão Rural (Emater) vinculada à Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado, apontam a incidência excessiva da algaroba no interior paraibano, especialmente na região do Cariri. É a planta ivasora mais expoente, uma vez que as demais espécies não chegam a apresentar problemas.
O engenheiro florestal da Emater, Robi Tabolka dos Santos, explica que as invasões de espécies vegetais no interior ocorrem em pontos localizados, nabeira dos rios e mananciais de água e nas áreas onde a caatinga estádegradada. "As consequências se refletem na flora e na fauna. As plantas nativas deixam de existir, os animais que se alimentavam destas plantas migram para outras regiões e outros animais passam a habitar no novo sistema criado pela presença da invasora", esclareceu Robi Tabolka. Ele concluiu afirmando que o problema pode ser dominado, com chances concretas de ser revertido.
*Interior é beneficiado com uso de planta *
Embora a algaroba seja considerada invasora em determinadas situações, o cultivo controlado dela resulta em alta produtividade e lucros. O engenheirode alimentos Clóvis Gouveia da Silva, doutor em Engenharia de Processos pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e pesquisador vinculado ao Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba (CT-UFPB), onde desenvolve pesquisas relacionadas com as propriedades da algaroba, afirma que as qualidades da algaroba são infinitas. "Há um aproveitamento completo da árvore, da raiz aos frutos", disse Clóvis. Para ele, o mito que existe emtorno da planta, considerando-a agente depredador, deve ser reconsiderado.
Com a modernização e a entrada de novas técnicas para alimentação do gado, a algaroba ficou esquecida no interior do estado e, livre de predadores, se proliferou descontroladamente. Contudo, para o estudioso a algaroba apresenta-se como uma das alternativas mais viáveis e imediatas para se combater a fome em nível mundial, por causa das propriedades nutritivas que contém. Rica em açúcares, proteínas e sais minerais, a partir das vagens, se retira às matérias-primas para produção de pães, bolos, biscoitos, bebidas, entre outros.

A GLOBALIZAÇÃO DA OBESIDADE

Belén Macias Marin
Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Ter hipertensão, anemia, processos infecciosos freqüentes ou crescimento retardado e, ao mesmo tempo, obesidade: isso está se tornando cada vez mais comum nas periferias urbanas dos países mais pobres. A chamada liberalização dos mercados e a supressão das barreiras alfandegárias nos países subdesenvolvidos tem tido consequências, além das econômicas, na saúde das pessoas que vivem ao sul das fronteiras e das barreiras comerciais.

Um estudo publicado neste verão (no Hemisfério Norte) na revista de acesso livre_Globalization and Health_ (Globalização e Saúde) assinala que, desde que se liberalizou o comércio entre as Américas Central e do Norte, as importações e a disponibilidade de alimentos processados com altos conteúdos de açúcares e gorduras tem crescido dramaticamente, com um conseqüente aumento das doenças crônicas associadas à alimentação inadequada, como as cardiovasculares e certos tipos de câncer.

A América Central tem sofrido com uma extensa liberação do comércio nas últimas décadas, tendo assinado recentemente o _FreeTrade Agreement_ (Acordo de Livre Comércio) com os EUA. O valor médio do imposto sobre importações caiu de 45%, em 1985, para cerca de 6% no ano 2000, com o volume das importações duplicando em pouco mais de uma década, de 1990/92 a 2002/05. Por exemplo, durante esse período, as importações de queijo processado, como o em fatias, cresceu 3215%, até transformar-se em 37% do total do queijo importado dos EUA.

PELAS PERIFERIAS DO MUNDO

O resto da América Latina tem passado por processo similar. A denominada transição nutricional dos últimos 25 anos consistiu em comer alimentos com mais gorduras e açúcares e menos conteúdo de fibras e nutrientes essenciais. Os altos preços das frutas e verduras frescas transformaram esses produtos da terra em alimentos inacessíveis para as pessoas com menos renda. O prazer imediato proporcionado pelos alimentos processados com gorduras e açúcares, sua capacidade de saciar e seu baixo custo faz com que eles sejam muito populares em regiões periféricas do planeta, onde a informação do que é “ecosaudável” não chega, e onde fazer caminhadas diárias pode ser um esporte de risco.

"Tudo o que existe e vive precisa ser cuidado para continuar a existir e viver, uma planta, um animal, uma criança, um idoso, o planeta Terra"

Autor desconhecido
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Obesidade reduz até 10 anos de vida
Um IMC (índice de massa corporal) superior a 30 kg/m2 leva à diminuição da expectativa de vida até dez anos

É o que mostra uma meta-análise realizada com 57 estudos e dados de quase 900 mil pessoas com idade média de 46 anos e divulgada recentemente na edição on-line do periódico «The Lancet».
Pesquisadores da Universidade de Oxford (Reino Unido) viram que, em índices acima de 25 kg/m2, o acréscimo de 5 kg/ m2 eleva em 30 por cento as taxas gerais de mortalidade. O trabalho também aponta que o IMC entre 30 e 35 (indicador de obesidade leve) foi responsável pela redução de dois a quatro anos na expectativa de vida e, entre 40 e 45 (obesidade grave), por de oito a dez anos.
"Excesso de peso encurta o tempo de vida. Na Grã-Bretanha e nos EUA, pesar um terço a mais do que o ideal diminui a vida em três anos. Para a maioria das pessoas, significa carregar entre 20 kg e 30 kg a mais. Se você está a ficar mais gordo, deixar de ganhar peso também poderia adicionar anos à sua vida", explica o epidemiologista Gary Whitlock, líder do estudo.
O IMC é uma medição fácil de calcular: divide-se o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros).
Por exemplo, se pesar 68 kg e medir 1,78 m, deve fazer a seguinte operação:68: (1.78 x 1.78). O resultado é de 21.5.
Resultados do IMC:Inferior a 18.5 = peso baixoEntre 18.5 e 24.9 = peso normalEntre 25 e 29 = excesso de peso30 ou mais = obesidade

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Veículos a álcool estão entre os mais poluidores

Marta Salomon da Folha de São Paulo, em Brasília.

O Ministério do Meio Ambiente divulgou ontem um ranking dos automóveis mais poluentes comercializados no país. Apesar de terem um combustível considerado mais limpo, os carros a álcool ocupam oito das 15 piores posições --alguns têm motor "flex".

Montadoras tentaram adiar divulgação de ranking
"A nossa intenção é que o consumidor também leve em conta as emissões de poluentes", disse o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente).
Foram feitas 250 avaliações de veículos leves produzidos em 2008 - os automóveis "flex", que representam 85% da frota comercializada no país em 2008, tiveram duas avaliações diferentes, uma para gasolina e outra para álcool.
Foram dadas notas de um (piores) a dez (melhores) para a emissão de três gases poluidores --monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio-- que não têm efeito sobre o aquecimento do planeta, mas afetam a saúde.
Essas notas, chamadas de verdes, não levam em conta a emissão de gás carbônico --CO2, o principal gás causador do efeito estufa.
Nesse ranking das notas verdes, o melhor desempenho foi do Focus 2.0, da Ford, movido a gasolina, com nota 9,4. O pior desempenho foi do Corsa 1.4, da Chevrolet, quando movido a gasolina. Apenas oito carros obtiveram notas superiores a nove, liderando a lista dos menos poluentes.
As notas foram baseadas em informações colhidas durante o licenciamento dos veículos. Todos os modelos avaliados observam, portanto, os limites máximos de emissão adotados no país em 2008. Em janeiro, esses limites tornaram-se mais rigorosos. Novos limites entrarão em vigor em 2014.
Gás carbônico
O ministério também atribuiu pontuação (chamadas notas vermelhas) para a emissão de CO2 (numa escala de cinco a dez). Essas notas, no entanto, não entraram no cálculo para a criação do ranking dos mais poluidores porque foram dadas apenas aos veículos a gasolina.
Isso porque o governo considera, seguindo orientação internacional, que a produção do álcool combustível a partir da cana-de-açúcar captura carbono da atmosfera, zerando a emissão de gás carbônico.
Quando combinada a posição no ranking (nota verde) com o grau de emissão de gás carbônico (nota vermelha), o pior desempenho foi do Ford Ranger XL 2.3.
No endereço eletrônico do Ibama (
www.ibama.gov.br) é possível saber em detalhes quanto cada automóvel polui.
Também estão disponíveis dados sobre o consumo de combustível organizados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial).
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u624575.shtml

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Extinção dos corais pode provocar prejuízos de US$ 170 bilhões por ano

da France Presse
O aquecimento do planeta ameaça provocar a extinção imediata dos recifes de coral, de acordo com estudo patrocinado pela ONU (Organização das Nações Unidas). Além disso, a falta dos "serviços" proporcionados por este rico ecossistema causaria também um prejuízo de US$ 170 bilhões anuais.
A originalidade do trabalho do economista indiano Pavan Sujdev é a abordagem econômica do problema, ao calcular os prejuízos financeiros para o planeta em decorrência desta extinção.
"Os serviços prestados pelo ecossistema dos recifes de coral, que vão desde a proteção das costas à alimentação dos peixes, têm um valor que chega aos US$ 170 bilhões anuais", afirma Sujdev, encarregado da UE (União Europeia) e do PNUE (Programa da ONU para o Meio Ambiente).
Um hectare de coral produz por ano entre 80 milhões e 1 bilhão de dólares em "oportunidades para o turismo e o lazer", segundo estimativas do estudo. Também é avaliada a proteção dos litorais contra catástrofes naturais como inundações: entre US$ 25 e 34 milhões anuais para cada hectare.
O estudo também tenta calcular o custo da recuperação dos recifes de coral: até US$ 542 mil por hectare. Esta operação, no entanto, recuperaria imediatamente US$ 129 mil por ano nos "serviços prestados". Por isso, conclui o diretor do PNUE, Achim Steiner, que é "amplamente preferível conservar estes ecossistemas do que deixar que se deteriorem para recuperá-los depois".
Valor além do financeiro
Muitos especialistas criticam a iniciativa de avaliar os serviços prestados pela natureza, afirmando ser impossível calcular ao certo quanto valem fora do mercado, enquanto outros condenam o estudo alegando que este tipo de abordagem banaliza o patrimônio natural.
De todo modo, o relatório destaca que, considerando o atual estado em que se encontram os corais, as opções deveriam ser feitas com uma base ética, e não apenas levando em conta uma análise de custo/benefício.
As taxas de CO2 na atmosfera, que atualmente chegam a 387 ppm (partes por milhão), deve ser inferior a 350 ppm para salvar os corais.
O relatório é destinado aos líderes políticos que se reunirão dentro de três meses em Copenhague para decidir sobre o acordo que substituirá o protocolo de Kyoto.

Bancos que financiam o desmatamento vão se dar mal

Os bancos que se cuidem.
O Ministério Público Federal anunciou que deve fazer com as instituições financeiras o mesmo que fez com indústrias e varejistas que comercializam produtos oriundos do desmatamento da Amazônia no Pará. Ou seja, quem conceder crédito a fazendas, mineradoras, hidrelétricas e outros empreendimentos envolvidos em crimes ambientais vai enfrentar ações na Justiça seguindo o mesmo modelo que a cadeia da pecuária bovina está enfrentando. Conversei com representantes de bancos em São Paulo. Disseram que, com isso, terão que correr atrás do prejuízo.
Com base em um rastreamento de cadeias produtivas realizado em parceria com o Ibama, o MPF-PA iniciou duas dezenas de processos judiciais contra fazendas e frigoríficos, pedindo o pagamento de R$ 2,1 bilhões em indenizações por danos ambientais, no final de maio. Dezenas de empresas que compraram subprodutos desses frigoríficos receberam notificações em que foram informadas que haviam adquirido insumos obtidos através do desmatamento ilegal da Amazônia. A partir da notificação, deveriam parar de comprar desses fazendeiros e frigoríficos ou passariam à condição de co-responsáveis pelos danos ambientais. O mesmo ocorrerá com os bancos.
Com isso, no início de julho, frigoríficos e o governo do Pará assinaram termos de ajustamento de conduta com o Ministério Público Federal (MPF) que prevêem a moratória total do desmatamento, o reflorestamento de áreas degradadas e o licenciamento ambiental. Também irão informar a origem da carne aos consumidores e ao MPF, que vai verificar a existência de trabalho escravo, crimes ambientais e grilagem entre os fornecedores. As empresas que receberam recomendações para suspender contratos de comercialização com os frigoríficos, como os varejistas, poderiam retomar os negócios com a carne do Pará após esses TACs.
Alguns especialistas que lidam com esse problema no dia-a-dia acham mais fácil os bancos públicos federais e alguns bancos privados adotarem, na prática, regras mais rígidas para concessão de crédito do que o BNDES - que tem funcionado como um último refúgio de quem atua de forma ilegal na Amazônia.
A ver.Blog do Sakamoto