sábado, 13 de fevereiro de 2010

Antonio Barreto... um Baiano arretado!!!!!!

UM PROFESSOR E POETA NORDESTINO DIZENDO O QUE MUITOS INTELECTUAIS NÃO TEM CORAGEM DE DIZER.


O educador Antônio Barreto, um dos maiores cordelistas da Bahia, acaba de voltar ao Brasil com os versos mais afiados que nunca depois da polêmica causada com o cordel "Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso".

Desta vez o alvo é o anacrônico programa BBB-10 da TV Globo. Nesse novo cordel intitulado "Big Brother Brasil, um programa imbecil" ele não deixa pedra sobre pedra. São 25 demolidoras septilhas (estrofes de 7 versos):

BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL

Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,residente em Salvador.
ANTONIO BARRETO versus PEDRO BIAL!!!
Autor: Antonio Barreto,

 Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.


Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.


Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.


Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.


Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.


O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.


Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.


Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.


Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.


Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.


Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.


A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.


Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.


Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.


Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.


É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.


Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.


A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.


E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.


Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?


Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vidro em spray cria camada protetora invisível que aposenta artigos de limpeza convencionais

RIO - Imagine um spray que protege qualquer superfície da sujeira e de bactérias, sejam equipamentos hospitalares, roupas ou monumentos históricos. Este produto já existe, não é tóxico e expele uma espécie de vidro líquido, invisível ao olho nu e inquebrável. O spray é uma das maiores atrações atuais da nanotecnologia. A camada que produz de vidro líquido tem entre 15 e 30 moléculas de espessura - é, portanto, 500 vezes mais fino do que o cabelo humano.
A Nanopool, uma empresa familiar alemã, detém os direitos de patente da tecnologia por trás do vidro líquido, cujas aplicações têm sido pesquisadas por diversos institutos europeus. Os testes revelaram uma variedade espantosa nos usos do invento. O spray pode ser usado, por exemplo, na proteção de vinhedos contra ataques de fungos ou no revestimento de implantes médicos.
Em sua composição há dióxido de silício quase puro, o componente químico do quartzo e do dióxido de silício, o mineral mais abundante na crosta da Terra. Ele é quase inerte e não provoca efeitos nocivos sobre o meio ambiente, ao contrário de muitos produtos de limpeza industriais.
Na nanoescala - alguns poucos milionésimos de um milímetro de espessura -, o vidro líquido transforma-se em uma barreira invisível altamente flexível que repele água, sujeira e bactérias, permitindo que as superfícies sejam lavadas rapidamente com água pura. A camada também protege o local do calor, de ácidos ou mesmo da radiação ultravioleta.
- Nós extraímos moléculas de dióxido de silício e da areia do quartzo e juntamos a moléculas de água e etanol, dependendo da superfície a ser pulverizada - explicou Neil McClelland, gerente da Nanopool no Reino Unido, ao jornal "The Independent". - Não colocamos nanopartículas, resinas ou qualquer outro aditivo. Quando pulverizada, a solução de vidro forma uma película flexível e ultrafina que gera força eletrostática aderente.
Novidade ainda não é bem vista no varejo
A fácil aplicação do spray, a longevidade dos resultados e o trato amigável ao meio ambiente deixaram a indústria ressabiada. Antes mesmo de o produto ser lançado, a Nanopool já esbarra em dificuldades no varejo.
- Muitos supermercados se negam a armazenar o spray, por ele fazer com que os outros produtos de limpeza ali vendidos se tornem desnecessários - lamenta McClelland. - As companhias de limpeza também estão assustadas com a possibilidade de que seus artigos sejam vendidos com menos frequência. Com a camada protetora criada pelo vidro líquido, muitas superfícies, hoje limpas com produtos químicos, poderão ser tratadas apenas com água.
Indústrias de processamento de alimento da Alemanha testaram duas formas de limpeza: uma com água quente, em superfícies esterilizadas pelo vidro líquido; outra com água sanitária em locais lavados de forma usual. Ambas tornam uma área livre de atividade microbiana, mas quando o novo spray é usado, este efeito permanece por mais tempo.
O spray, ressalte-se, não mata micro-organismos, mas impede que eles se dividam facilmente. É o suficiente para que ele tenha um comportamento semelhante ao de produtos antibacterianos usados na cozinha.
As propriedades de limpeza do vidro líquido podem levar a cortes drásticos no uso de produtos potencialmente tóxicos usados em fábricas, escritórios, escolas, hospitais e em casa. Também é possível cortar custos de trabalho e mesmo o tempo gasto esfregando superfícies. Não à toa, o spray já foi incorporado, ainda em caráter de teste, por uma filial alemã de uma rede de fast food e por uma concessionária de trens do Reino Unido - que o usa não só para polir a frente do carro, como na faxina interna dos vagões.
http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2010/02/02/vidro-em-spray-cria-camada-protetora-invisivel-que-aposenta-artigos-de-limpeza-convencionais-915763439.asp

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Consumismo é ameaça ambiental global, adverte relatório

O americano médio consome mais do que o seu próprio peso em produtos por dia, alimentando uma cultura global do excesso que vem emergindo como a maior ameaça para o planeta, segundo um relatório publicado nesta semana. No seu relatório anual, o Worldwatch Institute diz que o culto do consumo e da ganância pode acabar com todos os avanços das ações governamentais em direção ao combate das mudanças climáticas e de mudanças para uma economia de eficiência energética.
A notícia é do jornal The Guardian e publicada pelo portal do jornal O Estado de S. Paulo, 18-01-2010.
"Até reconhecermos que nossos problemas ambientais, das mudanças climáticas ao desmatamento e à perda de espécies, são movidos por hábitos insustentáveis, não seremos capazes de resolver as crises ecológicas, que ameaçam acabar com a civilização", disse o diretor do projeto, Erik Assadourian, que liderou uma equipe de 35 pesquisadores por trás do relatório.
A população do mundo está queimando os recursos do planeta a uma velocidade imprudente, alerta o relatório da entidade americana. Na última década, o consumo de bens e serviços aumentaram 28% para US$ 30,5 trilhões.
A cultura do consumismo não é mais um hábito, em sua maioria, de americanos, mas está se espalhando por todo o planeta. Ao longo dos últimos 50 anos, o excesso foi adotado como um símbolo de sucesso em países em desenvolvimento como o Brasil, a Índia e a China, segundo o relatório. A China esta semana ultrapassou os Estados Unidos como o mercado mundial de carros. Também já é o maior emissor de gases de efeito estufa.
O relatório conclui que tais tendências não foram uma consequência natural do crescimento econômico, mas o resultado de esforços deliberados pelas empresas para conquistar os consumidores. Hoje são comuns produtos como as garrafas de água e o hambúrguer - rejeitado no início do século XX por ser considerado um alimento prejudicial para os mais pobres.
Uma família média ocidental gasta mais com seu animal de estimação do que é gasto por um ser humano em Bangladesh.
O relatório fez notar sinais encorajadores de uma mudança da cultura de gastos altos. Ele disse que os programas de merenda escolar tem feito maiores esforços para incentivar hábitos alimentares mais saudáveis entre as crianças. A geração mais jovem também se mostra mais consciente do seu impacto sobre o meio ambiente.
É preciso haver uma transformação global de valores e atitudes, segundo o relatório. Com as atuais taxas de consumo, o mundo precisa erguer 24 turbinas eólicas por hora para produzir energia suficiente para substituir os combustíveis fósseis.
"Nós vimos alguns esforços encorajadores para combater a crise climática mundial nos últimos anos", disse Assadourian. "Mas fazer políticas e mudanças tecnológicas, e continuar mantendo uma cultura centrada no consumismo, não pode ir muito longe."
"Se não fizermos a nossa própria mudança de cultura haverá novas crises que teremos de enfrentar. Finalmente, o consumismo não vai ser viável daqui para frente com a população mundial crescendo em 2 bilhões e mais países crescem em poder econômico."
No prefácio do relatório, o presidente do Worldwatch Institute, Christopher Flavin, escreve: "Enquanto o mundo luta para recuperar-se da mais grave crise econômica desde a Grande Depressão, temos uma oportunidade sem precedentes para dar as costas ao consumismo. No final, o instinto humano de sobrevivência deve triunfar sobre o desejo de consumir a qualquer custo".

Fórum Social Mundial 2010 reúne 35 mil pessoas no Rio Grande do Sul

O Fórum Social Mundial (FSM)- 10 Anos – Grande Porto Alegre reuniu 35 mil pessoas em 915 atividades no Rio Grande Sul, realizadas entre segunda-feira e esta sexta-feira (29), em sete cidades gaúchas.
.
Participaram representantes de 39 países e, dos presentes, cerca de 60% foram mulheres. Também chamou a atenção a expressiva participação dos jovens, 27% dos participantes, conforme um dos coordenadores do FSM e presidente da CUT, Celso Woyciechwoski. Os dados foram apresentados no início desta tarde, em mesa para avaliação, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa.
.
Woyciechwoski avalia que a expressiva participação da sociedade no FSM demonstra ao mundo a existência de construções coletivas de todas as ordens com o objetivo de buscar um mundo melhor.
Na sua avaliação, o FSM 10 Anos foi positivo, não só pelo número de presentes e diversas atividades, mas especialmente pelas temáticas variadas, tratando de educação, meio ambiente, cultura, economia solidária, democracia, direitos humanos, dentre outras.
.
Segundo ele, a expressiva participação da juventude revela o fato dos jovens estarem engajados nas transformações sociais e econômicas de que o mundo precisa. “O evento demonstrou mais uma vez a necessidade de haver, cada vez mais, construção de políticas que garantam a igualdade entre homens e mulheres”, complementou.
.
“A crise econômica mundial de 2008 e 2009 mostrou que o Fórum estava correto em seus apontamentos, pois evidenciou o esgotamento do capitalismo neoliberal”, pondera Woyciechwoski.
.
A edição 2010 do Fórum, acrescenta, reforçou a necessidade de se construir um mundo mais solidário e sustentável. O organizador aponta mudanças na política da América Latina e fatos inéditos, como a eleição de Barak Obama nos Estados Unidos, como demonstrações de que a humanidade busca novas possibilidades para a sociedade. Woyciechwoski ainda percebe que poderia ter ocorrido maior participação “por parte da gestão pública do RS nos debates e diálogos”.
.
Por Claudia Paulitsch
Fonte AL/RS
http://fsm10.procempa.com.br/wordpress/?p=2810

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Biodiversidade depende de coexixtência de espécies

Princípios ecológicos para proteger cenários de evolução

Uma espécie desaparece todos os 20 minutos, um ritmo cem a mil vezes superior em relação ao período que antecedeu a chegada do Homem. Há cada vez mais investigadores a concordar com o facto de o nosso século ser o da sexta extinção, comparativamente a cataclismos responsáveis pelo desaparecimento dos dinossauros, há 65 milhões de anos, ou ao ‘extermínio’ da fauna do Pré-câmbrico, há mais de 500 milhões de anos.

Este desaparecimento afecta especialmente a zona inter-tropical onde se encontram as mais variadas concentrações de espécies, explicam os cientistas do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento (IRD – Institut de Recherche pour le Développement), em França. E conservar a riqueza do mundo vivo para uma gestão durável dos recursos naturais é um dos princípios do desenvolvimento dos países do Sul.

Para proteger a biodiversidade, é necessário compreender os princípios ecológicos fundamentais que a regem: como é que as espécies co-habitam? Como é que estas repartem o espaço e recursos? Os cientistas ainda tentam perceber como é que determinados seres se mantêm num ecossistema.

Desde a «Teoria das Espécies», de Darwin, e o princípio de selecção natural que favorecia a espécie mais adaptada ao meio, os ecologistas acordaram em fundamentar a «teoria dos nichos» – que explica a repartição desigual dentro de um ecossistema. Segundo esta hipótese, uma espécie possui um nicho ecológico específico e na qual predomina. Em suma, significa que ocupa um habitat e exerce uma determinada função “no plano trópico”, ou seja, a nível do regime alimentar (presa, predador) é bem específico.

Tendo em conta esta teoria, duas espécies de nichos idênticos não podem coabitar, porque precisam de ser suficientemente diferentes para utilizar recursos e evitar a competição. E quando a biodiversidade é rica, já se podem observar duas ou três a competirem.

Para explicar a capacidade de a biodiversidade se manter, há ainda quem defenda que nenhuma espécie domina sobre outra, tendo em conta o processo em termos de natalidade, mortalidade, dispersão e ‘especiação’. E sem competição não há exclusão específica e a colonização-extinção seria resultado de disparidades entre repartições observadas – Teoria neutra.


Evitar extinção através de coabitação
Cenário de evolução

Os investigadores do IRD decidiram simular a repartição de diferentes espécies de fitoplâncton no seio de um ecossistema e utilizaram dados sobre a abundância destes micro-organismos, recolhidos próximo de Plymouth, no Canal da Mancha, durante 12 anos, para o Western Channel Observatory (Inglaterra).
Princípios ecológicos para proteger cenários de evolução

Existem diferentes tipos de fitoplâncton, mas são semelhantes em aparência e no seu funcionamento dentro de um ecossistema (alimentam-se de nutrientes idênticos, têm os mesmos predadores, partilham condições hidrotermais, etc.) e respondem de forma previsível. A simulação mostra que a repartição depende tanto de processos neutros como de nichos ecológicos.

Dentro de um contexto global, os investigadores estabeleceram cenários de evolução dos ecossistemas e oferecem assim a possibilidade a países amis a Sul de melhor preservar o seu património natural, com vista em gerir recursos e desenvolvimentos de novos de forma mais durável.

A questão da biodiversidade é uma das problemáticas científicas actuais para acordar consciências globais a ONU determinou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade (AIB). Este estudo é um dos contributos do IRD para o AIB.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=38797&op=all

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Rio + 20 será no Brasil‏

Brasil vai sediar conferência ambiental 20 anos depois da Eco-92 O Brasil vai sediar em 2012 a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, já batizada de Rio+20, em referência a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, cidade que deve receber novamente o evento.
A conferência foi aprovada em dezembro pela Assembléia Geral das Nações Unidas. O encontro havia sido proposto em 2007 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia é avaliar e renovar os compromissos com o desenvolvimento sustentável assumidos pelos líderes mundiais na Eco-92. A Rio+20 tembém discutirá a contribuição da economia verde para o desenvolvimento sustentável e a eliminação da pobreza.
Outra tema na pauta da conferência será o debate sobre a estrutura de governança internacional na área do desenvolvimento sustentável. O modelo de consenso, que só permite decisões com a aprovação de todos os países, foi colocado em xeque na 15ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, que terminou sem acordo por divergências entre os países ricos e em desenvolvimento sobre as ações necessárias para enfrentar o aquecimento global.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Biodiversidade Marinha de Búzios

Por: Teresinha Victorino

Moreia entre Corais de Fogo e Cerebro (Praia Tartaruga)

Biodiversidade Marinha

“As espessas florestas perto de mares, lagos ou pântano são conhecidas como as florestas que atraem peixes e os peixes que vivem próximos delas são conhecidos como peixes reprodutores florestais.”
(Makiguti, 1903)

Nos dias atuais a sociedade retira boa parte de seus benefícios de ecossistemas naturais, o que representa boa parte da economia. Porém, pouca era a importância dada até algum tempo atrás aos serviços fundamentais que os ecossistemas proporcionam a civilização humana, sem os quais, não teríamos as facilidades e o conforto da vida moderna.
Os oceanos e os mares são responsáveis por diversos serviços ambientais que permitem a manutenção da qualidade de vida na Terra, (Bughi, 2006). Nos mares encontramos as microalgas que abastecem o planeta de oxigênio com o excedente não usado na sua respiração, (Pedrini et al. 2008). Mas, com toda a sua importância, os mares não vêm sendo protegidos de forma eficaz.
O Parágrafo 2 do Artigo 3º do PRONABIO classifica a Biodiversidade Marinha no conjunto de biomas “Zona Costeira e Marinha”. A Diversidade Biológica Marinha é responsável por parte da riqueza natural existente no planeta, além de fornecer importantes serviços ao ecossistema como proteger a costa das erosões e absorver o dióxido de carbono da atmosfera. Porém, no decorrer dos séculos, ela vem sofrendo grandes impactos devido às atividades humanas.
A conservação da biodiversidade marinha no Brasil é considera inadequada a despeito da legislação existente e das áreas protegidas marinhas implantadas (Amaral e Jablonski, 2005). As Unidades de Conservação Marinhas brasileiras ainda que em número pequeno perto de sua extensão litorânea, são inadequadamente administradas. A visitação em áreas protegidas em ambientes costeiros e marinhos causa vários tipos de impactos ambientais negativos e a gestão da atividade pesqueira ainda é precária, com baixa participação das comunidades envolvidas.
Apenas 20% de todas as áreas protegidas no mundo são de ambientes marinhos. No Brasil são 255 unidades de conservação localizadas em zonas costeiras e marinhas, representando cerca de 17 milhões de hectares, sem contar as 34 reservas indígenas que chegam perto de 600 mil hectares, totalizando 8% de todo o seu território (Pedrini, Costa, Silva, Maneschy, Newton, Berchez, Ghilardi e Spelta, 2008).
As características tropicais e subtropicais são dominantes ao longo de toda a costa brasileira. O Litoral do Brasil estende-se por cerca de 7.400 km por isso, grande parte da sua população está concentrada na faixa denominada como Zona Costeira. Em conseqüência, as atividades antrópicas geram pressões cada vez maiores sobre os ecossistemas costeiros, levando à desestabilização dos seus componentes biológicos, geomorfológicos e paisagísticos.
A Plataforma continental de Cabo Frio no Rio de Janeiro até Laguna em Santa Catarina é de alta importância biológica, (Creed et al., 2007) e é prioritária para a conservação da biodiversidade dos elasmobrânquios (o grupo mais diversificado dos peixes cartilaginosos, reunindo de 929 a 1164 espécies recentes de tubarões e raias), devida à sua alta diversidade e presença de espécies migratórias.
Do sudeste ao Sul do Brasil, a presença da Água Central do Atlântico Sul sobre a plataforma continental e sua ressurgência eventual ao longo da costa contribuem para o aumento da produtividade e da riqueza marinha. A região de Cabo Frio marca a transição entre os ambientes tropicais, ao norte, e subtropicais e temperados, ao sul (Amaral & Jablonski, 2005).
A região de Cabo Frio situada no domínio da Mata Atlântica, está localizada na porção central do litoral do estado do Rio de Janeiro, numa área com cerca de 1.500 km2, onde se destacam três unidades fisiográficas: planícies arenosas costeiras e terras baixas; colinas baixas das penínsulas de Cabo Frio - Armação dos Búzios e ilhas costeiras; e colinas interioranas, com até cerca de 500 m de altitude, (Kurt, Sá, e Silva, 2008). A região contém 193 km de zona costeira e é considerada uma das mais importantes áreas turísticas brasileiras. Essa região abrange aproximadamente 24% dos 850 km da costa do estado do Rio de Janeiro, (Brasileiro, Valentin, Bahia e Reis e Júnior, 2009).
Localizado na Região de Cabo Frio, o município de Armação de Búzios conta o maior número de táxons (212), comparados aos encontrados e registrados para o litoral brasileiro (339). Os números indicam a grande riqueza e a presença de diversas espécies com distribuição descontínua e restrita, tornando essa região uma das mais importantes áreas da diversidade de algas do Brasil (Brasileiro, Valentin, Bahia e Reis e Júnior, 2009).
Essa região, por estar sob a influência do Fenômeno Oceanográfico da Ressurgência, que geralmente ocorre entre a primavera e o verão, é apontada como área de elevada importância biogeográfica para diversos grupos de organismos marinhos, incluindo as algas bentônicas, representando o limite de distribuição geográfica de diversos táxons, além de poderem ser encontrados táxons tipicamente tropicais e outros típicos de regiões temperadas com afinidade por águas mais frias, (Brasileiro, Valentin, Bahia e Reis e Júnior, 2009).
A ocorrência da Ressurgência é atribuída a dois fatores principais: o predomínio de ventos de direção nordeste e a quebra abrupta do sentido de orientação da plataforma continental (de norte-sul para leste-oeste), que favorece a ascensão de águas mais profundas.
Nesta região há uma diversidade climática que varia do regime tropical ao semi-árido No verão predomina a massa de ar continental equatorial, no resto do ano, a predominância é a massa de ar tropical atlântica, as frentes polares atlânticas atingem a região durante a primavera. E, em decorrência da ação combinada das mudanças das massas de ar que pairam sobre essa região, do relevo diversificado e da ressurgência que ocorre nas costas, a distribuição de chuvas exibe uma variação espacial e temporal ao longo do ano (Tarquínio, 2006).
O município de Armação de Búzios apresenta grande potencial ecoturístico devido a sua biodiversidade marinha e terrestre que compõem uma paisagem exuberante com várias espécies de fauna e flora, inclusive endêmicas.
O Brasil com cerca de 8.500km de extensão de costa entre as zonas das marés, que é dominada pelas algas (Giulietti et al. 2005), há muito a que se conhecer sobre a biodiversidade marinha. Um dos fatores do pouco conhecimento é o tamanho de seu litoral, existem ainda muitas espécies marinhas que ainda não foram registradas (Geraque, 2006).
Estudar a biodiversidade de uma determinada área seja terrestre ou marinha é uma tarefa muito difícil, assim como identificar os impactos causados pelas atividades do ser humano. O estudo da biodiversidade marinha é importante quando se considera o aspecto econômico. A sobrepesca vem causando a extinção de espécies de peixes além de ser um risco para espécies que são capturadas acidentalmente, como as tartarugas marinhas. Além da pesca, o turismo sem controle tem se mostrado especialmente danoso nas regiões de recifes de corais e fundos calcários e a ocupação desordenada contribuem para a perda da biodiversidade marinha, causando alteração de habitat e poluição (Buchi, 2007).
No que se refere à fauna recifal, um número maior e crescente de trabalhos tem surgido nos últimos anos trazendo informações de um panorama cada vez mais completo da ictiofauna recifal brasileira (Ferreira e Cava, 2001).
Já a caracterização da biodiversidade bentônica no litoral brasileiro resume-se a poucos trabalhos, estudando uma área de aproximadamente 3400km². O que se torna um grave problema grave, já que este ambiente vem sofrendo alterações substanciais decorrente do impacto antrópico e das mudanças globais, como a temperatura média da água dos oceanos, da salinidade, do PH e do nível do mar, (Guilardi, 2007).
Um dos mais difíceis habitats que os organismos podem encontrar são as faixas litorâneas. Uma área de transição onde seus habitantes enfrentam condições terrestres e aquáticas a cada 24 horas, além de vários problemas como: temperatura, hidrodinâmismo, dessecação, falta de oxigênio, competição e predação.
A colonização na faixa entre marés é complexa e os organismos precisam de adaptação para sobreviver. No substrato rochoso, as cracas e alguns moluscos são os habitantes mais adaptados por apresentarem um exoesqueleto eficaz para enfrentar os problemas ambientais apresentado entre marés bem como a intromissão de diferentes níveis.
A flora e fauna das áreas com substrato rochoso são mais ricas do que as de praia com areia. A fauna, na faixa de marés, quando consegue fixar-se firmemente a um substrato estável, tolera a subida e a descida da água e o bater das ondas. Existe um zoneamento distinto de algas e de vários tipos de animais, entre a marca da maré baixa e a zona de respingo supralitoral, (Matthews-Cascon e Lotufo, 2006).
Os bentos são aqueles organismos que vivem associados ao fundo, podendo estar fixos aos substratos duros como: os corais, as algas, as esponjas, os moluscos etc; enterrados nos sedimentos como: os moluscos e os anelídeos, por exemplo; locomovendo-se sobre o fundo dos oceanos como: os moluscos e os crustáceos entre outros; ou mesmo em associações entre uns e outros (animais sobre algas, animais sobre animais). Por isso o tipo de substrato afeta a distribuição dos organismos que compõem a comunidade bentônica, (Matthews-Cascon e Lotufo, 2006).
Os organismos bentônicos por serem sedentários, estão sujeitos às alterações do ambiente, sejam naturais, como a decomposição e remoção de sedimentos pelas correntes ou mudanças na salinidade em época de chuvas; ou antropogênicas, como a sobrepesca, o assoreamento dos rios ou a poluição. Por isso, são utilizados como indicadores das condições dos ambientes aquáticos costeiros.
A fauna bentônica da região entremarés e na zona com pouca profundidade, são os organismos mais conhecidos e coletados. Essa consideração é válida tanto para os substratos rochosos ou consolidados como para os não-consolidados, como areia ou lama (Geraque, 2006).
Em entrevista à Agência FAPESP (Geraque, 2006), o professor Antônio Carlos Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo disse que “as formações coralinas e os demais ambientes litorâneos vêm sendo explorados pelo ecoturismo, mas ainda de forma pouco organizada e pontual”. Para o pesquisador é importante que a expansão dessa atividade seja feita de forma planejada e monitorada, para que os recursos explorados não sejam ameaçados ou se esgotem, acarretando prejuízos social, econômico e científico indesejáveis.

Referências Bibliográficas

TARQUINIO, Oscar . Democracia Participativa na Gestão de Recursos Hídricos - Caso da Região dos Lagos – Rio de Janeiro . Cabo Frio . Universidade Veiga de Almeida . Campus Cabo Frio . MBA em Planejamento e Gestão Ambiental . 2006

MATTHEWS-CASCON, Helena; LOTUFO, Tito Monteiro da Cruz . Biota Marinha da Costa Oeste do Ceará . Brasília: MMA, 2006

Programa Zona Costeira . Fonte:
http://www.jbrj.gov.br/pesquisa/z_costei/index.htm

CREED, Joel, C.; OLIVEIRA, A. E.S; RA, PIRES, Débora O; FIGUEIREDO, Márcia A de O; FERREIRA, Carlos E.L.; VENTURA,Carlos R.R.; BRASIL,Ana C.S.; YOUNG,Paulo S.; ABSALÃO, Ricardo S; PAIVA, Paulo, C.; CASTRO, Clóvis B; SEREJO, Cristina. S. RAP Ilha Grande – Um Levantamento da Biodiversidade: Histórico e Conhecimento da Biota. In Biodiversidades Marinha de Ilha Grande / Joel C. Creed; Débora O. Pires e Márcia A. de O. Figueiredo, Organizadores. – Brasília: MMA / SBF, 2007

SBEEL - Sociedade Brasileira para o Estudo de Elasmobrânquios
http://www.sbeel.hpg.ig.com.br/co_princ.htm

GERAQUE, Eduardo . Biodiversidade marinha ainda é muito desconhecida pela humanidade - Acessado em 27.12.2009
http://360graus.terra.com.br/ecologia/default.asp?did=17793&action=news

BUGHI, Carlos Henrique . Observatório Virtual sobre a Biodiversidade Marinha no Brasil baseado em Webgis . Universidade do vale do Itajaí . 2007

AMARAL, Antonio Cecília; JABLONSKI, Sílvio . Conservação da Biodiversidade Marinha e Costeira no Brasil. Megadiversidade . Volume 1 : Nº 1, 2005

GHILARDI, Natalia Pirani . Utilização do método dos povoamentos na caracterização de comunidades bentônicas em trecho do infalitoral consolidado da Enseada das Palmas, Ilha Anchieta, Ubatuba, SP . Tese do Instituto Biociências da Universidade de São Paulo . Departamento de Botânica . 2007

BRASILEIRO, Poliana S; Valentin, Yocie Yoneshigue-; BAHIA, Ricardo da G.; REIS, Renata P; Filho, Gilberto Menezes Amado . Algas marinhas bentônicas da região de Cabo Frio e arredores: Síntese do conhecimento . 2009

PEDRINI, Alexandre de Gusmão; COSTA, Christiana; SILVA,, Vitor Guimarães; MANESCHY, Felipe Sarquis; NEWTON, Tainá; Berchez, Flávio; GHILARDI, Natalia Pirani; Spelta Letícia . Gestão de Áreas Protegidas e Efeitos da Visitação Ecoturística pelo Mergulho com Snorkel: O caso do Parque Estadual da Ilha Anchieta (PEIA), Estado de São Paulo, Brasil . Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental . ISSN 1517-1256, v. 20, janeiro a junho de 2008

PEDRINI A. de G.; MANESCHY, F.; SILVA, V. G.; CAMPOS, P. H. de; COSTA, C.; ANDRADE-COSTA, É.; NEWTON, T. Projeto Edumar: Educação e Interpretação Ambiental Marinha em Unidades de Conservação Brasileiras. Resultados Preliminares . III Congresso Brasileiro de Oceanografia – CBO’2008 I Congresso Ibero-Americano de Oceanografia – I CIAO . Fortaleza, CE, 20 a 24 de maio de 2008

PEDRINI Alexandre de Gusmão; MANESCHY, Felipe Sarquis Aiex; COSTA, Christiana; ALMEIDA, Elaine Reis; COSTA, Erika Andrade . Gestão Ambiental em Áreas Protegidas X Estatísticas de Mergulho na Resex Marinha de Arraial do Cabo, RJ . OLAM Ciência & Tecnologia Rio Claro/SP, Brasil Ano VII Vol. 7 No. 2 Pag. 275 Dezembro/2007 ISSN 1519-8693 www.olam.com.br . 2007

FERREIRA, Beatrice Padovani; CAVA, Fabiana . Ictiofauna Marinha da APA Costa dos Corais: Lista de espécies através de levantamento da pesca e observações subaquáticas. Bol. Técn. Cient. CEPENE, Tamandaré, v.9, n.1, p. 167-180 , 2001.

D´ALINCOURT, Nicole BBALLONA . A interpretação ambiental como instrumento de valorização do potencial ecoturístico da praia da Gorda em Armação dos Búzios. Cabo Frio . RJ . 2006

RICHTER, Monika . Geotecnologias no Suporte ao Planejamento e Gestão de Unidades de Conservação. Estudo de Caso: Parque Nacional do Itatiaia . Dissertação do curso de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ . Julho, 2004

VICTORINO, Teresinha Malvares da Mata . Teorias de Tsunessaburo Makiguti em Geografia da Vida Humana - Jinsei Chirigaku (1903): Muito além de seu tempo . Rio de Janeiro . 2009

BRASIL . Decreto Nº 4.703, De 21 de Maio de 2003
http://www.ipef.br/legislacao/bdlegislacao/arquivos/16964.rtf

KURTZ, Bruno Coutinho; SÁ, Cyl Farney Catarino; SILVA, Daniele Oliveira da . Fitossociologia do Componente Arbustivo-Arbóreo de Florestas Semidecíduas Costeiras da Região de Emerenças, Área de ProteçãoAmbiental do Pau Brasil, Armação dos Búzios, Rio de Janeiro, Brasil . 2008

GIULIETTI , Ana Maria; HARLEY, Raymond M.; QUEIROZ, Luciano P. de; WANDERLEY, Maria das Graças L.; BERG, Cassio Van Den . Biodiversidade e conservação das plantas no Brasil . Megadiversidade . Volume 1, Nº 1: 2005

sábado, 26 de dezembro de 2009

A fábula do Porco-espinho








Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha:

Ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.

Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.

E assim sobreviveram.


Moral da História

O melhor do relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.

Estudos comprovam que leite ajuda a provocar osteoporose e outras doenças graves


O ser Humano é o único animal no planeta que continua a ingerir leite depois de se tornar um adulto. No entanto, o organismo adulto humano já não está preparado para ingerir leite, muito menos o leite de outras espécies que não está adaptado para o corpo humano, mas sim para o organismo da sua espécie.

Ao contrário do que a indústria dos lacticínios dá a indicar em seus anúncios mediáticos (televisão, jornais, revistas, rádio, etc) e, através de alguns médicos e nutricionistas enganados (por desinformação) ou "comprados" (por corrupção) pela propaganda dessa mesma indústria, o leite de origem animal não só não é um bom "alimento" para humanos, como não ajuda a evitar a osteoporose e, pelo contrário, ajuda a provocar a mesma, para além de outras doenças graves como alguns tipos de cancros.

Para saber porque o leite provoca problemas de saúde, leia os artigos científicos abaixo indicados e conheça a verdadeira realidade deste "alimento" e os profundos interesses econômicos por detrás do mesmo.

Ética - A extrema crueldade feita para com os animais para a produção de leite

Saiba mais vendo estes vídeos:

http://video. google.com/ videoplay? docid=1957778709 00147944
http://video. google.com/ videoplay? docid=-239204330 856039070

Não beba leite, pela sua saúde!

Tem-se verificado que existe uma relação estreita entre o consumo de produtos lácteos (leite, manteiga, queijo, etc.) e vários tipos de cancro, diabetes, osteoporose, doença coronária e outros problemas relacionados com intolerâncias e alergias graves. Tanto o cancro da mama como o da próstata estão relacionados com o consumo deste produto. Esta íntima relação explica-se através de um aumento da quantidade, no organismo humano, de uma substância designada de fator de crescimento semelhante à insulina-I (IGF-I), encontrada no leite de vaca. Esta substância pode também ser encontrada, em elevadas quantidades, na corrente sanguínea de indivíduos consumidores regulares deste tipo de leite. Estudos recentes comprovam que homens com elevadas concentrações sanguíneas de IGF-I apresentam quatro vezes mais probabilidades de virem a sofrer de cancro da próstata do que outros indivíduos com concentrações sanguíneas de IGF-I mais baixas. Também o cancro do ovário está relacionado com o consumo de produtos lácteos: o açúcar do leite, quando desdobrado no organismo humano, dá origem a outro açúcar mais simples, designado por galactose que, por sua vez, é também desdobrado por várias enzimas. Quando o consumo destes produtos excede a capacidade destas enzimas para desdobrarem a galactose, esta pode circular na corrente sanguínea, o que poderá, a longo prazo, afetar os ovários. Mulheres consumidoras de leite de origem animal apresentam três vezes mais probabilidades de virem a sofrer de cancro nos ovários.

A diabetes insulino-dependente está também relacionada com o consumo de leite e produtos lácteos. Pesquisadores encontraram uma proteína característica dos produtos lácteos que provoca uma reação auto-imune, que, por sua vez, afeta as células do pâncreas, afetando, por isso, também, a capacidade do organismo de produzir insulina.

O leite e seus equivalentes e derivados são frequentemente recomendados para prevenir a osteoporose. Contudo, pesquisas e estudos demonstram que o risco de fratura óssea é igual em consumidores de leite de origem animal e em não consumidores deste produto. Assim, ficou provado por vários estudos que, na prevenção da osteoporose, é fundamental reduzir os fatores descalcificantes, tais como o consumo de sal e de proteína animal - em vez de manter ou aumentar o consumo de cálcio através de lacticínios (que contêm proteína animal).

A doença cardiovascular é uma das doenças que está mais relacionada com o consumo de produtos lácteos, pois têm elevadas quantidades de gordura saturada e colesterol, aumentando imensamente as probabilidades de quem consome estes produtos vir a sofrer de doença coronária.

Os sintomas da intolerância à lactose são diarréia, flatulência e distúrbios gastrointestinais, e surgem devido à ausência, no organismo humano, de enzimas capazes de atuar na digestão do açúcar do leite. Esta ausência é um processo natural que ocorre no organismo, pois os humanos são mamíferos e os mamíferos não necessitam de consumir leite durante a vida adulta (menos ainda de outras espécies). Humanos que insistem em consumir leite após o seu desmame forçam o organismo a continuar a produzir estas enzimas, daí ser tão comum encontrar pessoas intolerantes à lactose.

O consumo de laticínios não está só relacionado com doenças e alergias - os agentes contaminantes encontrados em várias amostras de leite são um grave problema para a saúde humana. A indução artificial da produção de leite conduz a inflamações graves nas glândulas mamárias dos animais, que requerem tratamento à base de antibióticos. Vestígios destes antibióticos, bem como de pesticidas e outros medicamentos, são encontrados em leites e outros produtos derivados.

Uma dieta alimentar diária livre de produtos lácteos contribui para a redução da perda de cálcio, diminuindo o risco de osteoporose. A alimentação vegetariana oferece todo o cálcio necessário, a partir de alimentos ricos em antioxidantes, fibra, ácido fólico, hidratos de carbono complexos, ferro e outras vitaminas e minerais importantes, que não são encontrados em lacticínios.

Fontes: http://www.sejavege tariano.org/ index.php? option=com_ content&task=view&id=31

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Budismo: filosofia de vida


Como toda religião oriental, o budismo desperta a curiosidade dos ocidentais, sobretudo entre aqueles que se identificam com a espiritualidade cultivada pelos povos asiáticos. No Brasil, onde a presença da colonização nipônica é muito forte, vários imigrantes levaram consigo os preceitos das religiões praticadas no seu país de origem, sobretudo o budismo e o xintoísmo. Muitos japoneses que foram para o Brasil, no entanto, já eram praticantes do cristianismo.

Assim como no protestantismo, o budismo subdivide-se em facções.

Talvez o mais conhecido pelos leigos seja o zen-budismo – que pratica essencialmente a meditação, isto é, a pessoa isola-se mentalmente, medita e depois retorna à sua vida rotineira. Muitos filósofos e religiosos discordam desta atitude passiva diante da realidade do mundo.

Como surgiu o budismo - Aliás, a própria essência do budismo prega o contrário. O budismo é a denominação dada aos ensinamentos de Buda, ser que representa a pessoa que despertou para o aspecto real da vida e do universo. Literalmente, Buda significa iluminado.

O primeiro Buda da história é Sidarta Gautama, príncipe do clã Sakya, na antiga Índia, filho do rei Sidodana e da rainha Maya, que acredita-se tenha vivido entre os séculos IV e V a.C. Muito inteligente e sensível, Sidarta começou a sofrer de uma grande angústia espiritual na juventude. Chegou à conclusão de que todas as pessoas, incluindo ele, estavam irremediavelmente condenadas aos quatro sofrimentos da vida: nascimento, velhice, doença e morte. Questionava sempre a razão pela qual as pessoas passavam por esses quatro sofrimentos. Assim, partiu de sua terra deixando sua esposa, seu filho e toda sua riqueza em busca da resposta.

Após muita procura e profunda meditação, Sidarta percebeu que o universo e os seres humanos passam a cada instante pelo ciclo de nascimento e morte, ou seja, nascem, crescem, envelhecem e morrem, para depois renascerem. Com isto, alcançou o domínio sobre a natureza mística da vida, convencendo-se de que poderia desenvolver sua condição de vida ilimitadamente. Depois da iluminação para a verdade da vida, passou a ser chamado de Sakyamuni, o sábio dos Sakya. Sakya, de Sakyamuni, é o nome herdado de seu clã e muni designa “aquele que despertou”.

O budismo de Nitiren Daishonin – Sakyamuni expôs seus ensinamentos por meio de parábolas por vários anos. Entretanto, naquela época as pessoas não estavam preparadas para compreender o profundo significado de suas palavras, o que somente veio a ocorrer com o Buda Nitiren Daishonin, que viveu entre 1222 e 1282 no Japão.

Em 1233, entrou para o sacerdócio no templo Seityo e começou a estudar o budismo. Na infância, recebeu o nome de Zennimitaro, mas após entrar para o sacerdócio mudou o nome para Yakuo Maro e depois para Rentyo. Em Quioto, centro do budismo, estudou exaustivamente os sutras (ensinamentos) de Sakyamuni e concluiu que o Sutra de Lótus é seu supremo ensinamento. Após dez anos de estudo, Rentyo recitou pela primeira vez o Nam-myoho-rengue-kyo, expôs seu ensino e adotou o nome de Nitiren (Niti significa “sol”, ren, “Lótus”)

Sakyamuni profetizou no Sutra de Lótus que, após o declínio de seu budismo, surgiria o verdadeiro budismo. De acordo com a profecia do Sutra de Lótus, o verdadeiro budismo foi estabelecido por outro iluminado, neste caso por Nitiren Daishonin, autor de Dai-Gohonzon, que contém integralmente sua iluminação, destinando-o como objeto de devoção para todos os povos.

O budismo de Nitiren Daishonin, segundo seus seguidores, traz a salvação para toda a humanidade, igualando todas as pessoas numa mesma categoria: elas têm as condições de atingirem a suprema felicidade, ou seja, o estado de Buda, na forma e no ambiente em que vivem. Esse budismo nega a necessidade de auto-sacrifício ou de isolamento para a meditação, e possibilita às pessoas tornarem-se felizes em meio à realidade diária.

Embasado na lei de causa e efeito, o verdadeiro budismo prega que as pessoas devem buscar a reforma interior, elevando sua condição interna de vida. Ensina também que existe uma relação de interdependência entre todos os seres do universo e que a razão de seus sofrimentos reside em suas próprias ações. Tudo segue um ciclo de nascimento e morte pelas três existências da vida – passado, presente e futuro. O momento presente é considerado a base para analisarmos as causas passadas e definir o futuro.

O budismo de Nitiren Daishonin mostra que as circunstâncias da vida são decorrentes de causas que a própria pessoa fez nesta e em outras existências, e seu efeito somente será amenizado ou transformado por meio da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo. Esse conceito nos proporciona um claro entendimento do porquê das diferenças entre as pessoas desde o nascimento.

O budismo proclama que cada pessoa é responsável pelo seu próprio destino e, ao mesmo tempo, possui condições de mudá-lo para melhor. Isso significa que uma pessoa não deve resignar-se a seu destino: ao perceber o próprio ponto fraco, deve procurar a transformação.

Para propagar os ensinamentos de Nitiren Daishonin, foi fundada em 1930 a Soka Gakkai (Sociedade de Criação de Valores) pelo educador Tsunessaburo Makiguti, que teve como sucessor Jossei Toda. Em 1975, foi fundada a Soka Gakkai Internacional por Daisaku Ikeda, terceiro e atual presidente da entidade.

A religião calca-se em três pilares básicos: fé, prática e estudo. Portanto, diariamente, o budista precisa recitar o Gongyo da manhã e o Gongyo da noite, que são orações destinada a nutrir as forças protetoras do universo. O budismo não acredita num ser supremo como a figura de Deus, Alá ou Jeová, presentes no cristianismo, judaísmo e islamismo. Os budistas crêem na energia e estão certos de que ela toma várias formas de vida.

Por Antonio Tozzi - AcheiUSA Newspaper

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Você está pensando em comprar um papagaio?


Então considere estes fatos:
Papagaios cativos são animais carentes, estressados e frustrados:

A inteligência* dos papagaios é uma das razões que os fazem tão queridos por nós humanos. Por outro lado, é também a sua inteligência que os tornam muito sensíveis ao cativeiro. Papagaios engaiolados não podem expressar dois comportamentos profundamente enraizados no seu instinto: voar e socializar com indivíduos da mesma espécie. Na natureza, papagaios geralmente vivem em pares ou grupos, voando longas distâncias todos os dias para procurar alimento e congregando em grandes bandos para passar a noite. A falta destes estímulos sociais e ambientais levam a desvios de comportamento, tais como agressão (ver adiante) e ações estereotipadas locomotoras (fazer movimentos repetitivos sem sentido, tais como mover a cabeça de um lado para o outro ou caminhar em círculos) e orais (arrancar as próprias penas ou morder as grades da gaiola). Embora tendo causas diferentes, estes comportamentos assemelham-se ao autismo humano. A propósito, criadores argumentam que seus papagaios foram selecionados para a vida em cativeiro. Isto não é verdade. Enquanto que cães e gatos acompanharam o ser humano desde épocas remotas da civilização, evoluindo como animais domésticos, papagaios de criadouros não estão distantes mais que uma ou duas gerações de seus antepassados silvestres, retendo quase todas as características de instinto e comportamento dos indivíduos silvestres.

*"Inteligência" é um assunto polêmico, sujeito a diferentes definições e interpretações, mas pesquisadores abordam o problema dividindo-a em componentes, as chamadas habilidades cognitivas: capacidade de compreender, aprender, fazer inferências, tomar decisões, generalizar, e assim por diante. Seja qual for a habilidade cognitiva considerada, os papagaios estão no topo da pirâmide do reino animal, junto com os primatas, golfinhos, e mesmo bebês da nossa própria espécie.

Papagaios em cativeiro são sujeitos a doenças e lesões. Como as necessidades nutricionais dos psitacídeos (papagaios, araras e periquitos) são pouco conhecidas, mesmo donos cuidadosos raramente alimentam seus papagaios adequadamente. Tanto assim que a desnutrição ou distúrbios clínicos relacionados à alimentação são as principais causas de atendimentos de papagaios no ambulatório de aves do hospital veterinário da USP. A desnutrição também aumenta a suscetibilidade a outras doenças sérias como a aspergilose e pneumonia. Mais ainda, os desvios de comportamento causados por confinamento e isolamento podem ser tão intensos que causam traumas físicos, fato frequentemente demonstrado em autópsias de aves cativas.

Papagaios são irriquietos, barulhentos e fazem sujeira. Além de estar ciente das dificuldades e custos para alimentar e manter corretamente um papagaio, seu dono tem que estar preparado para tolerar muita sujeira - inevitável para uma ave de porte razoável - e ruído. Desgosto e irritação devido a contínua algazzarra e a presença de penas, restos de comida e cocô espalhados pela casa são as razões principais para a doação ou venda particular de papagaios. Com o aumento do comércio legal destas aves, pode-se esperar que muitas terão destino semelhante ao de milhares de gatos e cães - enjeitados por equívoco dos donos, que não previram os encargos e aborrecimentos causados por animais de estimação. E a dor de cabeça provocada por papagaios é duradoura: eles podem viver de 30 a 80 anos em cativeiro.

Papagaios são agressivos. Pessoas que vivem com um papagaio, mesmo que pacato e brincalhão, podem contar como certo que cedo ou tarde serão vítimas de bicadas dolorosas e de vandalismo; morder e mastigar objetos fazem parte do instinto de todos os psitacídeos como meio de estabelecer sua posição na hierarquia do grupo e defender território, além de reação de medo ou tensão sexual. Papagaios também mordem para brincar, mesmo que o alvo da sua afeição possa ser ferido seriamente.

Comprar um papagaio, mesmo legalmente, promove o tráfico de animais silvestres. Ter um animal exótico e fascinante como um papagaio incentiva outras pessoas a querer um também, mas o custo de uma ave criada legalmente é muito maior do que no mercado negro. Como a repressão ao tráfico é ineficiente e as penalidades para este tipo de infração são irrizórias, as pessoas são tentadas a comprar um papagaio contrabandeado da floresta ao invés de adquiri-lo na loja de animais. De fato, estudos demonstram que há uma correlação positiva entre o comércio legal de papagaios e o seu tráfico. Isto é muito preocupante porque o contrabando continua a ser a principal causa de risco para as espécies de psitacídeos ameaçadas de extinção. Fiscalização e punições praticamente inexistentes também criam vastas oportunidades para fraudes, já que e fácil falsificar os requerimentos de um animal obtido legalmente; os próprios órgãos de proteção ambiental reconhecem isto. A propósito, muitos criadouros comerciais difundem seu suposto papel conservacionista: na verdade este comércio não contribui em praticamente nada para a proteção de papagaios, como reiterado seguidamente por organizações oficiais e não governamentais.

Em suma, você e seu papagaio não serão felizes - mas pode-se afirmar isto para uma ave? "Felicidade animal" é ainda mais difícil de definir e quantificar do que inteligência, mas existem critérios razoáveis para pelo menos avaliá-la subjetivamente. A declaração universal do bem-estar animal, proposta à ONU por várias organizações, estabelece o direito de animais domésticos a cinco aspectos de liberdade: liberdade da fome, sede e desnutrição; liberdade do medo e ansiedade; liberdade de tormentos físicos e térmicos; liberdade da dor, ferimentos e doença; liberdade para expressar seus padrões normais de comportamento. Se considerarmos estes princípios válidos, justos e humanitários, não poderíamos nunca considerar ter um papagaio como animal de estimação, já que o cativeiro impossibilita pelo menos quatro destes preceitos.

Lugar de papagaio é na floresta; curta-os na natureza.

fonte: ornitobr@yahoogrupo s.com.br

Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade

Jaraguá do Sul - SC

http://www.ra- bugio.org. br/

Acompanhe nosso trabalho de Educação Ambiental nas escolas para salvar a MATA ATLÂNTICA

http://ra-bugio. blogspot. com/

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Outros Muros


Por Cristovam Buarque

Esta semana, o mundo comemorou o 20º aniversário da derrubada do Muro de Berlim, símbolo da divisão entre países. Além de comemorar, devemos lembrar que construímos três outros muros.

O primeiro separa os pobres dos ricos, não importa o país em que vivam. Como um muro ou uma Cortina de Ouro que serpenteia pelo planeta, cortando cada país em duas partes.

De um lado, aqueles com recursos para estudar até o doutorado; de outro lado, os que não saem do analfabetismo ou, no máximo, chegam à 4ª série. Alguns têm acesso à saúde, outros são abandonados à doença e morte. Uns têm um sistema de saúde que lhes permite a esperança de chegar aos 80 anos; para os outros, a esperança de vida é de 39 anos apenas. De um lado da Cortina de Ouro, a renda per capita é de US$20 mil por ano, do outro lado, de US$500 por ano.

Esse é um muro tão brutal quanto o muro que separava a Alemanha em duas. Mas uma brutalidade que esquecemos, como se a derrubada do Muro de Berlim tivesse sido suficiente para construirmos um mundo sem muros. Mas esse não é o único muro que criamos. Ao contrário, temos diversos muros para manter a separação entre um lado e outro da sociedade.

O segundo muro separa a atual geração das futuras gerações. É o muro que decorre da destruição ecológica. Até aqui, as gerações seguintes tinham certeza de uma vida melhor que a de seus pais. Este não é mais o caso, porque o muro da ecologia separa os que hoje têm acesso a uma agricultura que produz mais do que o necessário para alimentar todas as pessoas da atualidade daqueles que, num futuro breve, terão uma agricultura desarticulada, incapaz de alimentar a população; daqueles que viverão o risco da elevação do nível do mar invadindo o litoral e inundando as casas. Que nos separa de nossos filhos e netos. Esse muro separa as gerações fazendo com que possamos usufruir de uma diversidade biológica a que os próximos seres humanos não terão direito, porque desaparecerá por causa do aquecimento global.

O mundo que há 20 anos tinha uma Cortina de Ferro e um Muro de Berlim, hoje, tem uma Cortina de Ouro separando pobres e ricos, e outra separando a geração atual das gerações futuras. É a civilização dos muros nas fronteiras entre países, muros dos condomínios fechados e dos shoppings centers, dos hospitais de qualidade, das boas escolas.

Uma terceira cortina faz com que, de um lado, estejam aqueles que se acostumaram à vida no mundo digital, que convivem com os chips, e do outro estão aqueles que têm apenas as mãos, sem conhecimento necessário para lidar com as tecnologias do tempo atual.

Hoje o mundo está mais dividido do que estava há 20 anos, quando o Muro de Berlim ainda estava de pé.

Precisamos dar um salto para irmos além do que foi feito 20 anos atrás, e derrubarmos os muros que continuam impedindo a humanidade de viver a decência da mesma oportunidade entre as classes sociais atuais e as gerações futuras.

Antes, o debate era para saber como um lado derrubaria o muro destruindo o sistema social e econômico que estava do outro lado, espalhando o do vencedor. Agora, o desafio é como construir um mundo sem muros. O Brasil tem todos esses muros, mas tem os recursos necessários para construir um país sem muros.

Alguns países não têm necessidade de derrubar os muros, outros não têm condições de derrubá-los. O Brasil tem a necessidade e as condições. Além disso, temos uma massa crítica de intelectuais e políticos capazes de entender esse problema, e liderarem as mudanças necessárias.

Fonte: Artigo publicado no Jornal do Commercio de sexta-feira, 13 de novembro de 2009.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"Praga branca" está destruindo recifes de corais de Abrolhos‏

Habitat em Perigo

Pesquisadores têm constatado um grave e eminente dano ambiental num dos maiores santuários de recifes de corais do litoral brasileiro. O mal denominado “praga branca” está destruindo aos poucos os recifes do Banco de Abrolhos. Localizado no sul da Bahia, Abrolhos é um complexo marinho que abrange 42 mil quilômetros quadrados e é habitat de inúmeras espécies,considerado essencial para o equilíbrio do ecossistema na região. Os fatores que desencadeariam a “praga branca” seriam a elevação da temperatura global e a poluição no oceano.

A doença, provocada por bactérias, ataca os corais-cérebros, espécie que é a principal responsável pela estrutura rígida dos recifes. De acordo com o estudo desenvolvido pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), existe a possibilidade de que todos os recifes da região sejam atingidos de forma irreparável até 2050.

O biólogo da UEPB e coordenador da pesquisa, Ronaldo Francini Filho, divulgou que o percentual atingido pela doença até o momento já chega a 10%, podendo ser ainda maior no próximo verão.

Fontes:
http://www.bahiadiadia.com.br/news.php?item.1419.4
http://www.anda.jor.br/?p=32357